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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

C.

Março 29, 2015

Sonhei com um imenso pinhal. Envolto em nevoeiro. Com vulcões a expelir aromas e sabores de Primavera. Com árvores e dunas de ternura. Sonhei-te.

Tenho pena de pouco me lembrar dos sonhos. De certeza que este daria um maravilhoso poema sobre o carinho. É tudo tão pormenorizado. Há sensações que só nos sonhos me são possíveis: ver mulheres com os olhos em chamas, peles de água, dedos de luz e muitas coisas mais. Vejo-as com frequência, mas só a sonhar posso senti-las.

Sonhei que perfuravas o nevoeiro com um vestido de lírios. Que, furtiva, te aproximavas da minha imobilidade. Senti o teu perfume. Olhei, aparvalhado, para os teus gestos. Gestos hipnóticos.

Demos as mãos. Tudo se tornou lento. Só uma coisa foi rápida: o nevoeiro a desaparecer. Já não era no pinhal que estávamos, mas num parque de campismo. Largamo-nos e entre nós, do nada, nasceu uma crepitante fogueira que nos aquecia e te iluminava a nobreza da silhueta.

Seguravas uma orquídea que deixaste cair. Na ânsia de a apanharmos para não arruinarmos o momento – trapalhona – demos uma cabeçada um no outro. Depois de apanhares a orquídea, levantámo-nos, sorrimos e afastámo-nos ligeiramente um do outro; 5cm mais ou menos. Demos, outra vez, as mãos e, muito juntos, olhámo-nos fixamente. Já não estavas com o vestido de lírios, mas numa nudez a preto e branco que me deixou ofegante. Disse-te baixinho:

- Deixa-me beijar-te.

Sorriste levemente e respondeste:

- Viemos acampar juntos, não viemos?

Sim foi o que ouvi. Aproximei-me lentamente e quando os nossos lábios se tocaram senti, fora do sonho, um arrepio percorrer o meu corpo e no sonho vi uma explosão de alegria, promessas e mistérios.

Puxei-te pela mão e levei-te para dentro da tenda. Deitámo-nos por cima dum saco cama. Abraçámo-nos e o que aconteceu a seguir não me lembro, mas deve ter sido bom que acordei muito feliz.

...

Março 18, 2015

in «AVC do Amor»


 


XL


 


Como devem ter percebido, quando tive a sulipampa, morava com a Margarida. Não éramos ricos, mas vivíamos bem (não éramos pobres) e éramos felizes – que considerávamos ser o mais importante. A classe média diz sempre isto, mas eu acho mesmo verdade. Éramos e somos. De outra forma, claro, mas somos. Foi toda uma aprendizagem, mas hoje podemos dizer que somos felizes – eu, pelo menos, posso (e ela acho que também).


 



 

...

Março 18, 2015

in «AVC do Amor»


 


I


 


Não sei porquê, mas desconfio que este texto não vai longe e que nunca vai ver a luz do dia. Acho que só o meu suicídio lhe pode valer e não me vou matar para lhe dar sucesso. Outras coisas até o merecem, mas isto não. Por exemplo, morrer de amor. Já não se usa, mas o amor justifica um belo suicídio. De qualquer forma, vou escrevendo. Se eu não acabar, depois não digam que não avisei.


 



 

...

Março 18, 2015

as palavras que a rosa inventa com o sangue atingem o centro do mundo como pedras vulcânicas: surdos furacões vermelhos. estimulam a violenta explosão dos sentidos. excitam os dragões. criam invisibilidade com rochas e refrescantes fogos com água. produzem lagos de pele. caminham velozes para a lenta compreensão e deixam para trás a densidade do silêncio.

D.

Março 11, 2015

Eu e a D. fomos a nossa casa. Decidimos pedir comida e jantar por lá.

Devo ter algum fetiche com balcões de cozinha ou com fatos de treino. É impressionante o estado em que fico quando vejo a D. assim vestida a lavar a loiça. Se calhar o fetiche é com a D. A verdade é que fico louco de desejo.

