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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

SONHO II

Junho 27, 2025

Voltei a sonhar contigo, docinho.

Acordei com o corpo ainda em brasas e a mente agarrada a cada detalhe teu. No sonho, estavas como gosto de te imaginar: descalça, cabelo solto, olhar meio inocente, meio fatal… e aquele teu sorriso, tão certo do efeito que tem em mim.

Estávamos sozinhos — como deve ser — e bastou um gesto teu, simples, quase distraído, para me perder por completo. Aproximaste-te devagar, sem pressa, com aquele ar de quem sabe exatamente o que está a fazer. Disseste que tinhas saudades da minha boca, e eu nem consegui responder. Os meus lábios encontraram os teus como se tivessem estado à espera a vida toda.

Beijei-te como quem tem fome antiga, e tu devolveste o beijo com essa intensidade doce que só tu sabes dar. As tuas mãos guiaram as minhas com uma confiança que me deixou sem ar. As tuas pernas envolveram-se em mim e, por momentos, tudo o resto deixou de existir. Só me lembro da tua pele quente, do teu respirar no meu ouvido e de como o teu corpo dizia tudo aquilo que as palavras já não sabiam.

Acordei com o teu sabor na boca e um desejo difícil de apagar.

ANASTASIIA II

Junho 23, 2025


as manhãs chegam-me com o contorno do teu rosto
como se a luz te imitasse em silêncio, passo a passo
e o ar herdasse o teu nome sem saber dizê-lo

vejo-te nos gestos da brisa sobre a relva alta
nos cabelos das árvores quando o vento as visita
e nos sorrisos secretos das águas muito claras

o teu corpo é mapa e miragem, caminho e naufrágio
é onde a razão se curva e o tempo aprende a parar
és instante suspenso em corda de violoncelo
és fuga e presença no mesmo verso que invento

se te escrevo é porque o mundo se torna suportável
é porque tua imagem doma em mim o desatino
é porque o amor se recomeça no teu perfume
é porque existes — e isso basta para que eu cante

EVOLUÇÃO DOS CORPOS

Maio 30, 2025

és agora febre da minha pele
começaste por ser brisa nos lábios
e fizeste-te incêndio nas manhãs
o toque húmido das aves em cio

eu era só espera por silêncios
um corpo gasto de tanto não tocar
ferrugem nos ossos,
eco de gestos repetidos

eu era apenas chão seco sob as magnólias
e tu fizeste-me seiva, flor e boca
deste-me a sede e a urgência do gozo

tu és o relâmpago que me abre as coxas
o trovão que me treme o ventre
arde-me o corpo no teu abrigo

ODE AO CORPO

Maio 07, 2025

é dentro da tua boca

que evolui o fogo:

fulgente;

forte.

 

no teu peito

gritos viris

e a mansidão do leite:

sedutores.

 

depois, o teu ventre,

onde arde um lume brando,

onde a boca se perde

e a carne aprende.

 

e entre as tuas coxas,

o silêncio pulsa,

quente,

como um bosque em chamas.

 

nos teus pés

repousa o cansaço do gozo,

trémulos,

ainda cheios de caminho.

 

no rastro do teu corpo,

fica acesa a memória:

um perfume,

um arder intemporal.

SONHO

Janeiro 22, 2025

há uns dias sonhei que os teus lábios eram uma fonte de água cristalina e de elevada pureza. o brilho refletia-se neles como gotas de mel atravessadas por incendiados raios solares. era só um sonho, mas era muito aproximado à realidade. provavelmente, nada, no mundo inteiro, exerce sobre os meus lábios o magnetismo que os teus conseguem.

estávamos sozinhos em um apertado elevador e o pouco espaço entre nós juntava-se ao silêncio e a um intenso cruzar de, laterais e disfarçados, olhares para tornar quase palpável a tensão que existia entre nós.

uma sensação de lentidão apoderou-se de nós e do ambiente ao nosso redor. até a nossa respiração era lenta. não sei por iniciativa de quem, mas os nossos dedos tocaram-se. nesse momento abriu-se um largo e, de novo, lento sorriso no nosso rosto. posicionei-me em frente a ti, muito próximo de ti, subi as mãos pelos flancos do teu corpo, até atingir e segurar ambos os lados do teu rosto. a proximidade das nossas bocas e a firmeza com que cruzávamos olhares gritavam desejo. os teus lábios ansiosos e o teu corpo trémulo uniam-se às ligeiramente fechadas pálpebras para me indicarem o próximo passo. com a suavidade que o nervosismo me permitia, ainda com as mãos no teu rosto, orientei a tua boca na direção da minha. não seria um sonho se a minha boca não tivesse mergulhado na tua e as nossas línguas não se envolvessem em uma lenta, mas sôfrega, luta por território.

quando os nossos lábios se tocaram, de imediato um véu de erotismo cobriu os nossos, agora despidos, corpos. depois da boca, beijei-te o pescoço e segredei-te imagens . os beijos eram voluptuosos, unos e acompanhados pela segura lentidão das carícias de cada um no corpo do outro. voltei à humidade da tua boca. enquanto, no sonho, os nossos lábios continuavam colados, fisicamente, senti a tua língua derrotar a minha e, com suavidade, recolher por toda a minha boca os despojos da vitória.

FLORESTA

Março 25, 2023

vento, vento quente, vento sorridente,

refresca-me o teu sorriso

quando assobias entre os pássaros

e nasces assombro só meu

como se nas tuas mãos

houvesse qualquer coisa de fogo

ou um falcão se lançasse

das copas transparentes do sangue

e em voo picado me atingisse a pele

 

pudessem estas palavras

ter a força das árvores

a sedução das suas sombras

a mesma claridade que há entre as folhas

diante dos rios ou dos espelhos

pudesse a tua voz quebrar todos os meus silêncios

 

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