carne mais que poesia
Agosto 12, 2025
carne, mais que poesia é o que me deixas na boca quando partes - um sabor a sal, a febre, a um sangue que nunca se escreve.
a tua pele, alfabeto que leio com a língua, não cabe em nenhum poema. há gemidos que não rimam, há espasmos que não se declamam.
o desejo não quer metáforas. quer o suor entre os lençóis, o som da tua respiração a falhar, a curva do teu ventre onde a minha fome se deita.
há noites em que te invento com os dedos, como quem escreve um corpo num papel húmido de ausência.
e quando a poesia tenta fingir que basta, o meu corpo ri - porque sabe que só a carne é verdadeira.