Já durante o jantar a D. tinha-me enlouquecido fazendo algumas brincadeiras com a comida nos lábios. Nos dela e nos meus. Agarrou batatas fritas como se agarrasse em mim. Comeu como se me beijasse. Bebeu a mordiscar levemente a beira do copo como se fossem os meus lábios que mordia. Sempre com os olhos fixos nos meus. Provocava-me a cada pedaço. Desafiava-me. Quando falava arrastava a voz como que a gemer em vez de falar:

- Estás a deixar-me maluco. – Disse-lhe em tom de aviso.

- Porquê? – Respondeu e perguntou com o ar atrevido de quem sabe a resposta. Os dois carrapitos e o olhar sorridente intensificavam o ar afoito da D. e despertavam ainda mais a vontade que já tinha de fazer do corpo dela uma fonte cristalina onde eu pudesse mergulhar.

- Não sei. Estás bonita e a despertar o meu querer. Estás a estimular o meu sangue. Depois não te queixes.

- Queixar-me? Eu? – Respondeu com um provocante e falsamente tímido sorriso nos lábios.

Motivador.

Tínhamos lá ido para pintar a sala e já durante a tarde, sem saber e provavelmente sem querer, a D. tinha originado em mim um profundo anseio. O jantar estimulou-o e agora estava elevado a uma potência de infinito.

Mesmo que não queira, mesmo sem fazer nada por isso, a D. tem sobre mim um efeito arrepiante que não sei explicar, mas que me leva ao mais estimulante dos estados. Ao expoente máximo do apetite.

Quando acabamos de jantar, vê-la ao balcão, em fato de treino, somado com o que já tinha acontecido durante a refeição, soltou e inflamou todas as hormonas do meu corpo. Ou, pelo menos, a parte que controla os impulsos e os ímpetos.

Sem grandes alaridos, levantei-me e aproximei-me dela. Envolvi-a nos meus braços:

- Essa água a correr está a dar-me uma ideia – murmurei-lhe com pequenos toques dos lábios no pescoço.

- Que ideia? – Perguntou com a voz que sobrava ao ofegante movimento do corpo.

- Vamos tomar duche juntos.

- A ideia agrada-me muito, mas e a digestão?

- Se formos já não é um problema. Tu é que és a médica: devias saber estas coisas.

- Engraçadinho. Tens certeza?

- Tenho.

- Está bem. Já me convenceste. – Disse com voz sorridente.

Já na casa de banho fiquei a observar a sensualidade com que a D. se despia e a forma sugestiva que ela tinha de se dobrar e temperar a água.

Depois de entrar na banheira, a D. olhou-me com olhos brincalhões e convidativos e com um gesto dos ombros despidos perguntou-me se eu não ia. Confesso que estava paralisado com a sensualidade da sua nudez, mas lá me despi e juntei a ela.

Uma vez lá dentro, junto a ela e já com a água a cair-nos pelo corpo, as minhas mãos não paravam de explorar o brilho e a suavidade molhada da sua pele enquanto a beijava nos lábios. Êxtase. Total arrebatamento.

Com as mãos pedi-lhe que se virasse de costas para mim, que se dobrasse um pouco e que se equilibrasse com a ajuda da parede. Ela acedeu, virou-se e fez da parede uma almofada.

Por momentos, enquanto lhe puxava suavemente o cabelo e obrigava a que inclinasse a cabeça para trás, só os gemidos de ambos interrompiam o ritmado silêncio da água a cair e das nossas ancas a baterem uma na outra.

A D. interrompeu o movimento:

- Leva-me para o quarto. Leva-me para a cama.

Obedeci, peguei nela, levei-a para o quarto e deitei-a na cama: costas para baixo. Ela virou-se de imediato, deixando-me de joelhos entre as pernas dela. Eu, já consciente do desejo dela, coloquei-lhe as mãos na cintura e elevei-a ligeiramente até que ela estivesse ao meu nível.

Depois de algum tempo pediu-me que parasse:

- Espera!

- Que foi? ‘Tou a magoar-te? – Perguntei enquanto fazia o que me pedia.

- Não, não é nada disso.

