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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

...

Maio 29, 2013

há algumas palavras que          não se dobram quando passam os gritos


perdem os espinhos          quando são escritas pelas mãos incompetentes dos sólidos

...

Maio 25, 2013

no tempo


das tempestades


o infinito repetia-se


nas asas dos pássaros


de fogo e vidro.


os trovões,


azuis e brancos,


explodiam de medo


em areias mornas


 

...

Maio 21, 2013

escuta:


a caligafia dos corpos


é muito minuciosa


 


anda sempre aperaltada


e repete-se com audácia


nas luzes mais brancas


e no regressar das ruas


 

...

Maio 21, 2013

nasardo
(francês nasard)


s. m.


s. m.


[Música]   [Música]  Registo.Registro de órgão cujo som dá ideia.idéia. de quem fala nasalmente.


 


 


o som nasardo


do vento nos sobreiros


arrepia até a imensidão


 


o tumulto dos corpos


enruga os amantes


em estrelas de várias cores


 


a geografia da pele


junta os gemidos


em suave sinfonia


e os movimentos mareados do amor


em encantamento


e músicas de saudade

...

Maio 21, 2013

SIDÉRICO - Sideral. Que provém dos astros. Relativo ao ferro.


 



 


a sidérica união dos corpos


avança sobre as cores


como água


desgasta os trapos


e caminha sobre brasas


como se fosse um pássaro de vidro


ou uma espiral de lágrimas


 


no progresso colorido


das ondas


o gemido audaz do mar


atravessa as sombras


no silêncio dos corvos


 


a confederação da pele


refresca as dunas


enquanto o sentir


sufoca os gritos de água


na escuridão das grutas

...

Maio 21, 2013

DIRUPÇÃO - Ruína, rompimento. Acto ou efeito de derruir ou de romper.


 



 


sempre que a dirupção do discurso


alivia os lábios


e o beijo é simples


e longo e molhado e finlandês


ou de outro norte qualquer


os corpos dos amantes


envolvem-se


 numa luta sem tréguas


contra o não


e nenhum vence


ou pelo menos


os ruídos e o contorcer


da nudez e dos corpos assim gritam


no silêncio


das árvores


e das areias

...

Maio 21, 2013

SOFISMA - Argumento capcioso com que se pretende enganar ou fazer calar o adversário. [Popular]  Engano; logro.


 



 


toda a poesia


nas mãos hábeis de um artesão


é um imenso sofisma


 


engana os mais incautos


com letras doces


e mortifica-os


à traição


com sombras e silêncio


 


quando bem escrita


até a morte é bonita


pode rodear-se um cadáver de fadas


e ficar bem


 


nos dedos de um mentiroso


as aves voam do avesso


os peixes nadam de costas


e ninguém estranha

...

Maio 21, 2013

VIEIRO - Veio, filão de minério, nas minas. Linha por onde uma pedra abre quando é percutida. [Antigo] Imposto que se pagava à coroa.


 



 


tenho um vieiro de sangue


entre os dedos


e uma mina de medo


nas mãos


 


o mar que me fervilha nas veias


quebra as pedras


que me polvilha o corpo


em vieiros profundos


 


é num vieiro


que o mar me fez no peito


que coloco a dinamite


para explodir o corpo


 


na confusão do sangue


a realidade mistura-se com o sonho


no caos das viagens


e na babel dos corpos

...

Maio 21, 2013

GARATUJA -  Escrito ou desenho malfeito. = GATAFUNHO, RABISCO; Careta, momice.



 


os poemas


e as suas pernas


são apenas garatujas


feitos com palavras


em papel de embrulho


rascunhos de sangue


na carne de peixes


em cujo mar nada


esboços negros


nas mãos suadas


da quietude


borrões de lágrimas


no silêncio nervoso


dos carros


mais leves

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