ANASTASIIA II
Junho 23, 2025
as manhãs chegam-me com o contorno do teu rosto
como se a luz te imitasse em silêncio, passo a passo
e o ar herdasse o teu nome sem saber dizê-lo
vejo-te nos gestos da brisa sobre a relva alta
nos cabelos das árvores quando o vento as visita
e nos sorrisos secretos das águas muito claras
o teu corpo é mapa e miragem, caminho e naufrágio
é onde a razão se curva e o tempo aprende a parar
és instante suspenso em corda de violoncelo
és fuga e presença no mesmo verso que invento
se te escrevo é porque o mundo se torna suportável
é porque tua imagem doma em mim o desatino
é porque o amor se recomeça no teu perfume
é porque existes — e isso basta para que eu cante