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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

...

Dezembro 31, 2004

sinto, pelo terminar do canto, um fascínio ébrio e matemático. divertem-me a esperança e os projectos esquecidos dois dias depois. divertem-me muito as cidades. assim vestidas, de céu e panos brancos. sabes, a recompensa das cidades é o asfalto azul que as percorre na lentidão do último dia, isso diverte-me, mas escuta: que a vastidão do novo pássaro lhes sorria sempre, que seja essa e só essa a sua recompensa, a minha será ver a morte de alguns bichos enquanto aprendo a idade dos anjos nos teus lábios.

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Dezembro 31, 2004

sinto, pelo terminar do canto, um fascínio ébrio e matemático. divertem-me a esperança e os projectos esquecidos dois dias depois. divertem-me muito as cidades. assim vestidas, de céu e panos brancos. sabes, a recompensa das cidades é o asfalto azul que as percorre na lentidão do último dia, isso diverte-me, mas escuta: que a vastidão do novo pássaro lhes sorria sempre, que seja essa e só essa a sua recompensa, a minha será ver a morte de alguns bichos enquanto aprendo a idade dos anjos nos teus lábios.

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Dezembro 20, 2004

vida toupeira, desperdício genético,
na cegueira colectiva faço apenas o que me obrigam.

tão pouco é o ar que respiramos.

catacumbas, espirais, túneis em chamas
que não chegam nem levam a parte alguma do céu

tão pouco é o ar que respiramos.

estou no lado errado da lua.
numa sala, fechada pela orgulhosa ignorância
de um gorila que navega à deriva,
protegendo-se das tempestades de merda,
que ele próprio inventa,
com a máscara do conforto.

tão pouco é o ar que respiramos.

pouco interessa.

tão pouco é o ar que respiramos.

nada que me interesse.

estou rodeado de orgulhosos poços de saber,
profundos abismos oceânicos povoados de conhecimento,
formas de vida desprovidas de vazio,
tudo as preenche na totalidade e,
imagine-se,
basta-lhes uma moeda
para responderem a todas as necessidades.

até eu, cápsula de cianeto, posso mergulhar
e afogar-me nesse mar de erudição,
sem perigar
qualquer outra espécie
viva ou já morta.

no último sopro da toupeira
faço apenas o que me obrigam.

escasso é o ar nestes túneis.

...

Dezembro 20, 2004

vida toupeira, desperdício genético,
na cegueira colectiva faço apenas o que me obrigam.

tão pouco é o ar que respiramos.

catacumbas, espirais, túneis em chamas
que não chegam nem levam a parte alguma do céu

tão pouco é o ar que respiramos.

estou no lado errado da lua.
numa sala, fechada pela orgulhosa ignorância
de um gorila que navega à deriva,
protegendo-se das tempestades de merda,
que ele próprio inventa,
com a máscara do conforto.

tão pouco é o ar que respiramos.

pouco interessa.

tão pouco é o ar que respiramos.

nada que me interesse.

estou rodeado de orgulhosos poços de saber,
profundos abismos oceânicos povoados de conhecimento,
formas de vida desprovidas de vazio,
tudo as preenche na totalidade e,
imagine-se,
basta-lhes uma moeda
para responderem a todas as necessidades.

até eu, cápsula de cianeto, posso mergulhar
e afogar-me nesse mar de erudição,
sem perigar
qualquer outra espécie
viva ou já morta.

no último sopro da toupeira
faço apenas o que me obrigam.

escasso é o ar nestes túneis.

do sangue

Dezembro 18, 2004

há momentos em que me odeio. por não conseguir evitar odiar-te, odeio-me. eu sei, não foste tu que te perdeste, foi a tua consciência de ti, mas há momentos em que é como trazer flanelas vestidas no verão e teres sido tu a vestir-mas. é como ser a única folha dourada na primavera por não te poder beber. odeio-te por saber que te amo sem te saber. por vezes odeio a inevitabilidade do amor. sabes, dói muito não te saber, mas dói ainda mais não saber se me sabes, dói ainda mais não saber se alguma vez me encontras na tua busca de ti próprio.

