Compulsão - 18
Junho 11, 2025
sei, por experiência própria, que o principal prazer trazido pela venda é o não sabermos o que vai acontecer a seguir. por isso, despi-a por completo, rasgando-lhe com vigor alguma da roupa, arrancando-lhe outra e, sem lhe dar qualquer indicação, beijei-a de surpresa em várias partes do corpo. seios. ventre. pernas. a cada beijo o arrepio e o gemido incentivavam o próximo. por fim, deixei que a minha boca lhe caísse sobre o sexo e entrasse com ele numa disputa frenética. ela teve um espasmo e gemeu muito alto:
- Tenta não fazer tanto barulho, Sandra!
- Tens razão, desculpa. Por vezes, o prazer escapa-me em voz alta antes de se traduzir em silêncio.
enquanto falava, pôs as pernas nos meus ombros, a mão sobre a minha cabeça e forçou-me a mergulhar de novo no seu sexo. as pernas dela, assim abertas e apoiadas em mim, deixavam à vista um maravilhoso e aconchegante ninho e bastou ela fazer alguma força, com as pernas e com a mão, para nele me deleitar de novo.
a energia de momentos assim era o que eu procurava em tudo quanto fazia. nunca me chegou o mais ou menos. nunca fui muito de ficar a apanhar sol em praias paradisíacas. sempre gostei mais de caçar e lutar contra qualquer demónio que tentasse transtornar a minha tranquilidade. talvez esse seja um dos motivos pelo qual admiro pessoas com iniciativa e que se sobreponham ao meu frequente desejo de lhes retirar essa iniciativa. resumindo: tenho uma mente muito confusa e que se baralha a ela própria. confesso que, quando penso nisso, não deixo de me admirar como é que no meio desta confusão me mantenho suficientemente profissional para a nossa diretora de projeto me mandar a estas avaliações.
como, por um lado, já tenho alguma experiência nestas situações e, por outro, a Sandra tinha reagido bem a algumas coisas, rapidamente percebi que podia ir mais longe.
levantei-me e pus-me de pé em cima da cama, agarrei-a pelo cabelo e obriguei-a a sentar-se à minha frente e muito próxima de mim. a reação de agrado dela foi tudo quanto precisei. olhei para ela com autoridade, sorri-lhe com desdém e pus-lhe dois dedos na boca. ela sugou-os avidamente, como se estivesse a devorar um pénis que lhe tivesse entrado na boca e lhe tocasse com elevada cadência na garganta. por vezes, engasgava-se, mas nunca deixava de os chupar.
no quarto, substituindo o aroma perfumado (mas neutro) dos quartos de hotel, pairavam agora as inebriantes fragâncias da líbido. o toque e o som dos dedos na célere, incansável e húmida viagem na boca da Sandra, bem como a visão dela sentada, totalmente nua e aberta ao desejo, excitavam-me de uma forma que já se notava nas calças de pijama. a Sandra tirou a venda e sorriu ao ver-me tão excitado. estimulou-me ainda mais, acariciando-me e escapando aos meus dedos para, por cima das calças, alternar mordeduras suaves com simulações de sexo oral.
com gestos rápidos, vigorosos e decididos, forcei-a a ficar de gatas à minha frente. debrucei-me sobre ela e agarrei-lhe com força nos seios. soluçou com prazer quando atingi e lhe torci ligeiramente os mamilos.
a forte iluminação eliminava-lhe todas as sombras e salientava-lhe as, admiravelmente desenhadas, curvas do corpo. refletia-se-lhe na pele como se ela fosse uma vasta fonte de luz. o perfume de quem acabou de sair da praia voltou, assim como a minha vontade de a tratar por doutora.
em pouco tempo, as minhas mãos passaram a conhecer de cor os locais mais quentes no corpo dela. os mais macios e aqueles mais atingidos pelo vento e pelo frio.
voltei a endireitar-me atrás dela. a vista era hipnótica. a minha mão foi flutuando vagarosa, ajudada por um qualquer espírito ou desejo, até ao cabelo dela. entrelacei os dedos nos longos, negros e sedosos fios e estiquei-os, puxando-os. ela inclinou a cabeça para trás e gemeu quase em silêncio.
com a outra mão, primeiro, agarrei-lhe o sexo com força. depois, sem aviso, dei-lhe uma palmada nas nádegas. o som foi seco e ecoou pelo quarto como uma ordem.
apercebi-me da respiração dela a acelerar e da pele a incendiar-se sob os meus dedos. voltei a dar-lhe uma palmada e aumentei um pouco a intensidade da mesma. repeti o gesto várias vezes, até a vermelhidão se confundir com sangue. a cada palmada, o corpo dela respondia com prazer. a Sandra mordia o lábio, mas não pedia que parasse.
rodou de novo e deitou-se. o seu corpo – rígido, mas resplandecente de satisfação –, como se pressentisse a imensidão de beijos, carícias e violência que eu lhe destinava, parecia ansiar os meus lábios e, com a minha ajuda, elevava-se na direção da minha boca.
a língua era lenta, mas afirmava-se com robustez sobre a flor açucarada como se estivesse a dobrar-lhe, com firmeza, cada uma das pétalas. as pernas eram-lhe cordas finas enroladas no meu pescoço e apertavam-mo com a delicadeza de um abraço forte, mas terno.
cada gesto meu era um enigma, uma dança hipnótica que a prendia na estreita fronteira entre o prazer e a dor.
sempre que ela trazia o sexo até à minha boca eu segurava-lhe nas nádegas e, depois da minha língua a fazer vibrar, ajudava-a a descer. guiava-a lentamente, mas com segurança, como quem puxa o céu até à terra. nesse momento, a minha respiração tomava o ritmo de um flamejante galope e, quando chegávamos à altura certa, penetrava-a profundamente. da primeira vez, não conseguiu deixar de misturar surpresa e prazer. das vezes seguintes, queria descer ao meu pénis assim que a minha língua lhe tocava. percebi a ânsia dela e, para satisfazer o prazer de a ver desejar-me, cada vez descia mais devagar e cada vez a penetrava menos tempo.
até que ela se encheu de um desejo maior que ela, impregnou a própria pele com ele e quando me sentiu húmido e rígido, ansioso por descobrir cada recanto da sua incandescência, cruzou os pés atrás de mim, impediu-me de sair de dentro dela e, em vez de se elevar à minha boca, pediu-me com os olhos que a tivesse. agarrei-lhe com força nos seios, puxei-lhe os rígidos e eretos mamilos e possuí-a violentamente até um relâmpago nos atingir em paralelo e me atirar de boca sobre a firmeza dos seus seios – eretos, mesmo com ela deitada – cujos mamilos suguei e onde prolonguei húmidas carícias enquanto nos mantivemos acordados.
quando abri os olhos, já a luz solar se misturava com a iluminação artificial do quarto. a Sandra já estava vestida e pronta para sair. enquanto abria a porta, virou a cabeça para mim, sorriu com mistério e disse jovial:
- Vou tomar um duche, trocar de roupa e encontramo-nos lá em baixo para o pequeno-almoço.
sorri e, com a alegria no rosto de quem acaba de acordar e vencer uma corrida, acenei-lhe que sim com a cabeça.
a noite cumprira a que eu considerava ser uma das suas mais nobres missões: ser um intervalo entre o desassossego e a rotina. um território onde o corpo respira antes de regressar à máquina dos dias.