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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

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Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

MEMÓRIA DO FOGO - PREFÁCIO

Maio 15, 2025

Há livros que não se leem — acendem-se. Memória do Fogo é um deles. Luís Abreu não escreve para explicar o amor, mas para tocá-lo onde mais arde: no que faltou dizer.

Logo nas primeiras páginas, somos avisados: "nem tudo o que termina se apaga. há silêncios que continuam a arder." — e é exatamente isso que os poemas fazem. Eles não procuram respostas, mas ecoam as perguntas que deixamos escondidas nos cantos do peito.

Este livro é um mapa do que se sente quando "o corpo desaprende o toque, mas a pele lembra". Cada poema é uma memória viva, uma brasa que ainda queima no escuro — mesmo quando pensamos que já passou. São palavras escritas com o corpo, no corpo, para o corpo. É amor que não acabou, mas mudou de forma. É ausência que "arde sem luz, sem pressa. não grita. fica."

Ao longo destas páginas, encontramos um lirismo cru e terno, onde o desejo é também silêncio, e o silêncio é linguagem: "falavas pouco — era o teu corpo que dizia: fica." Assim, o poeta costura memórias e fantasmas com a mesma linha: a do espanto. O espanto de quem ama, de quem parte, de quem espera.

Luís escreve como quem se despede devagar, com o cuidado de não acordar o que já doeu: "comecei a esconder-me. fingir leveza. calar o que ardia." Mas também como quem, mesmo no fim, acredita na permanência do que tocou verdadeiramente: "uma vida depois, e ainda sabes tocar-me sem me tocar."

Não espere linearidade. Não espere conforto. Aqui, o tempo não cura: expõe. Cada poema é um fragmento que pede pausa, respiração, entrega. E se, ao virar a última página, sentir que algo em si continua a arder, não se assuste — é apenas o fogo da memória fazendo morada.

Porque, no fundo, como o poeta escreve, "a memória é essa brasa viva, que arde em cada toque lento."

 

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