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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

...

Dezembro 13, 2025

respiro
amenas colinas —
sustento do fogo
repouso
ou fervor dos lábios
e bálsamo vermelho.

são colinas cheias de luz,
colinas que convidam —
onde o silêncio se deita
e arde

...

Dezembro 12, 2025

no teu corpo nasce a primavera,
a vida
e a madrugada —
nasce o pressentimento do desejo

e, como cria faminta,
o meu espera por ser sol
e arder com ele
ou cantar

finalmente,
quando o primeiro lume romper o silêncio,
o desejo, ainda tímido,
vai-se alongar como água numa fenda.

noite

Setembro 21, 2025

há um silêncio que me desfolha lentamente

como se fosses tu a passar os dedos pelas minhas margens

e eu fosse um livro esquecido numa estante de sombras

 

o corpo — esse lugar onde a luz se extingue —

abre-se como uma flor que só respira ausência

e tu entras, sem pedir, como o vento que sabe todas as janelas

 

há um murmúrio de astros na tua boca

e eu bebo-te como quem se afoga num céu sem fundo

sem querer voltar à superfície

 

a pele aprende o idioma da penumbra

e cada gesto teu é uma constelação que me redesenha

como se eu nunca tivesse sido antes de ti

 

entrego-me inteiro

como quem se despe para desaparecer

como quem se dissolve no sal de um mar que não tem nome

 

e tudo o que resta é este lume

lento

a arder no centro do que já não sou

mas que ainda te espera

Asa

Agosto 15, 2025

eu via-a. a Asa. desenhada no ar, uma asa, mas de carne. a pele, um campo onde tudo podia nascer e nascia. ela tirou a blusa. eu não olhava os volumosos seios. não.

olhava o ventre. o ventre que se abria. não em cicatriz, mas em lábios. lábios húmidos e finos que se desenhavam de cada vez que respirava.

eu estendi a mão. quis tocar. eles, os lábios, abriram-se mais. falaram-me. sussurravam o meu nome.

Asa. Eu.

a mão tremia. toquei-a. e a minha mão afundou-se. a minha mão, os dedos, o pulso, afundaram-se naquele orifício que era ventre.

havia sangue. havia suor. e o meu nome. o meu nome que era agora uma semente plantada lá dentro. e eu a crescer em Asa. a desabrochar. a rasgar-lhe o corpo em flores de carne.

...

Agosto 13, 2025

não há rima no suor.

não há métrica no gemido.

há carne.

há urgência.

e um silêncio depois,

que também não se escreve.

...

Agosto 13, 2025

ensina-me o abismo simples:
o teu riso encostado ao meu dente,
a tua respiração a medir os quartos,
um lençol revolto – cartografia bruta

carne mais que poesia

Agosto 12, 2025

carne, mais que poesia é o que me deixas na boca quando partes - um sabor a sal, a febre, a um sangue que nunca se escreve.

a tua pele, alfabeto que leio com a língua, não cabe em nenhum poema. há gemidos que não rimam, há espasmos que não se declamam.

o desejo não quer metáforas. quer o suor entre os lençóis, o som da tua respiração a falhar, a curva do teu ventre onde a minha fome se deita.

há noites em que te invento com os dedos, como quem escreve um corpo num papel húmido de ausência.

e quando a poesia tenta fingir que basta, o meu corpo ri - porque sabe que só a carne é verdadeira.

Asa

Agosto 05, 2025

Depois do Grande Clarão, o mundo não acabou — apodreceu devagar, como carne esquecida sob sol radioativo. A terra deixou de cantar, os rios perderam os nomes e o céu desfez-se em cinzas que nunca assentam. Só as ruínas resistem. E entre todas, a mais viva é esta: a Biblioteca-Castelo de Édros.

 

 

 

Até que o chão de pedra deu lugar a terra seca e fendida. No fundo de uma cripta aberta pelo próprio colapso do mundo, ali estava ela — a nave.

Antiga. De outra era. Coberta por líquenes vermelhos e inscrições que não fui eu que escrevi. A carcaça rangia como se lhe doesse respirar. Mas ainda funcionava. E ainda me obedecia.

Asa recuou, os olhos alargados pela certeza de que não era só o metal que estava vivo — era a nave inteira, faminta.

— Não quero entrar — sussurrou. As palavras saíram-lhe em estilhaços.

Inclinei-me até os nossos narizes quase se tocarem. — Não tens de querer.

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As mensagens são privadas e, se usarem dados fictícios, totalmente anónimas.

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