*

um dia saberás que te procuro todas as noites. o labirinto é enorme e muito escuro, é feito de escadas em caracol e rampas de memórias. percorro-o quase como fazias para te encontrares. lembro-me, costumavas procurar-te nas serras, que subias e descias infinitamente, e no pêlo de animais abandonados. juro-te, procuro-te muito todas as noites. há muitas portas, todas fechadas. uma noite arrisquei uma delas, era de água e pareceu-me fácil. consegui atravessar o medo e mergulhar na água gelada, mas, do outro lado, apenas um pássaro a voar muito alto e a espiral descendente dos teus olhos. por vezes a tua cara. procuro-te como te procuravas na alucinação das imagens e nas florestas de tempo. já te perdi há muito tempo. não sei se ainda procuras as tuas mãos no abandono das sombras. não sei se chegaste a descobrir-te, eu ainda não te encontrei, mas, um dia saberás, procuro-te muito todas as noites. no teu fantasma. nas tuas mãos de árvore antiga.

do sangue

Dezembro 18, 2004

há momentos em que me odeio. por não conseguir evitar odiar-te, odeio-me. eu sei, não foste tu que te perdeste, foi a tua consciência de ti, mas há momentos em que é como trazer flanelas vestidas no verão e teres sido tu a vestir-mas. é como ser a única folha dourada na primavera por não te poder beber. odeio-te por saber que te amo sem te saber. por vezes odeio a inevitabilidade do amor. sabes, dói muito não te saber, mas dói ainda mais não saber se me sabes, dói ainda mais não saber se alguma vez me encontras na tua busca de ti próprio.

*

um dia saberás que te procuro todas as noites. o labirinto é enorme e muito escuro, é feito de escadas em caracol e rampas de memórias. percorro-o quase como fazias para te encontrares. lembro-me, costumavas procurar-te nas serras, que subias e descias infinitamente, e no pêlo de animais abandonados. juro-te, procuro-te muito todas as noites. há muitas portas, todas fechadas. uma noite arrisquei uma delas, era de água e pareceu-me fácil. consegui atravessar o medo e mergulhar na água gelada, mas, do outro lado, apenas um pássaro a voar muito alto e a espiral descendente dos teus olhos. por vezes a tua cara. procuro-te como te procuravas na alucinação das imagens e nas florestas de tempo. já te perdi há muito tempo. não sei se ainda procuras as tuas mãos no abandono das sombras. não sei se chegaste a descobrir-te, eu ainda não te encontrei, mas, um dia saberás, procuro-te muito todas as noites. no teu fantasma. nas tuas mãos de árvore antiga.

Natércia Freire

Dezembro 18, 2004

também no DN. transcrevo parte:


Atenta à riqueza do léxico e a uma beleza não só da forma, mas da essência, a poesia de Natércia abre-se a uma musicalidade em consonância com um salto do psicológico para o metafísico, salto plenamente amadurecido e enredado numa existência supra-sensível e delicada de tipo místico «Mas às vezes há um desejo de solidão, de uma solidão breve. De morte. Falamos, os que se encontram, uma língua de tempos derradeiros.» (Entrevista ao DNa)

Natércia Freire

Dezembro 18, 2004

também no DN. transcrevo parte:

Atenta à riqueza do léxico e a uma beleza não só da forma, mas da essência, a poesia de Natércia abre-se a uma musicalidade em consonância com um salto do psicológico para o metafísico, salto plenamente amadurecido e enredado numa existência supra-sensível e delicada de tipo místico «Mas às vezes há um desejo de solidão, de uma solidão breve. De morte. Falamos, os que se encontram, uma língua de tempos derradeiros.» (Entrevista ao DNa)

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