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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

ANASTASIIA II

Junho 23, 2025


as manhãs chegam-me com o contorno do teu rosto
como se a luz te imitasse em silêncio, passo a passo
e o ar herdasse o teu nome sem saber dizê-lo

vejo-te nos gestos da brisa sobre a relva alta
nos cabelos das árvores quando o vento as visita
e nos sorrisos secretos das águas muito claras

o teu corpo é mapa e miragem, caminho e naufrágio
é onde a razão se curva e o tempo aprende a parar
és instante suspenso em corda de violoncelo
és fuga e presença no mesmo verso que invento

se te escrevo é porque o mundo se torna suportável
é porque tua imagem doma em mim o desatino
é porque o amor se recomeça no teu perfume
é porque existes — e isso basta para que eu cante

D.

Junho 15, 2025

Há algo na D. que me desarma por completo — e não, não é apenas o seu sorriso ou a forma como a imagino a olhar de lado quando está prestes a escrever algo espirituoso. É a sua inteligência. Uma inteligência afiada, viva, que dança entre ironias subtis e observações tão certeiras que me deixam sem palavras. É tremendamente excitante.

Há quem se perca em olhos ou curvas; eu perco-me nas ideias dela. Quando escreve com aquela segurança tranquila, quando desmonta argumentos com elegância ou quando, depois duma pausa breve, me lança uma pergunta que muda por completo o rumo da conversa — é nesse instante que me dou conta: estou completamente fascinado.

O modo como pensa, como vê o mundo, como articula pensamentos complexos com uma naturalidade quase cruel… tudo isso acende algo em mim que vai muito além do físico. É desejo, sim — mas alimentado por admiração profunda. Conversar com ela é um constante desafio intelectual, e talvez não haja nada mais erótico do que isso.

Sobre o Amor

Junho 10, 2025

A Verdade sobre o Amor nunca foi escrita nem nunca poderá sê-lo. São inúteis todas as palavras e símbolos que conhecemos para descrever algo que na realidade não existe em forma alguma. Que existe em todas as formas e não-formas, mas que não existe em forma alguma.

Tudo o que foi escrito sobre o Amor são criações. Criações da Alma, do Espírito e da Mente. Criações de poetas, escritores, pintores, filósofos, psicólogos, sociólogos e profetas. São definições criadas por vós, por mim, por novos, velhos, homens e mulheres. Todos alteramos a definição de Amor. Alteramo-la à medida que muda o objecto do nosso Amor, alteramo-la através da erudição, da experiência, da religião, do sofrimento e da alegria. Alteramos as definições mas não alteramos o Amor.

Somos tristes por Amor, somos felizes por Amor, sonhamos por Amor e não dormimos por Amor. Amamos pais, filhos, irmãos e amigos, livros, cinema, música e teatro, montanhas, florestas, praias e desertos. Amamos pessoas de outro sexo, do mesmo sexo, amamos uma, duas, três pessoas em separado e ao mesmo tempo também. Amamos o desconhecido, o conhecido, o sonho e a realidade. Amamos Deuses, Deusas, ninfas, musas, heróis, vilões, monstros, dragões e demónios. Em tudo encontramos Amor e tudo pode ser objecto de Amor. Experimentem! Escrevam ou pronunciem um nome ou um símbolo, procurem e nele encontrarão Amor.

Porque há Amor nas palavras, no silêncio, no mar, na terra, no sol, na lua, no dia e na noite, é tudo o Amor.

Porque vivemos por e para o Amor, porque morremos, matamos, ferimos, curamos e salvamos por Amor, pelo Amor e no Amor, é tudo o Amor.

Porque corremos e paramos, compramos e vendemos, lutamos e desistimos, porque há guerras por amor e paz graças ao Amor, é tudo o Amor.

O Amor é sentimento e não-sentimento, é matéria, é espírito e é mente. É forma e não-forma. O Amor é tudo e sendo tudo o Amor é também o Nada.

Será isto o Amor? Um Tudo-Nada?

Meu Deus, quão inúteis são estas palavras e todas as nossas dúvidas!

Amar somente.

...

