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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

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Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

...

Outubro 25, 2011

Querida C.,


 


É estranho quando lemos a primeira palavra e sabemos de imediato que todo o texto nos é dirigido. Li hoje a tua carta. Estranhei a tua mensagem de despedida e, mais ainda, a prolongada ausência. Compreendo, agora, com a tua carta, todos os avisos que durante estes dias tenho sentido. Sabes C.?, a alma também são estes pressentimentos e ela, a alma, não pode nunca estar enegrecida. Talvez possa, por vezes, estar coberta com um manto sombrio de dúvidas ou razões, mas enegrecida não. A alma é a única luz que nunca se apaga, deverias por isso acreditar na nossa amizade todos os dias e não apenas hoje. A regularidade não significa nada, duas pétalas da mesma flor, mesmo quando guardadas entre as páginas de diferentes livros, serão sempre duas pétalas da mesma flor.


 


Por isso te digo, querida amiga, a tua alma não está, nem nunca esteve enegrecida, a tua alma está envolvida em dúvidas, está sufocada pela razão e talvez também pela falta dela. Dizes que dificilmente voltarás a acreditar no amor, que te apetecia dizer que nunca mais acreditarás no amor, pergunto-te, não será também o amor, esse acorrentar da alma à razão quando outros valores se erguem? Se assim for, essa sobreposição de que falas, não será também amar? E como poderá alguém deixar de acreditar no amor e amar ao mesmo tempo?


 


Tu não precisas de quem te ensine o que é o amor. Também não precisas de mudar a ideia que tens do amor. Amor é o que tu sentes, não é o que pensas dele e muito menos o que te possam ensinar sobre ele. As opções de vida que referes, são de certeza uma outra forma de amar. Talvez sejam apenas uma forma de amor para a qual não estás ainda totalmente sensível. Apesar disso, não podemos misturar o que sentimos por esta ou aquela pessoa com o verdadeiro significado do amor. As pessoas existem, o que sentimos por elas também, o verdadeiro significado do amor não.


 


Vivemos numa balança. Num dos pratos, algo que ninguém sabe quanto pesa, no outro, tudo aquilo que somos, tudo aquilo que sentimos e tudo aquilo que nos rodeia. O resultado, deverá ser um equilíbrio natural. Um equilíbrio, reconheço, muitas vezes difícil de conseguir, já que não conhecemos o peso que força um dos pratos. Por isso, temos que jogar com o prato que conhecemos. Não é fácil, ter que aumentar ou diminuir o peso desse prato até equilibrarmos a balança. Não é fácil, as pessoas existem, o que sentimos por elas também, o verdadeiro significado do amor não. Não é fácil, mas o importante é o equilíbrio. O importante é amares as opções que tomas e decidires sempre pelo teu equilíbrio. O importante és tu.


 


Um beijo de um amigo que chorará sempre cada uma das tuas lágrimas. Um beijo de um amigo que sempre se alegrará com cada um dos teus sorrisos.


 

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