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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

janeiro 2004

Janeiro 01, 2004



 


 

na descendência das flores nascem dias já terminados
e a poesia não é senão falsa modéstia


aqui escreve-se sem qualquer inteligência


as palavras não são para ser estudadas
são para ser amadas como se amam as cores


e não me falem em pontuação
pontos e vírgulas uso-os quando e se eu quiser, quem me impede?


 


2-1

 


 


hoje este é o meu desafio
amanhã deixará de o ser se não o cumprir


e depois?
quem se importa se nem a mim me preocupam os sucessivos fracassos.



7-1

 


uma carta para ti, minha amiga




quase com o despertar das pérolas do desejo,
no tempo das primeiras serenatas de álcool e tabaco,
descobri também a pureza impetuosa da inocência:
um corpo não era um corpo mas o sol que o aquecia.

nesse tempo, consegui amar. lembras-te?
consegui amar-te.


hoje sou um monstro já sem amor minha amiga,
o que hoje faço,
com o corpo que sobrou depois de ti e de todas as outras,
não é amar.


tenho este poema como segredo
e não precisava de o escrever,
precisava de sussurrar-to lentamente,
como costumávamos fazer na idade da matemática.
lembras-te do poema que te escrevi?


precisava que os teus braços
me ensinassem novamente a escrever
apenas para duas pessoas,
sem pensar no que pensará quem lê,
escrever apenas para sentir o calor que sentia quando te lia ao ouvido.


precisava apenas de amar alguém com a inocência com que te amei.
talvez nem precisasse de o escrever. lembras-te como era?


11-1

 


posso passar aqui toda a noite
a fingir a poesia nas palavras que escrevo,


mas o mais importante é que talvez não o faça.



12-1

 


um dia o mundo saberá que sou eu que escrevo os meus segredos.
pergunto-me, será finalmente esse dia a morte do meu?



12-1
 

como facas que se espantam ao penetrar carne macia,
palavras sem piedade a ferir animais surdos e mudos.


no fim, não haverá um delta na foz, apenas escuridão.



13-1



 


Hoje, saí demasiado tarde do trabalho
(já não me lembro porque lá fiquei tanto tempo).
Na companhia de uma primeira cerveja, olho a noite


(o fogo respira as entranhas da cidade,
dois cães disputam entre si os últimos restos,
dois restos verbalizam ódios no último semáforo livre)


e viajo para o único sítio onde a poesia me acontece,
para o abismo absurdo, para onde mora o medo de cimento
de um dia descobrir que já não sei quem sou.
Peço uma segunda cerveja. Lá fora, a noite, fria,


(cá dentro, o aquecimento e os olhares de mulheres desconhecidas,
o chilrear dos copos e a simpatia fingida a fumar por trás do balcão)


prossegue rapidamente sem mim, mas ninguém se importa.
Volto a mergulhar no sangue e no meu sangue.
Para que me convençam que sou o que digo ser,
faço das palavras minhas escravas, chicoteio-as,
obrigo-as a dizerem apenas o que quero ouvir.
Um dia, sei-o, serão elas a verga de salgueiro
que outros usarão para me rasgar a pele,
enquanto me perguntam: valeu a pena mentires-te?


(Mas, entretanto, gosto desta mesa de madeira mal encerada
e de observar os semáforos pela janela meio embaciada.)


Quando aqui venho, nunca estou sozinho,
há sempre um ou outro cadáver existencialista,
a lembrar-me que agora os valores são outros
e que estou completamente fora de moda.
Mas eu não quero estar na moda, quero apenas compreender(-me).
É isso que não deves fazer, procurar respostas era para o meu tempo.
Mas tu estás morto, eu estou aqui e sufoco(-me).


(Excita-me esta mulher que, de costas para mim,
espreita por cima do ombro, enquanto afasta o cabelo de ouro,
num gesto demasiado lento para ser verdadeiro.)




17-1

 


 


Eu não existo todos os dias.




19-1



 


Estou farto de ser genial, de ser bom com os números,
com a física e a jogar futebol. Estou cansado de saber escrever,
de ser alto, moreno e magro e de ser bom com computadores.
Sufoca-me ganhar quatro vezes mais que a média nacional,
desespera-me ter muitos e bons amigos e destroi-me ser amado.


Um dia, deito tudo fora.


Alugo uma casa numa aldeia distante e, enquanto houver dinheiro,
fecho-me no quarto a ver big brothers e filmes pornográficos,
a comer porcarias, a fumar, a beber e a masturbar-me até adormecer.
Quando o dinheiro acabar, mato alguém que não faça falta
e vou viver às vossas custas. Não é muito diferente do que faço agora.


PS: Metade do que escrevi é mesmo verdade.



20-1
 


nos vidros, com os dedos molhados pelas tuas palavras,
desenho lentas respirações na condensação do silêncio.


será pecado desejar escrever um verbo nos teus seios?


 

22-1

 


tenho andado ocupado
(com a minha vida verdadeira)


hoje voltei porque há muito tempo não me via.


 


 26-1

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