ISABEL
Maio 31, 2025
Na enseada azul do teu verso nascente,
Onde a palavra é espuma e a sílaba é vela,
Navego descalço sobre a brisa ardente
Do teu canto, que me revela.
Há em ti um sorriso que encabula o mar,
Que o faz recuar, tímido, para o fundo,
Como se as ondas, no seu ondular,
Temessem ser menos que o teu mundo.
Teu cabelo: búzios de sol entre as marés,
Guarda o som secreto dos dias claros.
Nele há conchas que sabem às marés
E segredos de astros milenares.
Tua poesia é uma casa aberta na falésia,
Onde entra o vento com cheiro de sal.
Cada palavra tua — luz acesa —
Alinha as constelações no quintal.
Falas, e é o oceano que aprende a falar,
Fazes do silêncio uma embarcação.
Em ti, o tempo deixa de passar,
Suspenso na rede da contemplação.
És farol e cais, búzio e barco,
És marinha, líquida verdade.
Ao ler-te, torno-me mais claro,
Mais inteiro, liberdade.
E fico ali, ancorado no encanto,
Onde a tua poesia toca a areia,
Sabendo que cada verso é um manto
Que me cobre de azul - e de ti.