...
Setembro 24, 2025
há um murmúrio de astros na tua boca
e eu bebo-te como quem se afoga num céu sem fundo
sem querer voltar à superfície
Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]
Setembro 24, 2025
há um murmúrio de astros na tua boca
e eu bebo-te como quem se afoga num céu sem fundo
sem querer voltar à superfície
Setembro 23, 2025
há desejos que não cabem no silêncio.
eles ardem como se fossem feitos de febre,
um incêndio que não pede licença para nascer.
a intensidade não é sempre grito — às vezes é tremor,
um pulsar escondido que percorre o corpo
e insiste em não se deixar domar.
o desejo, quando chega assim,
não aceita medidas ou metades.
pede tudo: pele, tempo, pensamento.
e mesmo quando se tenta negar,
fica a marca, como brasas de um fogo apagado
que ainda guardam calor.
há quem fuja dessa força,
há quem a procure como quem procura ar.
porque viver com intensidade é arriscar-se a cair,
mas também é a única forma de sentir inteiro.
no fundo, o desejo não é só querer —
é o peso e a leveza de existir em chama.
Setembro 21, 2025
há um silêncio que me desfolha lentamente
como se fosses tu a passar os dedos pelas minhas margens
e eu fosse um livro esquecido numa estante de sombras
o corpo — esse lugar onde a luz se extingue —
abre-se como uma flor que só respira ausência
e tu entras, sem pedir, como o vento que sabe todas as janelas
há um murmúrio de astros na tua boca
e eu bebo-te como quem se afoga num céu sem fundo
sem querer voltar à superfície
a pele aprende o idioma da penumbra
e cada gesto teu é uma constelação que me redesenha
como se eu nunca tivesse sido antes de ti
entrego-me inteiro
como quem se despe para desaparecer
como quem se dissolve no sal de um mar que não tem nome
e tudo o que resta é este lume
lento
a arder no centro do que já não sou
mas que ainda te espera
Setembro 03, 2025
o frio húmido da ferrugem encosta-se à pele
— lentamente, a noite afaga-me os pulsos
no chão embaciado onde morrem as vozes