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Dezembro 13, 2025
respiro
amenas colinas —
sustento do fogo
repouso
ou fervor dos lábios
e bálsamo vermelho.
são colinas cheias de luz,
colinas que convidam —
onde o silêncio se deita
e arde
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Dezembro 13, 2025
respiro
amenas colinas —
sustento do fogo
repouso
ou fervor dos lábios
e bálsamo vermelho.
são colinas cheias de luz,
colinas que convidam —
onde o silêncio se deita
e arde
Dezembro 12, 2025
no teu corpo nasce a primavera,
a vida
e a madrugada —
nasce o pressentimento do desejo
e, como cria faminta,
o meu espera por ser sol
e arder com ele
ou cantar
finalmente,
quando o primeiro lume romper o silêncio,
o desejo, ainda tímido,
vai-se alongar como água numa fenda.
Dezembro 09, 2025
também sou feito à base de pólvora, digo-te,
e há dias em que o vento me acende sem aviso,
como se o mundo inteiro fosse um fósforo cansado
a riscar-me o peito.
Dezembro 09, 2025
sim, tenho saudades do grito
e das lágrimas
que por vezes se seguem
ao arrepio —
desse instante breve
em que o mundo fica pequeno
e dois corpos ocupam o mesmo espaço.
falta
de quando o carro vira abrigo,
respiração nos vidros
e vertigem —
dum lugar suspenso
onde o tempo não passa
e tudo vibra em conjunto.
mesmo depois do último sussurro,
o eco permanece entre os bancos,
como um tremor que persiste:
memória
que pulsa sem cessar,
como se o mundo inteiro aguardasse
para se dobrar ao instante.
Dezembro 07, 2025
a solidão é um monstro de chamas que arde em silêncio, devorando o peito, cortando o ar com garras afiadas. ela envolve, sufoca e não deixa escapar. um peso invisível que nos faz sentir tão sozinhos - tão vazios. ela dança nas sombras, sussurra mentiras ao ouvido: não és suficiente; ninguém te vê; estás esquecido. o silêncio é o seu aliado, um cúmplice cruel, que amplifica o vazio, até que o coração se sinta um abismo sem fundo. no entanto, a solidão não é apenas ausência, é um geco que se agarra à pele, um zumbido que não cessa. é a espera por um toque que não vem, um sussurro que se perdeu no vento, um eco que se desvanece.
quando pensamos que podemos escapar, ela está lá, à espreita, pronta para atacar. com garras afiadas, corta o ar e faz-nos sentir que estamos a morrer, devagar.
Dezembro 04, 2025
adoro a forma ordenada e ávida
das sílabas nascerem nas tuas mãos
Novembro 18, 2025
o desejo não é uma noz para ser partida é a sua própria casca vazia e oca o som surdo de um motor que falha
começa na pele o rumor de uma febre que não aquece é um tremor fino nas extremidades a promessa de uma paisagem que nunca existiu
o desejo é a noite que se fecha sobre nós e nos deixa sem estrelas sem faróis apenas a humidade de um beijo que se perdeu
é a cor da ausência a forma exata do que não temos e que nos rói o miolo do peito como um verme paciente
o corpo é o seu túmulo o lugar onde o desejo se enterra vivo e fica a arder em silêncio uma brasa que não se apaga mas que também não ilumina
somos a combustão lenta desta matéria incandescente que só encontra a paz quando se torna cinza e se mistura com o pó das ruas e o fim dos dias.
Outubro 25, 2025
Solidão de Chumbo
A solidão não tem música nem tem pressa. Tem o peso, sim, de um bloco de chumbo que se instalou no centro do meu peito, roubando espaço aos pulmões e aos batimentos. Não é ruidosa, nunca. Apenas... comprime. Ninguém a vê, a não ser eu, enquanto me observo encolher — os ombros curvados como se tentassem anular a minha própria altura, o pescoço a retrair-se para dentro da camisola. Ela é um mestre silencioso na arte de nos tornar pequenos, de nos encurtar contra a vontade.
É uma gravidade pessoal, que só atua em mim. Cada passo é lento, cada movimento é uma luta contra este lastro invisível que me obriga a andar curvado, a proteger o corpo do frio que irradia do seu toque. Ela não precisa de gritar ameaças; a sua presença é a promessa de que nada se moverá ou mudará. E é esse silêncio, essa inércia fria, que pesa mais que o chumbo, mais que o meu corpo inteiro, até que a solidão me tenha moldado à sua imagem: uma figura quieta, de contornos esbatidos, habitando um espaço onde o eco da minha voz não tem tempo de regressar.
Outubro 22, 2025
a solidão tem corpo. ninguém acredita quando digo, mas eu já a vi — imóvel, branca, feita de gelo e silêncio, respirando vapor frio no canto do quarto. não grita, não se anuncia. apenas chega. e o ar, de repente, torna-se espesso, cortante, como se cada inspiração viesse com lâminas escondidas.
move-se devagar, quase elegante, arrastando um silêncio que pesa mais que o próprio corpo. as garras, finas como agulhas de inverno, pousam sobre o meu peito — e ali ficam, sem força visível, mas suficiente para me roubar o fôlego.
é assim que ela me possui: com uma calma glacial que não aceita resistência.
Outubro 06, 2025
tu deixas que te conduza
não por poder mas por vertigem
por esse instante em que o corpo
esquece o nome e aprende o amor
o quarto é uma sombra suspensa
onde a submissão se transforma em rito
e o desejo ao cumprir-se
é apenas outra forma de silêncio