- Então? Que se passa?

- Apressadinho. Já vês.

Levantou-se e pegou numa almofada que largou junto da cama. Ajoelhou-se em cima dela e dobrou-se sobre a cama. Olhou para mim, sorriu apenas com os olhos e disse:

- Assim!

Posicionei-me atrás dela e fiz o que me pediu. Agarrei-lhe as ancas para me ajudar aos movimentos e fiz amor com ela. Primeiro lentamente e depois com a velocidade dos furacões. Depois novamente muito lentamente.

Ao fim de algum tempo, pouco, esticou os braços para trás, elevou-os, virou as palmas das mãos para cima e disse-me:

- Agarra-me!

Fiz o que pediu e agarrei-lhe as mãos. Elevei-lhas um pouco: só o suficiente para a forçar a esticar os braços. Confesso que estava totalmente louco. A visão da sua pele e o reflexo de prazer da sua cara nas portas espelhadas do roupeiro, que tínhamos do outro lado da cama, estavam a dar comigo em doido.

Agarrei-lhe o cabelo e forcei-lhe a cabeça para trás. Depois daquilo, rapidamente explodimos ambos num arrepio imensamente gemido.

Deixei-me pousar sobre as costas dela e o prazer que nos percorria adormeceu-nos ali mesmo – de joelhos.

D.

Março 07, 2015

A D. é médica, trabalha em apoio domiciliário e vem quase todos os dias ao meu prédio. Há uns dias, ao descer as escadas, fiquei quase paralisado com a maravilhosa visão que tive. No fim das escadas, de costas, a chamar o elevador a D. – a iluminar as escadas e o caminho que tinha que fazer até ela.

Como já tínhamos trocado olhares, sorrisos e algumas palavras enchi-me de coragem e aproximei-me dela. Lentamente. Silenciosamente. Secretamente.

Abracei-a e ela, depois de alguma luta e de ver que era eu, fechou os olhos, relaxou o corpo e entregou-se aos meus braços. Os seus gestos iam-me dizendo o que fazer e disseram-me que queriam que a apertasse mais. Os meus braços acederam de imediato e apertaram ligeiramente mais.

Ao sentir que o meu corpo tremeu quando a apertei mais, gemeu baixinho. Agarrou as minhas mãos. Guiou-as. Pressionou-as contra ela. Colocou-as dentro da blusa. Agitação. Calor. Pele. As minhas mãos pareciam ter vida própria. Ofegantes, extasiadas, loucas de desejo percorriam e exploravam cada recanto que alcançavam.

Num movimento único, gesto contínuo, saí de dentro da blusa dela, segurei-lhe nas mãos e elevei-lhas até ela, com a ligeira inclinação do corpo, alcançar o topo da porta do elevador. Beijei-lhe o pescoço e sussurrei-lhe:

- Quero fazer amor contigo. Posso entrar em ti?

- Aqui? És doido?

- Sou. É o que me fazes. É como me deixas.

Fechou os olhos, fez um momento de silêncio e, com um lento aceno da cabeça, disse que sim e disse-me:

- No elevador. É mais discreto. Estamos mais à vontade.

- Sim, querida. Eu, por mim, estou contigo em qualquer lado. Se preferes: entramos.

Uma vez lá dentro, a D. carregou para o sétimo, mas, enquanto me beijava, enquanto me agarrava a cabeça, enquanto me afogava os lábios com os dela, parou o elevador entre o segundo e o terceiro andar.

Com as mãos nos meus ombros conduziu-me até ao chão, até me ajoelhar diante dela. Segurei-lhe nos tornozelos e subi as mãos pela parte de trás das pernas. Li, nos olhos dela, que desejava a minha boca. Com as mãos empurrei-a até mim e, depois de me esconder dentro da saia dela, lancei-me ao mar com a mesma ânsia que um bando de leões na hora de comer.

O pouco espaço, o risco, os gemidos da D. e a força que fazia na minha cabeça elevavam o desejo e rapidamente a fizeram levantar-me e dizer-me:

- Quero-te agora! Faz amor comigo!

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