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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

ESPERANÇA

Janeiro 21, 2023

como rastilho de luz e ternura

cada palavra acende de novo

o sol no sangue

e nelas há uma boca que me beija

 

talvez isto seja a tão falada eternidade

ou talvez seja apenas o teu jeito ou o teu gracejo

é certamente alegria

e depressa me inundou com novos motivos

 

um dia beijarei os versos e beberei o sol

farei da fonte rosada almofada do meu desejo

e irei desenhar o mar no teu ventre despido

 

dos teus olhos deslizam a plenitude e os rios

como navios transparentes

– à espera estarão os meus lábios

3

Janeiro 20, 2023

cidade, mas também as únicas palavras que me dançam dentro. palavras com boca. palavras nuas. por vezes, palavras impenetráveis. outras vezes, palavras de claridade ou água. sempre de carne. quando estou na barrenta fronteira para o silêncio, é a tua voz de vidro a manter-me na superfície e a restaurar a alegria. são rumores terrenos de calor cósmico. pontes. oiço-as e é como se descobrisse o mar. é como se descobrisse o encanto do mundo. é como se viessem de um paraíso distante, uma onda as elevasse e se espraiassem no meu corpo.

SILÊNCIO

Janeiro 20, 2023

a cada minuto uma hora lenta que teima

e uma dolorosa manta de silêncio em cada um

 

sufoca cada beijo imaginado

como as cordas enroladas nos pés

AUSÊNCIA

Janeiro 19, 2023

anoitece como se as estrelas caíssem

e os relâmpagos se apagassem sem trovões

como se nas veias me corresse ácido

e tudo se perdesse nos meus olhos

 

nem o brilho cristalizado pelo desejo

nem a angelical imobilidade dos lábios entreabertos

ou a memória das mãos no corpo

protegem da insónia e atenuam a ausência

 

apenas tento o sono depois de gritar o teu nome

sobressalto ou inquietação

tortura de pensar

 

silêncio

silêncio

angústia

 

ANASTASIIA

Janeiro 17, 2023

as palavras mais bonitas nascem-lhe nos olhos

como se fossem pétalas a soltarem-se da mãe

ou água a descer por rochas verdes e brilhantes

 

sonho deslizar-lhe um dia pela rigorosa curva

ou pela silhueta vermelha que sei existir-lhe

porque oiço a ousada adolescência quando fala

 

o seu aroma хвилясте transporta-me ao mar

eleva o desejo à longa potência do horizonte

desenrolando-lhe a nobreza da pele nos meus olhos

e sendo altar ou santuário ou templo da juventude

 

se lhe escrevo é porque me inspira pura voz e sorriso

é porque sobre o silêncio das aves cai o seu esplendor

é porque a sua ausência derrama insuportável ácido

é porque das palavras nasce um dos gemidos em que amo

 

2

Agosto 01, 2022

és linda. desconfio que nem sabes o quanto. amo os corredores que abres no meu corpo e os rios de cristal que te correm entre os lábios – que te navegam entre os lábios como navios leves. o teu fulgurante sorriso é uma cidade acordada. acesa. uma cidade que flutua na tua voz. uma cidade de desejo com telhados de furor e ruas abertas entre a tranquilidade e o vermelho. uma cidade que, em cada janela, tem uma mulher que canta e bebe mel entre cada estrofe, onde, em cada janela, há uma manta estendida a indicar que é aquela a morada do sol. uma cidade com dez fábricas de ternura.

1

Junho 30, 2022

pressinto em ti o sabor cintilante, talvez porque a tua boca me lembre o vigor do fogo ou nos teus olhos habite o fulgor magnético de um sorriso.

já é noite.

instalas-te como se aqui estivesses, como se as tuas mãos mornas me tocassem na memória. descobrem os motivos do amor. fogem. deixam o lume.

pressinto a tua respiração e a tua nudez. pressinto a brandura das pérolas.

pressinto o doce e ávido enleio dos caules. o ritmado interromper do silêncio noturno pela carne e a explosão das lágrimas.

adivinho a ternura e o arrepio.

Solidão

Dezembro 17, 2021

faltam-me as palavras para descrever o peso de alguns silêncios. para explicar o aperto invisível do ar no meu corpo. 

o infinito cresce sem regras e sobra sempre tanto. só a recordação sabe sorrir. mesmo ela desvanece e vai acabar por me abandonar ao vazio. se, primeiro, não me levar aos jardins de fogo onde reinam as sombras. 

Nick Cave. lentamente. é isso. no ar, como se os acordes fossem amantes. como se estivessem despidos. a solidão é um paradoxo. uma grande folha em branco e nunca estamos sós em frente a uma.

 

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