Compulsão - 9
Junho 03, 2025
ao sairmos do restaurante, no caminho para o carro, com uma mão, a Maria segurava as flores e com a outra segurava na minha. agora com uma novidade: com o indicador ia-me acarinhando a palma.
assim que entrámos no carro, a Maria, ato continuo, atirou as flores para o banco de trás e beijou-me longa e avidamente os lábios. a avidez passou a firme lentidão quando as nossas línguas se tocaram. por um momento, prendeu a minha boca com a dela e ficou ali, sem se mexer. quando me soltou beijei-a nos olhos, beijei-a nas orelhas, beijei-a no pescoço. a cada beijo um aumento da temperatura na pele dela provocava o arrepio da minha. senti que estava a desapertar-me as calças. tirou-me o pénis para fora e caiu nele com a boca. assim que lhe tocou, alternou momentos em que o sugava profundamente com outros em que se limitava a circular a língua na brilhante, húmida e inchada cabeça do meu pénis.
fui despindo e tocando o sexo da Maria, que estava muito molhada e pronta para me receber. sem que eu percebesse muito bem de onde e porque surgiu – não deu tempo de alguém os chamar e chegarem aqui –, um carro-patrulha, passou lentamente por nós e parou logo a seguir. abriram-se as portas da frente e saíram dois agentes. altos, novos e bem-parecidos. em nada semelhantes à ideia errada que temos de um polícia. vieram na nossa direção.
rapidamente tapei a cabeça e a parte despida do corpo da Maria com um casaco e disse-lhe para ter cuidado que vinha aí gente. ela parou os sugestivos movimentos e limitou-se a usar a língua para me excitar. quando chegaram, um dos agentes bateu no vidro e, com gestos, pediu para eu o baixar:
- Boa noite, senhor. – Olhou para onde estava a Maria, fez uma pausa e prosseguiu: - Está alguém doente?
- Está só indisposta. Isto já passa. Posso ajudar-vos?
- É melhor levá-la a um hospital, pode ser grave.
debaixo do casaco, a Maria, que já tinha tirado a língua de mim e agora apenas me segurava, totalmente imóvel. com voz lânguida, disse:
- Bruno, não quero ir ao hospital, isto já passa!
e voltou ao que estava a fazer antes de falar. as manobras que a Maria fazia com a língua exigiam de mim uma grande força e uma grande concentração para manter a serenidade e a normalidade diante dos dois agentes. no entanto, o cheiro a sexo e aos fluídos dele eram indisfarçáveis. no carro pairava um aroma a animais molhados e, ainda mais indiciador, todos os vidros estavam embaciados. não devo ter sido bem-sucedido porque eles olharam um para o outro e sorriram maliciosamente:
- Ou a um motel, já que me parece haver algum sono na voz da sua amiga. – Disse o que estava mais afastado.
o primeiro continuou:
- Fora de brincadeiras. Vocês sabem que estão a transgredir, certo? Sabem que podem ir presos? Vamos deixar-vos ir, mas vão prometer que não repetem a brincadeira. Se vos virmos outra vez nisto não seremos tão brandos.
na minha cabeça, para além das imagens preconcebidas de celas poeirentas, frias e escuras, já um rol de gritos de revolta se aprontavam para ser usado. argumentos como: prendem amantes em vez de assaltantes. argumentos que, naquele momento, me pareciam bons. argumentos que o agente, mesmo sem conhecer, acabara de destruir:
- Claro, senhor agente. Claro que prometemos. Este susto serviu-nos de lição. Eu moro sozinho, não tenho necessidade nenhuma disto. Obrigado, obrigado.
a realidade é que a adrenalina gerada pela situação excitou-me ainda mais. ou excitou-nos. tinha uma mão no volante, com a outra voltei a tocar a Maria e ela estava ainda mais molhada. aos lábios senti que tinham aumentado. não resisti a olhar-lhe o sexo: estava brilhante como uma noite cheia de estrelas; gotas de desejo decoravam-no; implorava o meu toque; suplicava pelo meu pénis.