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Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

...

Março 18, 2015

in «AVC do Amor»


 


XL


 


Como devem ter percebido, quando tive a sulipampa, morava com a Margarida. Não éramos ricos, mas vivíamos bem (não éramos pobres) e éramos felizes – que considerávamos ser o mais importante. A classe média diz sempre isto, mas eu acho mesmo verdade. Éramos e somos. De outra forma, claro, mas somos. Foi toda uma aprendizagem, mas hoje podemos dizer que somos felizes – eu, pelo menos, posso (e ela acho que também).


 



Claro que a maldita impede algumas coisas que contribuem para a satisfação, mas, com o tempo, aprendemos a ser felizes com outras e com o que temos (outra banalidade da classe média que, pelo menos, numa coisa tem razão: a felicidade está fechada em casa: no amor à família). Ou, por outras palavras, como a grande maioria dos casais (pelo menos nisso somos iguais), acostumámo-nos. Nisso podemos ser iguais aos outros, mas há coisas em que somos muito diferentes: uma delas, uma das que mais gosto, é falarmos (ou comunicarmos, que eu, agora, pouco falo) imenso. Mesmo com as minhas limitações, provavelmente, falamos mais que alguns casais. Muito por culpa da Margarida – uma tagarela que, felizmente e para nosso bem, nunca se cala.


Tivemos (eu e a Margarida) que aprender a substituir algumas coisas. Uma das coisas que nos resta é “apenas” o sorriso – o da Margarida é muito bonito. O meu é raro (não porque eu queira, mas porque o AVC quis) e, por ser raro, é também valioso, mas o dela é muito sublime.


O nosso grande e, até hoje, bem guardado segredo (ainda segredo) é não procurar ter mais felicidade que a que temos. Quando se é feliz com o que já se tem, a própria da felicidade aumenta muito: garanto.


Apesar da minha, ainda, curta existência, já tenho a memória muito cheia de boas recordações. A Margarida encarregou-se de tratar disso. No entanto, no meio da inundação, ela tinha encontrado uma canoa, navegava entre as flores e tinha reservado (eu tinha, aliás) para ela o cantinho mais bonito. Isso chegava-nos. Isso e mais umas coisas que não são para aqui chamadas.


A felicidade suprema, para nós, estava na liberdade que tínhamos para escolher o que nos fazia bem. Liberdade era alegria e vice-versa.


O que nos fazia tão felizes era não termos a felicidade como objetivo, mas como modo de vida. Sem nunca magoar e desde que não atropelássemos ninguém entre a alegria e outro sentimento qualquer escolhíamos sempre a alegria. E fazíamos disso filosofia. Não caminhar para, caminhar com. Simples.


Uma das coisas que mais gostava na Margarida era ela não se vingar de ninguém. A vingança exige tempo e ela não o gastava com quem lhe fazia mal. Isso unia-nos e fazia-me feliz. E o que me faz feliz alegra-nos aos dois. Havia, como é óbvio, muitas outras como, por exemplo, não haver, para ela, barreiras que não pudessem ser ultrapassadas pelo amor. No entanto, era o ela achar a vingança uma perda de tempo que mais contribuía para a nossa felicidade.



 

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