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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

não sei como recordas esses momentos....

Março 11, 2021

não sei como recordas esses momentos nem, sequer, sei se os recordas, mas eram a tua cara de prazer e os teus olhos fechados que me encorajavam e guiavam os gestos. foram eles a tirar-me a mão de dentro da tua camisa e a dizer-lhe para descer. obedeci-lhes. lentamente. dando-te tempo de perceber e autorizar. arqueavas e contorcias o corpo. sorrias. a minha mão chegou ao destino. tocou-o e sentiu o teu deleite através das calças.

gravado em ameias e muros...

Janeiro 26, 2021

gravado em ameias e muros, em pinheiros e areias, o grito mais claro: o sol. como banda sonora da insónia: dedos cruzados na memória e fotografias antigas. estavas ainda mais bonita. todos os versos alguma vez escritos significam que estavas ainda mais bonita. os amplos relâmpagos de brilho no teu sorriso, nesse dia, abriram fogueiras maiores.

estavas ainda mais bonita. cada onda no mar, cada duna no deserto. cada fonte de água fresca nos teus lábios. cada flor que nasce na terra. o caule. as pétalas. és bonita.

vinhas do mar....

Janeiro 20, 2021

vinhas do mar

olhavas para longe

e seduzias sem saber

ou talvez soubesses

 

talvez já soubesses

da súbita carícia

no teu sorriso

ou da atração dos lábios

 

imediato feitiço

rápido e ardente

no sangue insinuante

 

talvez já soubesses

que tudo ao teu redor desaparecia

 

- tens um cigarro?

tínhamos procurado...

Janeiro 13, 2021

tínhamos procurado o refúgio noturno da praia. fabricávamos o azul. as minhas mãos alternavam entre as cerejas e o muito húmido mar. estávamos tão juntos. entre nós só cabiam a ternura noturna e o azul. e o vermelho. a confusão dos corpos e o ardor do mar. por vezes, o rumor ou a explosão.

a noite estava plena de lua, os seus braços estendiam-se até ao teu rosto e acariciavam-no, abrilhantando-o com reflexos de prata. o teu rosto sob a lua. fulgurante. claro.

as mãos e as vertigens.

a pele.

lembras-te de como as tuas mãos derramavam desejo?

lembras-te de como as tuas mãos derramavam desejo?

sentia-me mais bonito nas tuas mãos. ainda sinto. máquinas do tempo. viajavam-me nas costas imitando uma fera enjaulada, repetindo incansavelmente o percurso entre cada ombro. só o calor do teu corpo tornava real o momento. tudo o resto me parecia sonho: as cerejas no teu corpo; as estrelas refletidas no teu sorriso; as serpentinas azuis; a textura das tuas pernas.

pensávamos ser ilha.

as ondas marcavam o ritmo do corpo. o ritmo do nosso amor. os teus lábios despertavam arrepios em partes que eu não sabia ter. eu mordia, chupava e saboreava as cerejas. segurava-te os braços contra a areia. forçava-te a unir as mãos sobre a cabeça e mantinha-as algemadas com o meu desejo. naquela posição, quando arqueavas de prazer, os teus seios quase rasgavam a camisa e erguiam-se para a noite como que implorando ar.

Solidão

Janeiro 13, 2021

estou cansado. já não consigo ser. tenho peixes transparentes a nadarem-me na cara e um pequeno pardal aprisionado ao peito, já sem asas. foram cortadas pela ausência. já não danço. há gelo a correr-me no corpo. na pele. está frio.

sinto-me prisioneiro. as estações do ano sucedem-se sem que eu dê por elas, mas está frio.

a música está muito alta. o silêncio também. são cinco da tarde e eu estou deitado. ainda. as paredes são brancas, mas a solidão não. curioso como tantos anos depois são exatamente os mesmos violinos a preencher os mesmos espaços. está frio.

ao contrário do que dizem, escrever é inquietação e adensa a ausência. materializa-a e permite-me tocar-lhe. escrever também pode ser alegria, mas essencialmente é uma forma refinada de masoquismo. eu, pelo menos, sofro quase sempre que escrevo e, no entanto, não paro de o fazer. mesmo com este frio.

Solidão

Janeiro 11, 2021

o vinilo gasto dos clássicos já não toca na velha aparelhagem da sala. já não há ninguém aos saltinhos pela casa. nem gritos. já ninguém escorrega no saco de laranjas, a fazer rir os restantes. já não há o único bolo de chocolate possível de fazer. o pequeno quarto, forrado a páginas de revistas, também já não existe. já ninguém tira fotografias. não há ninguém a chorar num qualquer canto. tudo o que existe são paredes distorcidas pela humidade do tempo.

espelhos

Janeiro 11, 2021

Por vezes, deito-me de lado na cama, acendo um cigarro e fico a olhar o meu corpo refletido nos espelhos do roupeiro. Três portas e três espelhos que dividem o meu corpo. São acastanhados e fazem-me mais moreno. Gosto de me olhar nestes espelhos porque me fazem mais moreno e porque escondem os defeitos conquistados pelo tempo. Especialmente por isso. O meu reflexo tem mais cabelo, tem menos barriga, mas, e acima de tudo, não tem recordações. Na porta mais distante, as minhas pernas, sem sinais de fraqueza, confiantes, virgens. Não se notam nem as cicatrizes de distâncias mal calculadas, nem as provocadas pela infinita procura de um sem nome que nunca se acha. A porta do meio está normalmente aberta, para não refletir o meu tronco. É o reflexo mais verdadeiro, mais marcado, não gosto dele e não quero falar mais sobre isso. Na porta mais próxima reflete-se a maior mentira. A face, o braço que a segura, a cabeça e os ombros. Naquele que não sou, não consegue ver-se o que sou. Na minha face sem memórias não se vislumbra medo e, no reflexo dos meus olhos, o tempo está ausente. Não existem árvores, nem sol, nem mar, mas também não se refletem as espessas camadas de sombras noturnas, também não se refletem os bolores verdes e densos e a saliva de sangue no hálito da minha alma. Com a ajuda do cigarro, nem os pingos de irredutíveis cristais que me vidram os olhos, o meu companheiro, o espelho, consegue refletir.

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