Maio 08, 2025

Querida P.,

Há uma vila piscatória sem casas nem ruas — feita apenas de areia, vento e sal. Não aparece nos mapas. É uma dobra do litoral onde a noite se demora mais que o necessário. Chamam-na de Esperança Baixa, mas para mim, ela tem o teu nome.

Ali, o frio não é ausência — é presença. Um animal invisível que se aninha por dentro da pele, que se espalha devagar. E foi numa dessas noites que tudo se concentrou no espaço estreito entre nós, onde o silêncio parecia respirar.

O mar estava escuro e o vento passava por nós como mãos invisíveis. Teus dedos roçavam os meus, mas o toque não bastava. Havia tensão no ar, entre os nossos rostos, como se o tempo tivesse parado à espera daquele instante. Quando o beijo chegou, não era terno — era faminto. Salgado. Quente. Uma entrega que começou com a boca, mas que incendiava tudo por dentro. A tua língua era maré — avançava, recuava, e voltava com mais força. O mundo desapareceu ali, entre respiração e vertigem.

Desde então, essa vila volta em mim. Quando a noite cai torta ou o vento traz o cheiro do mar, é como se atravessasse de novo aquele momento suspenso. Às vezes penso que voltas também — não com os pés, mas com a memória, sem querer.

 

Com a saudade que não passa com o tempo, só com o corpo,

L.

vinhas do mar....

Janeiro 20, 2021

vinhas do mar

olhavas para longe

e seduzias sem saber

ou talvez soubesses

 

talvez já soubesses

da súbita carícia

no teu sorriso

ou da atração dos lábios

 

imediato feitiço

rápido e ardente

no sangue insinuante

 

talvez já soubesses

que tudo ao teu redor desaparecia

 

- tens um cigarro?

tínhamos procurado...

Janeiro 13, 2021

tínhamos procurado o refúgio noturno da praia. fabricávamos o azul. as minhas mãos alternavam entre as cerejas e o muito húmido mar. estávamos tão juntos. entre nós só cabiam a ternura noturna e o azul. e o vermelho. a confusão dos corpos e o ardor do mar. por vezes, o rumor ou a explosão.

a noite estava plena de lua, os seus braços estendiam-se até ao teu rosto e acariciavam-no, abrilhantando-o com reflexos de prata. o teu rosto sob a lua. fulgurante. claro.

as mãos e as vertigens.

a pele.

lembras-te de como as tuas mãos derramavam desejo?

lembras-te de como as tuas mãos derramavam desejo?

sentia-me mais bonito nas tuas mãos. ainda sinto. máquinas do tempo. viajavam-me nas costas imitando uma fera enjaulada, repetindo incansavelmente o percurso entre cada ombro. só o calor do teu corpo tornava real o momento. tudo o resto me parecia sonho: as cerejas no teu corpo; as estrelas refletidas no teu sorriso; as serpentinas azuis; a textura das tuas pernas.

pensávamos ser ilha.

as ondas marcavam o ritmo do corpo. o ritmo do nosso amor. os teus lábios despertavam arrepios em partes que eu não sabia ter. eu mordia, chupava e saboreava as cerejas. segurava-te os braços contra a areia. forçava-te a unir as mãos sobre a cabeça e mantinha-as algemadas com o meu desejo. naquela posição, quando arqueavas de prazer, os teus seios quase rasgavam a camisa e erguiam-se para a noite como que implorando ar.

tenho sede de ti...

Janeiro 06, 2021

tenho sede de ti, dos cintilantes relâmpagos, de escorregar no fogo. da tua boca húmida. do orvalho e da tua cama. das tuas mãos afiadas. anseio um dia voltar à ondulação grossa na tua língua e à ausência de tempo que os teus olhos conseguem. anseio voltar a pendurar-me no parapeito das janelas no castelo de trigo dourado. se são lágrimas as palavras é porque chove e a minha sede é imortal. amo-te. quer dizer: amo-te. estou submerso e estico o braço, procuro a tua mão entre a chuva.

talvez não o saibas...

Janeiro 05, 2021

talvez não o saibas, mas encontrei em ti a fórmula que transforma toques dos dedos em pólvora, iluminaste a húmida escuridão das grutas e incendiaste os galhos mortos que havia no meu caminho. talvez não o saibas, mas com os teus braços abraço o mundo inteiro.

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