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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

talvez não o saibas...

Janeiro 05, 2021

talvez não o saibas, mas encontrei em ti a fórmula que transforma toques dos dedos em pólvora, iluminaste a húmida escuridão das grutas e incendiaste os galhos mortos que havia no meu caminho. talvez não o saibas, mas com os teus braços abraço o mundo inteiro.

nem a maciez rígida das tuas pernas...

Dezembro 29, 2020

nem a maciez rígida das tuas pernas, nem o fresco e azul calor que delas provinha, me prepararam para o misterioso trovão nas minhas costas, provocado pelo nervo da tua virilha a contrair-se na minha mão. depois, desviei a ternura e deixei que os meus dedos te bebessem. arqueaste o corpo. rodeava-nos um azul e frágil silêncio. nesse momento, enquanto bebia na fonte de rosas, estava a beijar-te e senti que engoliste um gemido.

na nossa pele havia ondas.

ondas de fogo e sangue, vertiginosas.

as tuas ancas doces

intimidavam o tempo com o desejo e deslizavam-me nas mãos.  rodei e deixei-me tombar sobre o teu corpo. as tuas mãos exploravam e pressionavam as minhas costas.

és uma gatinha malcomportada...

Dezembro 27, 2020

- és uma gatinha malcomportada, tens que ser castigada. sabes que se eu te cortar a jugular morres em três ou quatro segundos? se eu – a minha mão direita abandonou a exploração que estava a fazer dos teus pelos púbicos, deslizou na tua pele e alojou-se no teu coração -, no entanto, te esfaquear aqui a morte é imediata e indolor. eu preferia golpear-te na barriga. talvez nem morresses e eu pudesse deliciar-me com a tua expressão de dor e com o contorcer do teu corpo comigo dentro dele.

.

Dezembro 22, 2020

as ondas marcavam o ritmo do corpo. o ritmo do nosso amor. os teus lábios despertavam arrepios em partes que eu não sabia ter. eu mordia, chupava e saboreava as cerejas. segurava-te os braços contra a areia. forçava-te a unir as mãos sobre a cabeça e mantinha-as algemadas com o meu desejo. naquela posição, quando arqueavas de prazer, os teus seios quase rasgavam a camisa e erguiam-se para a noite como que implorando ar.

.

Dezembro 20, 2020

tínhamos procurado o refúgio noturno da praia. fabricávamos o azul. as minhas mãos alternavam entre as cerejas e o muito húmido mar. estávamos tão juntos. entre nós só cabiam a ternura noturna e o azul. e o vermelho. a confusão dos corpos e o ardor do mar. por vezes, o rumor ou a explosão.
a noite estava plena de lua, os seus braços estendiam-se até ao teu rosto e acariciavam-no, abrilhantando-o com reflexos de prata. o teu rosto sob a lua. fulgurante. claro.
as mãos e as vertigens.
a pele.
lembras-te de como as tuas mãos derramavam desejo?
lembras-te de como as tuas mãos derramavam desejo?
sentia-me mais bonito nas tuas mãos. ainda sinto. máquinas do tempo. viajavam-me nas costas imitando uma fera enjaulada, repetindo incansavelmente o percurso entre cada ombro. só o calor do teu corpo tornava real o momento. tudo o resto me parecia sonho: as cerejas no teu corpo; as estrelas refletidas no teu sorriso; as serpentinas azuis; a textura das tuas pernas.
pensávamos ser ilha.

.

Dezembro 18, 2020

quase conseguíamos tocar na areia, esbranquiçada pela geada. eram quase cinco horas que, naquela altura do ano, está ainda longe da aurora. açodados pelo desejo, não demorámos nem cinco minutos a estarmos deitados e colados. os meus lábios colados nos teus. as minhas mãos coladas no teu corpo. dentro do teu casaco. dentro da tua camisa. a explorarem com avidez tudo o que se lhes apresentava: o teu ventre que o mar alisara; o teu peito que o Sol desenhara. por vezes, em total desgoverno, subia uma das mãos até sair pela tua gola, acariciava-te o pescoço, humedecia os dedos na tua boca e voltava com eles, agora tocados pela tua língua, aos teus mamilos.

.

Dezembro 16, 2020

eu não sabia que amava. sabia que eras como um ninho, um refúgio quente e protetor, um lar para as minhas mãos confusas. perdoa-me, eu não sabia que amava. não sabia ser amor a flor que te via nadar na boca sempre que dizias o meu nome. ou a forma como a minha vida sorria quando vinhas. não estava escrito. nunca comi pão duro. nem quando me choviam facas nos ombros. felizmente não me alimento de passado. porém, hoje, canto o pretérito mais que perfeito.

.

Dezembro 16, 2020

antes carros de corrida, depois vísceras lentas e o medo de embarcar. no pinhal, na base das árvores, hipnotizantes e prateados, os escaravelhos andavam em círculos e lançavam-me afiados feitiços, espetros esgargalados de ti. a envenenarem lentamente o meu corpo desassossegado. na praia eram as vagas.

sempre que a noite nos juntava, do nosso cabelo soltava-se um nervoso fumo branco, como se pequenos barcos a vapor por ele navegassem, indicando a temperatura do nosso corpo.

e também crepúsculos ou auroras. no mesmo ou em outro pinhal, com a mansidão e o silêncio ritmicamente interrompido por animais invisíveis. debaixo de uma ponte, nas margens de um rio apressado. em dunas. alpendres. jardins e muros de casas vazias. em muralhas.

era a descoberta. a idade dos primeiros.

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