Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

.

Dezembro 17, 2020

beijo a boca de cada palavra

para suprir

e entre elas a nudez

ou delírios

animais selvagens

e rosas azuis

alucinações do desejo.

 

poemas.

no corpo.

no escorregar

de cada mão.

versos nos teus lábios.

.

Dezembro 16, 2020

eu não sabia que amava. sabia que eras como um ninho, um refúgio quente e protetor, um lar para as minhas mãos confusas. perdoa-me, eu não sabia que amava. não sabia ser amor a flor que te via nadar na boca sempre que dizias o meu nome. ou a forma como a minha vida sorria quando vinhas. não estava escrito. nunca comi pão duro. nem quando me choviam facas nos ombros. felizmente não me alimento de passado. porém, hoje, canto o pretérito mais que perfeito.

.

Dezembro 16, 2020

antes carros de corrida, depois vísceras lentas e o medo de embarcar. no pinhal, na base das árvores, hipnotizantes e prateados, os escaravelhos andavam em círculos e lançavam-me afiados feitiços, espetros esgargalados de ti. a envenenarem lentamente o meu corpo desassossegado. na praia eram as vagas.

sempre que a noite nos juntava, do nosso cabelo soltava-se um nervoso fumo branco, como se pequenos barcos a vapor por ele navegassem, indicando a temperatura do nosso corpo.

e também crepúsculos ou auroras. no mesmo ou em outro pinhal, com a mansidão e o silêncio ritmicamente interrompido por animais invisíveis. debaixo de uma ponte, nas margens de um rio apressado. em dunas. alpendres. jardins e muros de casas vazias. em muralhas.

era a descoberta. a idade dos primeiros.

.

Dezembro 14, 2020

já não sei o porquê de a terra dar voltas e voltas ao sol, mas sei que a podes parar. sei que te basta fechar os olhos e suster a respiração para parar o infinito e aproximar céus sempre distantes. amo-te. quer dizer: amo-te. sei saberes congelar tudo com um ligeiro e misterioso levantar do lábio ao canto da boca. com um ténue sorriso.

.

Dezembro 13, 2020

melhores ou piores, vestidas ou nuas, cada uma das palavras por mim escritas é amor e tu estás em todas elas. tenho saudades de ter vontade de chorar quando te beijava. tenho saudades dessa exaltação que me assaltava. tenho saudades de tremer e de esperar por ti. tenho saudades de não ter saudades.

.

Dezembro 12, 2020

A aurora não era apenas o separador entre as noites e os dias. O vertical nascer. A alvorada de feirantes e outros trabalhadores madrugadores. Era também o momento em que os nossos lábios abandonavam a feroz luta noturna e se juntavam à meiga e melódica exaustão dos corpos, era também o momento de intenso sossego que sucedia o enérgico serpentear, era o momento de dar alguma paz à sôfrega adolescência.

Era o momento do Sol, tímido, acabado de lançar a primeira luz, sussurrar-nos o adiantado da hora e trazer algum calor atmosférico ao calor gerado pelo atrito da pele de cada um nas mãos do outro. 

Naquele momento, era como se eu estivesse em casa, sentado à mesa, a comer uma quente e confortável canja de galinha caseira, porque te tinha nos olhos e o Sol nascia. Lentidão, calor, aconchego. Estar nos teus braços era voltar ao útero da minha mãe e ter-te nos meus era como segurar nas mãos um pequeno pássaro caído do ninho.

As auroras já não eram uma surpresa, sincronizavam a nossa respiração e faziam-te mais azul.

.

Dezembro 10, 2020

olho o mar: cada onda me recorda a primavera, arqueada na tua pele. o branco: a rebelião no teu grito, a avidez dos dedos a penetrarem a juventude. o azul: sereno, infindável, forte. a recordação da tua voz.

o persistente e fresco perfume, deixado pelo sal e pelos teus olhos fechados, era o hálito do nosso desejo. a fagulha. o princípio do fogo, o início do infinito. o lume no nosso sangue. momentos cálidos em que os gestos de cada um eram os gestos do outro e, outra vez, o mar. agora, nos teus dedos.

o amor era urgente e tu eras urgente. era urgente a certeza da incerteza e, outra vez, o mar. dos dedos aos lábios.

.

Dezembro 07, 2020

acordei para o sonho. ao meu redor: de novo ternura. passei a noite com ela nos lábios – e na boca – e na pele. o dia já se faz de Sol. de calor. ela é o dia. a manhã fresca. ela é o meu desconforme: a desproporcionada largura que as palavras me permitem. de noite faço do seu sono o meu abrigo. resguardo dos meus desejos. estou sedento e bebo as manhãs que nascem com ela: na claridade do seu corpo despido. mesmo adormecida, faz amor com os caminhos tortuosos da minha mente, com um relâmpago imaginado no corpo já contorcido pelo orgasmo. olho-a e sei que existe a palavra certa, mas tenho apenas o infinito para ela e pode ser pouco: tenho medo.

Não Posso Adiar o Amor

Dezembro 02, 2020

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o rneu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

António Ramos Rosa, in "Viagem Através de uma Nebulosa"

Mensagens

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2010
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2009
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2008
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2007
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2006
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2005
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2004
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2003
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2002
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D

Autores