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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

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>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

Atrás da Porta - 7

Setembro 22, 2018

Uma partida de King é composta por vários jogos. Ainda estavam no terceiro jogo da primeira partida quando um súbito, ruidoso e arrepiante estrondo – algo que lhes pareceu um tiro ou uma explosão – sobressaltou, arrepiou e gelou os quatro amigos. Primeiro petrificaram e, logo de seguida, correram – atropelando-se como se fossem crianças a correr para uma carrinha de gelados, saltando cadeiras e tudo o que lhes fizesse frente –, acumularam-se imprudentemente a uma janela – que, com um veloz e forte safanão, o Hugo libertara da mesinha colocada por baixo – e espreitaram, a tentar perceber o que tinha acontecido.

Atrás da Porta - 6

Setembro 21, 2018

O Hugo dava a cada um dos quartos o nome de uma cor e toda a sua decoração andava à volta dessa cor. Havia o Quarto Lilás, o Quarto Azul e o Quarto Rosa; ao entrar em cada um deles, percebia-se, de imediato, o porquê do nome. Como em tudo o resto, também nisso era uma pessoa organizada, meticulosa, focada e de extrema sensibilidade – tudo o que não envolvesse outras pessoas.

Para o Rui, o segredo da porta devia estar relacionado com sexo e, em redor disso, inventava as teorias mais obscuras que se podem imaginar. Algumas levavam mesmo os outros dois a pensar se o amigo não teria, ele próprio, um problema qualquer. Para o Pedro e para o Tiago era alguma coisa mais ligada ao plano social, para o qual o Hugo sempre revelara alguma inaptidão que ele disfarçava com uma extroversão, que quem o conhecia bem sabia que ele não tinha, mas na qual fingiam acreditar.

Atrás da Porta - 5

Setembro 20, 2018

A mesa de jogo estava no meio da sala e arrumada de tal forma que, qualquer um dos quatro, podia ver a escada com corrimão em ferro forjado que levava ao segundo andar, onde o Hugo tinha três quartos, um WC e uma outra porta, que despertava nos outros uma enorme curiosidade. Tinham sido instruídos a nunca abrir aquela porta e respeitavam isso sem fazer perguntas, mas não evitavam falar do tema entre eles. Tinham já criado as histórias mais inacreditáveis sobre o que estaria para lá daquela porta.

Atrás da Porta - 4

Setembro 19, 2018

Os amigos estavam a jogar a dinheiro e com um sistema de pontuação, inventado por eles, que permitia que cada um dos três derrotados não perdesse mais que vinte euros por noite. Eram todos jovens, licenciados e com trabalhos estáveis, mas intelectualmente muito exigentes. A noite da jogatana era mais para descomprimir e beber umas cervejas do que outra coisa. Menos para o Rui, que levava aquela noite muito a sério. Tanto que, certa vez, deixou de comemorar o aniversário de namoro para poder estar com os amigos. “Namoradas há muitas!”, dizia ele. Para o Rui havia mesmo. A pele morena, os olhos águas-marinhas e a sublime habilidade para a sedução (e para a mentira – que ele usava com mestria) asseguravam-se disso.

Atrás da Porta - 3

Setembro 18, 2018

Dentro de casa, no entanto, o ambiente era bastante agradável. A sala, onde estavam a jogar, tinha uma lareira, que, apesar de ser quase Verão, o Hugo tinha acendido e que, para além de aquecer o ar, brincava com o próprio reflexo, libertando pequenos barcos de luz que navegavam por toda a sala, embelezando-a. A escassa luz que a chuva permitia entrava por uma janela, desviando as coloridas e listradas cortinas, que a tingiam e usavam para fazer pinturas surrealistas por toda a sala.

Atrás da Porta - 2

Setembro 16, 2018

No exterior, o vento sibilava e feria os lábios a todos os que se atreviam enfrentá-lo. Varria, com violência, as folhas que repousavam na relva – levantava-as num remoinho e só as largava vários metros depois. Ouvia-se a chuva a chocar ferozmente contra o chão. Nem uma sombra se atrevia a passear. Treva imensa, só a espaços interrompida pela intensa claridade dos relâmpagos que, por vezes, rasgavam o céu e usavam as cercas vivas de murta, que separavam as casas e os jardins de cada uma, para projetar no solo figuras fantasmagóricas que pareciam mexer-se.

Atrás da Porta - 1

Setembro 14, 2018

Na cidade, naquela altura, já as noites costumavam ser mais silenciosas, mais claras e a pegarem-se mais ao corpo. Até a iluminação pública tinha falhado. A rua e os jardins, iluminados apenas pela luz que sobrava ao interior das casas, provocavam até o mais corajoso.

Como era hábito, na primeira segunda-feira de cada mês, os quatro amigos estavam a jogar King ao redor da mesa quadrada com tampo forrado a veludo verde que o Hugo só usava naquelas noites.

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