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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

Asa

Agosto 15, 2025

eu via-a. a Asa. desenhada no ar, uma asa, mas de carne. a pele, um campo onde tudo podia nascer e nascia. ela tirou a blusa. eu não olhava os volumosos seios. não.

olhava o ventre. o ventre que se abria. não em cicatriz, mas em lábios. lábios húmidos e finos que se desenhavam de cada vez que respirava.

eu estendi a mão. quis tocar. eles, os lábios, abriram-se mais. falaram-me. sussurravam o meu nome.

Asa. Eu.

a mão tremia. toquei-a. e a minha mão afundou-se. a minha mão, os dedos, o pulso, afundaram-se naquele orifício que era ventre.

havia sangue. havia suor. e o meu nome. o meu nome que era agora uma semente plantada lá dentro. e eu a crescer em Asa. a desabrochar. a rasgar-lhe o corpo em flores de carne.

...

Agosto 13, 2025

não há rima no suor.

não há métrica no gemido.

há carne.

há urgência.

e um silêncio depois,

que também não se escreve.

...

Agosto 13, 2025

ensina-me o abismo simples:
o teu riso encostado ao meu dente,
a tua respiração a medir os quartos,
um lençol revolto – cartografia bruta

#68

Agosto 13, 2025


há um certo prazer em ver uma instrução cumprida.

é a sensação de que o mundo, por um momento, fez sentido.
alguém ouviu. entendeu. fez.
sem atalhos, sem desculpas, sem o “depois vejo” que nunca chega.

há um gosto nisso, como alinhar um quadro torto ou fechar uma porta que batia.
uma paz breve mas inteira.
cumprir uma instrução é mais do que executar - é reconhecer o valor da palavra dada,
é provar que o compromisso não ficou perdido no ar.

e não importa se é algo pequeno.
porque, nesse instante, não há dúvida nem espera:
o que foi dito, foi feito.
e isso, para quem sabe o peso das promessas quebradas, é quase luxo.

 

e é físico.

carne mais que poesia

Agosto 12, 2025

carne, mais que poesia é o que me deixas na boca quando partes - um sabor a sal, a febre, a um sangue que nunca se escreve.

a tua pele, alfabeto que leio com a língua, não cabe em nenhum poema. há gemidos que não rimam, há espasmos que não se declamam.

o desejo não quer metáforas. quer o suor entre os lençóis, o som da tua respiração a falhar, a curva do teu ventre onde a minha fome se deita.

há noites em que te invento com os dedos, como quem escreve um corpo num papel húmido de ausência.

e quando a poesia tenta fingir que basta, o meu corpo ri - porque sabe que só a carne é verdadeira.

#67

Agosto 11, 2025

há poucas coisas que me irritem tanto.
uma promessa que nasce morta.
se é para não fazer, não digas que vais fazer.
gesto vazio. cruel.
veste de esperança algo que nunca vai sair do papel.
a esperança é frágil.
quando se solta a palavra, cria-se um pacto invisível.
quebrando-o, não partes só o acordo.
partes a confiança.
dizer só para ficar bem.
para evitar o silêncio. para ganhar um sorriso rápido.
é dar um presente embrulhado com nada lá dentro.
papel bonito. vazio a ecoar por dentro.
promessas não são moedas para comprar momentos.
são compromissos.
e, quando não se cumprem, deixam um gosto amargo.
um gosto que não se esquece.
prefiro o silêncio honesto à palavra fácil que nunca se cumpre.

 

#66

Agosto 10, 2025

há domingos em que o tempo parece escorrer devagar demais, como se cada segundo se alongasse para um infinito sem graça e sem cor. os minutos passam e a casa fica demasiado silenciosa para não se ouvir o vazio a crescer no peito. as horas escorrem pelas paredes e a mente vagueia à procura de algo que acabe com aquela sensação pesada de nada por fazer. as rotinas repetem-se e tudo parece igual. até o relógio perde o ritmo e o tédio instala-se como um visitante insistente que se recusa a partir, sem convites nem despedidas. nesses dias, o silêncio não é paz, mas um eco incansável da solidão que se arrasta sem pressa, até a noite chegar e levar consigo mais um domingo perdido entre suspiros e esperas.

e sem ela tudo é mais lento.

 

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As mensagens são privadas e, se usarem dados fictícios, totalmente anónimas.

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