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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

segredos *

Julho 31, 2004

chegam-me sempre primeiro as palavras que o sono. na grande maioria das vezes, chegam desordenadas, chegam como se um furacão ancestral as embrulhasse num sudário de aço e as libertasse, a todas, de uma só vez, sobre a falésia húmida e sem fundo da insónia. não servem para nada as palavras assim molhadas. colam-se umas nas outras como aves incompreensivelmente distribuídas pelo vazio do céu, colam-se umas nas outras pela ordem errada, como aves incompreensivelmente vazias de céu.palavras que são como os apeadeiros onde os comboios não param nunca. palavras que são como crianças que namoram sozinhas com a chuva. palavras que são como ventos que assobiam no que resta das ondas. palavras que são como armas carregadas pela pólvora dos sonhos. palavras que são como as flores que crescem no campo de um sorriso. palavras que são como gente que se alimenta no cadáver de um poema. palavras que me são proíbidas. * 16/03/2004

segredos *

Julho 31, 2004

chegam-me sempre primeiro as palavras que o sono. na grande maioria das vezes, chegam desordenadas, chegam como se um furacão ancestral as embrulhasse num sudário de aço e as libertasse, a todas, de uma só vez, sobre a falésia húmida e sem fundo da insónia. não servem para nada as palavras assim molhadas. colam-se umas nas outras como aves incompreensivelmente distribuídas pelo vazio do céu, colam-se umas nas outras pela ordem errada, como aves incompreensivelmente vazias de céu.palavras que são como os apeadeiros onde os comboios não param nunca. palavras que são como crianças que namoram sozinhas com a chuva. palavras que são como ventos que assobiam no que resta das ondas. palavras que são como armas carregadas pela pólvora dos sonhos. palavras que são como as flores que crescem no campo de um sorriso. palavras que são como gente que se alimenta no cadáver de um poema. palavras que me são proíbidas. * 16/03/2004

segredos *

Julho 30, 2004

nunca as palavras me pareceram tão inúteis. deveriam ter dedos e unhas e mãos as palavras e a poesia. há uma árvore de trapos envenenados a crescer-me na luz e não há palavras que lhe sequem a sombra. houvesse pelo menos uma mão a sufocar-lhe as raízes e seria mais fácil ouvir esta música que entra pelas janelas. por todas estas janelas que antes se pareciam com poemas, como todos os poemas se pareciam com janelas, mas todas as janelas são vidros foscos e todos os poemas estão já escritos como se portas seladas fossem. todos os poemas estão já escritos e acabados ou não seriam ainda poemas.* 25/04/2004

segredos *

Julho 30, 2004

nunca as palavras me pareceram tão inúteis. deveriam ter dedos e unhas e mãos as palavras e a poesia. há uma árvore de trapos envenenados a crescer-me na luz e não há palavras que lhe sequem a sombra. houvesse pelo menos uma mão a sufocar-lhe as raízes e seria mais fácil ouvir esta música que entra pelas janelas. por todas estas janelas que antes se pareciam com poemas, como todos os poemas se pareciam com janelas, mas todas as janelas são vidros foscos e todos os poemas estão já escritos como se portas seladas fossem. todos os poemas estão já escritos e acabados ou não seriam ainda poemas.* 25/04/2004

o cantarolar do sal que prolonga a insónia

Julho 29, 2004

nem sempre o fumo e a luz demasiado velha
conseguem transformar o silêncio em sono
mas com a regularidade ambígua das dunas
o cantarolar do sal que prolonga a insónia
para além dos limites da carne e do sol
faz crescer a água secreta das palavras
até que um ciclone de sangue enfurecido
varra as memórias para onde não podem sê-lo.

o cantarolar do sal que prolonga a insónia

Julho 29, 2004

nem sempre o fumo e a luz demasiado velha
conseguem transformar o silêncio em sono
mas com a regularidade ambígua das dunas
o cantarolar do sal que prolonga a insónia
para além dos limites da carne e do sol
faz crescer a água secreta das palavras
até que um ciclone de sangue enfurecido
varra as memórias para onde não podem sê-lo.

ficções *

Julho 24, 2004

é quando morremos gritose o silêncioarde em chamas brandasque o amoraprendea resistir.é na faltado respirarofeganteque enalteceas insatisfaçõesque o amoraprendea resistiré nos caminhosque trilhamosquando o corponos abandona que o amoraprendea resistiré na dúvidaque existenos olhosde quem amaque o amoraprendea resistirénas lágrimasque caieme nos queimama línguaque o amoraprendea resistir

* 19-01-2004

ficções *

Julho 24, 2004

é quando morremos gritose o silêncioarde em chamas brandasque o amoraprendea resistir.é na faltado respirarofeganteque enalteceas insatisfaçõesque o amoraprendea resistiré nos caminhosque trilhamosquando o corponos abandona que o amoraprendea resistiré na dúvidaque existenos olhosde quem amaque o amoraprendea resistirénas lágrimasque caieme nos queimama línguaque o amoraprendea resistir

* 19-01-2004

um vazio incendiado pela ausência

Julho 24, 2004

enquanto o nevoeiro descia lentamente sobre o túmulo,
enquanto o corpo disputava os silêncios com a fome,
os olhos lutavam para camuflar os ventos e as vigílias,
sorriam, cheios de um vazio incendiado pela ausência,
sorriam desesperados como que à procura do espaço,
como se recordassem a língua e a serpente,
choravam secretamente a mentira agradável.

um vazio incendiado pela ausência

Julho 24, 2004

enquanto o nevoeiro descia lentamente sobre o túmulo,
enquanto o corpo disputava os silêncios com a fome,
os olhos lutavam para camuflar os ventos e as vigílias,
sorriam, cheios de um vazio incendiado pela ausência,
sorriam desesperados como que à procura do espaço,
como se recordassem a língua e a serpente,
choravam secretamente a mentira agradável.

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