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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

.

Dezembro 22, 2020

as ondas marcavam o ritmo do corpo. o ritmo do nosso amor. os teus lábios despertavam arrepios em partes que eu não sabia ter. eu mordia, chupava e saboreava as cerejas. segurava-te os braços contra a areia. forçava-te a unir as mãos sobre a cabeça e mantinha-as algemadas com o meu desejo. naquela posição, quando arqueavas de prazer, os teus seios quase rasgavam a camisa e erguiam-se para a noite como que implorando ar.

.

Dezembro 20, 2020

tínhamos procurado o refúgio noturno da praia. fabricávamos o azul. as minhas mãos alternavam entre as cerejas e o muito húmido mar. estávamos tão juntos. entre nós só cabiam a ternura noturna e o azul. e o vermelho. a confusão dos corpos e o ardor do mar. por vezes, o rumor ou a explosão.
a noite estava plena de lua, os seus braços estendiam-se até ao teu rosto e acariciavam-no, abrilhantando-o com reflexos de prata. o teu rosto sob a lua. fulgurante. claro.
as mãos e as vertigens.
a pele.
lembras-te de como as tuas mãos derramavam desejo?
lembras-te de como as tuas mãos derramavam desejo?
sentia-me mais bonito nas tuas mãos. ainda sinto. máquinas do tempo. viajavam-me nas costas imitando uma fera enjaulada, repetindo incansavelmente o percurso entre cada ombro. só o calor do teu corpo tornava real o momento. tudo o resto me parecia sonho: as cerejas no teu corpo; as estrelas refletidas no teu sorriso; as serpentinas azuis; a textura das tuas pernas.
pensávamos ser ilha.

.

Dezembro 18, 2020

quase conseguíamos tocar na areia, esbranquiçada pela geada. eram quase cinco horas que, naquela altura do ano, está ainda longe da aurora. açodados pelo desejo, não demorámos nem cinco minutos a estarmos deitados e colados. os meus lábios colados nos teus. as minhas mãos coladas no teu corpo. dentro do teu casaco. dentro da tua camisa. a explorarem com avidez tudo o que se lhes apresentava: o teu ventre que o mar alisara; o teu peito que o Sol desenhara. por vezes, em total desgoverno, subia uma das mãos até sair pela tua gola, acariciava-te o pescoço, humedecia os dedos na tua boca e voltava com eles, agora tocados pela tua língua, aos teus mamilos.

.

Dezembro 17, 2020

beijo a boca de cada palavra

para suprir

e entre elas a nudez

ou delírios

animais selvagens

e rosas azuis

alucinações do desejo.

 

poemas.

no corpo.

no escorregar

de cada mão.

versos nos teus lábios.

.

Dezembro 14, 2020

penso a tua nudez

todos os minutos

penso o vulcão

e a lava

que desliza pelo corpo

até se aninhar

na cintura

e trazer chamas

ao ventre

ou fogueiras

às pernas

entreabertas

.

Dezembro 13, 2020

abro-te

lentamente

o silêncio

penetro secretamente

os gritos

com agitada arritmia

beijo os troncos

os sinais

e os vales

escalo

demoradamente

as pérolas

tapo-te a pele

com os meus arrepios

.

Dezembro 13, 2020

cruzaste os braços e agarraste na t-shirt pela bainha. tiraste-a pela cabeça. devagar. ventre. peito. ombros. despiste a t-shirt e vestiste o fulgor. sorríamos. no meu corpo a febre e o tremor. no teu as minhas mãos.

.

Dezembro 11, 2020

reconheço o mar

nos teus ombros

e a geometria

nos teus lábios

 

reconheço as estrelas

nos teus olhos

quando com eles

te ris

 

sei que tens rios

no lugar das veias

por ser claro o abraço

 

é impraticável

esconderes a água

quando mergulho

.

Dezembro 11, 2020

o alpendre era-nos cada vez mais pequeno e nem as lajes vermelhas, onde nos deitávamos, conseguiam dissipar o calor por nós emanado. as marcas de suor no chão eram evidentes. o teu corpo era o mistério que a maresia completava; era como água que eu aprisionava na boca; uma lâmina no meu sangue.

a tua língua mansa era a semente do meu gemido. a humidade no meu peito.

.

Dezembro 10, 2020

olho o mar: cada onda me recorda a primavera, arqueada na tua pele. o branco: a rebelião no teu grito, a avidez dos dedos a penetrarem a juventude. o azul: sereno, infindável, forte. a recordação da tua voz.

o persistente e fresco perfume, deixado pelo sal e pelos teus olhos fechados, era o hálito do nosso desejo. a fagulha. o princípio do fogo, o início do infinito. o lume no nosso sangue. momentos cálidos em que os gestos de cada um eram os gestos do outro e, outra vez, o mar. agora, nos teus dedos.

o amor era urgente e tu eras urgente. era urgente a certeza da incerteza e, outra vez, o mar. dos dedos aos lábios.

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