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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

...

Dezembro 13, 2025

respiro
amenas colinas —
sustento do fogo
repouso
ou fervor dos lábios
e bálsamo vermelho.

são colinas cheias de luz,
colinas que convidam —
onde o silêncio se deita
e arde

...

Dezembro 12, 2025

no teu corpo nasce a primavera,
a vida
e a madrugada —
nasce o pressentimento do desejo

e, como cria faminta,
o meu espera por ser sol
e arder com ele
ou cantar

finalmente,
quando o primeiro lume romper o silêncio,
o desejo, ainda tímido,
vai-se alongar como água numa fenda.

pólvora

Dezembro 09, 2025

também sou feito à base de pólvora, digo-te,
e há dias em que o vento me acende sem aviso,
como se o mundo inteiro fosse um fósforo cansado
a riscar-me o peito.

momento

Dezembro 09, 2025

sim, tenho saudades do grito
e das lágrimas
que por vezes se seguem
ao arrepio —
desse instante breve
em que o mundo fica pequeno
e dois corpos ocupam o mesmo espaço.

 

falta
de quando o carro vira abrigo,
respiração nos vidros
e vertigem —
dum lugar suspenso
onde o tempo não passa
e tudo vibra em conjunto.

 

mesmo depois do último sussurro,
o eco permanece entre os bancos,
como um tremor que persiste:
memória
que pulsa sem cessar,
como se o mundo inteiro aguardasse
para se dobrar ao instante.

#72 garras de silêncio

Dezembro 07, 2025

a solidão é um monstro de chamas que arde em silêncio, devorando o peito, cortando o ar com garras afiadas. ela envolve, sufoca e não deixa escapar. um peso invisível que nos faz sentir tão sozinhos - tão vazios. ela dança nas sombras, sussurra mentiras ao ouvido: não és suficiente; ninguém te vê; estás esquecido. o silêncio é o seu aliado, um cúmplice cruel, que amplifica o vazio, até que o coração se sinta um abismo sem fundo. no entanto, a solidão não é apenas ausência, é um geco que se agarra à pele, um zumbido que não cessa. é a espera por um toque que não vem, um sussurro que se perdeu no vento, um eco que se desvanece.

quando pensamos que podemos escapar, ela está lá, à espreita, pronta para atacar. com garras afiadas, corta o ar e faz-nos sentir que estamos a morrer, devagar.

o desejo é a sua própria cinza

Novembro 18, 2025

o desejo não é uma noz para ser partida é a sua própria casca vazia e oca o som surdo de um motor que falha

começa na pele o rumor de uma febre que não aquece é um tremor fino nas extremidades a promessa de uma paisagem que nunca existiu

o desejo é a noite que se fecha sobre nós e nos deixa sem estrelas sem faróis apenas a humidade de um beijo que se perdeu

é a cor da ausência a forma exata do que não temos e que nos rói o miolo do peito como um verme paciente

o corpo é o seu túmulo o lugar onde o desejo se enterra vivo e fica a arder em silêncio uma brasa que não se apaga mas que também não ilumina

somos a combustão lenta desta matéria incandescente que só encontra a paz quando se torna cinza e se mistura com o pó das ruas e o fim dos dias.

#71

Outubro 25, 2025

Solidão de Chumbo


A solidão não tem música nem tem pressa. Tem o peso, sim, de um bloco de chumbo que se instalou no centro do meu peito, roubando espaço aos pulmões e aos batimentos. Não é ruidosa, nunca. Apenas... comprime. Ninguém a vê, a não ser eu, enquanto me observo encolher — os ombros curvados como se tentassem anular a minha própria altura, o pescoço a retrair-se para dentro da camisola. Ela é um mestre silencioso na arte de nos tornar pequenos, de nos encurtar contra a vontade.

É uma gravidade pessoal, que só atua em mim. Cada passo é lento, cada movimento é uma luta contra este lastro invisível que me obriga a andar curvado, a proteger o corpo do frio que irradia do seu toque. Ela não precisa de gritar ameaças; a sua presença é a promessa de que nada se moverá ou mudará. E é esse silêncio, essa inércia fria, que pesa mais que o chumbo, mais que o meu corpo inteiro, até que a solidão me tenha moldado à sua imagem: uma figura quieta, de contornos esbatidos, habitando um espaço onde o eco da minha voz não tem tempo de regressar.

#70

Outubro 22, 2025

a solidão tem corpo. ninguém acredita quando digo, mas eu já a vi — imóvel, branca, feita de gelo e silêncio, respirando vapor frio no canto do quarto. não grita, não se anuncia. apenas chega. e o ar, de repente, torna-se espesso, cortante, como se cada inspiração viesse com lâminas escondidas.

move-se devagar, quase elegante, arrastando um silêncio que pesa mais que o próprio corpo. as garras, finas como agulhas de inverno, pousam sobre o meu peito — e ali ficam, sem força visível, mas suficiente para me roubar o fôlego.

é assim que ela me possui: com uma calma glacial que não aceita resistência.

...

Outubro 06, 2025

tu deixas que te conduza
não por poder mas por vertigem
por esse instante em que o corpo
esquece o nome e aprende o amor

o quarto é uma sombra suspensa
onde a submissão se transforma em rito
e o desejo ao cumprir-se
é apenas outra forma de silêncio

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As mensagens são privadas e, se usarem dados fictícios, totalmente anónimas.

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