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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

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Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

R

Junho 17, 2025

Ela apareceu como sempre: primeiro as palavras, depois o corpo.

Chamava-se R — ou, pelo menos, era assim que se deixava chamar. Nunca um nome me soube tão a segredo. Escrevia como quem beija em silêncio, deixando na pele da linguagem uma espécie de perfume antigo, difícil de descrever mas impossível de esquecer.

Não falávamos ao telefone. Nunca nos ouvimos. O nosso “encontro” era todo virtual — ela, num quarto luminoso onde os dias pareciam mais claros do que os meus, e eu, preso ao corpo que me restava. Tetraplégico, com os movimentos limitados ao mais ínfimo gesto. Podia falar, sim, mas a voz não era clara. Sai enrolada, arrastada, quase imperceptível. Uma vez tentei. Fiquei em silêncio desde então. Ela soube respeitar isso — e mais: soube usar isso.

Naquela noite, apareceu diante da câmara com um robe de cetim branco, curto, aberto o suficiente para que os seus gestos se tornassem subtis provocações. O quarto estava inundado de luz quente e ao fundo, tremeluzentes, várias velas acesas deixavam vislumbres dourados nas paredes. Não as acendeu para mim. Sabia que os cheiros não atravessam o ecrã, mas acendeu-as para si. Porque lhe dava prazer. Porque lhe dava corpo. E eu… conhecia-a bem o suficiente para imaginar: cítricos com notas orientais. Como ela — clara e densa ao mesmo tempo.

— Hoje — escreveu-me, antes de se sentar — não quero pressa.

Li no ecrã e o meu corpo, tão imóvel, respondeu com uma agitação interior que nenhuma fisioterapia alguma vez conseguiu provocar.

Ela aproximou-se da câmara, de joelhos no sofá, e com um sorriso que era já uma carícia. O robe escorregou ligeiramente e os seios revelaram-se, redondos, cheios, naturais, belíssimos. Olhei para eles como quem lê um verso que nunca ousou escrever.

“São as mais belas metáforas do mundo”, escrevi-lhe.

Ela riu. Uma ruga delicada formou-se no canto do olho esquerdo.

— E tu és o único homem que me diz isso com essa intensidade... sem sequer abrir a boca.

Não era troça. Nunca era. Havia na sua ousadia uma ternura devastadora, uma sensualidade sem pressa que sabia exactamente onde me doía e onde me acalmava. Tocou-se, levemente. Um dedo entre os seios, depois sobre um mamilo, e escreveu:

— Não queres dizer nada… mas estás todo a olhar.

Inclinei a cabeça, o máximo que consigo. Um gesto mínimo, mas em mim era quase um grito. Ela entendeu. Ela entendia tudo.

— Sabes que podia fazer-te vir sem te tocar, não sabes?

A câmara focava o seu rosto e depois descia até ao peito. A respiração dela era visível, sincopada, lenta. De vez em quando, os dedos percorriam o decote, como se dançassem por cima das palavras que não escrevia.

Escrevi:

“És sempre assim com os outros?”

Ela leu. Ficou em silêncio um instante. Depois respondeu, com um brilho nos olhos:

— És o único homem com quem falo desta forma. Os outros… talvez toquem. Tu… tu lês-me.

Quis perguntar-lhe se era comprometida. Hesitei. Depois escrevi:

“Tens alguém?”

Ela mordeu o lábio inferior. Não pareceu surpreendida. Como se soubesse que essa pergunta chegaria mais tarde ou mais cedo. Mas não respondeu logo.

Afastou um pouco o robe dos ombros. A pele dela tinha a luz exacta de um fim de tarde num quarto fechado. Os seios, agora completamente descobertos, pareciam falar por si.

— Talvez — respondeu. — Talvez esteja comprometida… com alguém que me sabe escrever. E isso é raro.

Sorri com os olhos. Era tudo o que me restava.

Ela percebeu. Pousou a mão entre as coxas, sem pudor. E escreveu:

— Hoje, se quiseres, escrevo só para ti. Até o meu orgasmo será uma carta.

 

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