S.
Junho 09, 2025
A S. entrou sem bater. Os seus passos eram quase inaudíveis, mas o meu corpo, mesmo morto, reconheceu o peso dela no chão como se o quarto lhe abrisse caminho. A bata branca colava-se-lhe aos seios como se os sugasse para dentro de si – estavam túrgidos, os mamilos bem marcados e percebia-se que não trazia soutien.
"Hoje, vamos abrir o chakra raiz", murmurou, aproximando-se da cama como quem se prepara para um rito profano. As mãos vinham levantadas, em gesto de quem cura, mas os olhos eram de quem domina.
Sem pedir autorização, puxou-me a camisola para cima e desceu as calças. O pénis tombou, flácido, entre as coxas inertes. Ela olhou-o com uma curiosidade fria, quase científica. Depois, ajoelhou-se ao lado da cama, como numa prece distorcida, começou a massajá-lo com um óleo quente. O cheiro a lavanda misturava-se com o meu próprio suor. Era como se a limpeza fingida daquilo tudo só servisse para tornar a violência mais aceitável.
"Vamos acordar-te, devagarinho", disse e deitou-lhe um sopro quente, como se falasse com uma brasa adormecida.
O toque dela era vigoroso. Nada da delicadeza habitual das sessões anteriores, em que não me tocava e se limitava a dar calor - "limitava". Apertava-me o sexo com os dedos todos, esmagando-o como se testasse se ainda havia vida ali. E havia. O sangue reagia, arrastava-se pelas veias entupidas de desejo, forçava-se ereto como um cadáver que se recusa a apodrecer.
Montou-se em cima de mim. As coxas abriram-se, húmidas. Sem aviso, sem qualquer encenação, enfiou-me dentro dela de uma só vez. Um baque surdo ecoou no estrado da cama. Eu mordi o interior da bochecha para não gritar. Não de dor – de fúria, de humilhação, de espanto. Estava dentro dela. E não tinha feito nada para isso acontecer.
Ela começou a cavalgar-me com violência. Os cabelos batiam-me no rosto. A bata abria-se a cada movimento e os seios saltavam à minha vista – suados, furiosos, vivos. Ela gemia com a boca aberta, os olhos semicerrados como uma loba a morder o vazio.
"Olha para mim", disse. E, depois de me dar uma bofetada, agarrou-me o rosto com as duas mãos. Unhas cravadas nas têmporas. "Olha para mim enquanto te uso."
Não consegui desviar os olhos. Era isso que ela queria: ser vista. Ser filmada na retina de um homem preso. Ser gravada no olhar de um corpo que não se defende.
Ela veio-se com um grito e de olhos abertos, sem pudor. Estremeceu toda. E só depois se ergueu. Com desprezo. Com prazer. Com qualquer coisa entre a glória e a culpa.
O meu pénis ainda pulsava quando ela me limpou com a bata que até então usava. Depois, vestiu-se com lentidão. O silêncio era pesado. Não por constrangimento – mas por excesso. Tinha acontecido tudo. E não restava mais nada para dizer.
Antes de sair, olhou-me como se eu fosse um prato esvaziado.
"Quinta-feira, mesma hora. Mas traz-me uma venda."
A porta fechou-se devagar.
E eu fiquei ali. Ereto. Mudo. Rasgado por dentro.