#66
Agosto 10, 2025
há domingos em que o tempo parece escorrer devagar demais, como se cada segundo se alongasse para um infinito sem graça e sem cor. os minutos passam e a casa fica demasiado silenciosa para não se ouvir o vazio a crescer no peito. as horas escorrem pelas paredes e a mente vagueia à procura de algo que acabe com aquela sensação pesada de nada por fazer. as rotinas repetem-se e tudo parece igual. até o relógio perde o ritmo e o tédio instala-se como um visitante insistente que se recusa a partir, sem convites nem despedidas. nesses dias, o silêncio não é paz, mas um eco incansável da solidão que se arrasta sem pressa, até a noite chegar e levar consigo mais um domingo perdido entre suspiros e esperas.
e sem ela tudo é mais lento.