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Dezembro 13, 2025
respiro
amenas colinas —
sustento do fogo
repouso
ou fervor dos lábios
e bálsamo vermelho.
são colinas cheias de luz,
colinas que convidam —
onde o silêncio se deita
e arde
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Dezembro 13, 2025
respiro
amenas colinas —
sustento do fogo
repouso
ou fervor dos lábios
e bálsamo vermelho.
são colinas cheias de luz,
colinas que convidam —
onde o silêncio se deita
e arde
Dezembro 12, 2025
no teu corpo nasce a primavera,
a vida
e a madrugada —
nasce o pressentimento do desejo
e, como cria faminta,
o meu espera por ser sol
e arder com ele
ou cantar
finalmente,
quando o primeiro lume romper o silêncio,
o desejo, ainda tímido,
vai-se alongar como água numa fenda.
Dezembro 04, 2025
adoro a forma ordenada e ávida
das sílabas nascerem nas tuas mãos
Setembro 21, 2025
há um silêncio que me desfolha lentamente
como se fosses tu a passar os dedos pelas minhas margens
e eu fosse um livro esquecido numa estante de sombras
o corpo — esse lugar onde a luz se extingue —
abre-se como uma flor que só respira ausência
e tu entras, sem pedir, como o vento que sabe todas as janelas
há um murmúrio de astros na tua boca
e eu bebo-te como quem se afoga num céu sem fundo
sem querer voltar à superfície
a pele aprende o idioma da penumbra
e cada gesto teu é uma constelação que me redesenha
como se eu nunca tivesse sido antes de ti
entrego-me inteiro
como quem se despe para desaparecer
como quem se dissolve no sal de um mar que não tem nome
e tudo o que resta é este lume
lento
a arder no centro do que já não sou
mas que ainda te espera
Agosto 24, 2025
nada me arde mais que os teus lábios
quando atravessam o silêncio
como uma lâmina húmida de fogo
é aí que o corpo se abre em claridade
é aí que a noite aprende a sangrar
Agosto 15, 2025
eu via-a. a Asa. desenhada no ar, uma asa, mas de carne. a pele, um campo onde tudo podia nascer e nascia. ela tirou a blusa. eu não olhava os volumosos seios. não.
olhava o ventre. o ventre que se abria. não em cicatriz, mas em lábios. lábios húmidos e finos que se desenhavam de cada vez que respirava.
eu estendi a mão. quis tocar. eles, os lábios, abriram-se mais. falaram-me. sussurravam o meu nome.
Asa. Eu.
a mão tremia. toquei-a. e a minha mão afundou-se. a minha mão, os dedos, o pulso, afundaram-se naquele orifício que era ventre.
havia sangue. havia suor. e o meu nome. o meu nome que era agora uma semente plantada lá dentro. e eu a crescer em Asa. a desabrochar. a rasgar-lhe o corpo em flores de carne.
Agosto 13, 2025
não há rima no suor.
não há métrica no gemido.
há carne.
há urgência.
e um silêncio depois,
que também não se escreve.
Agosto 13, 2025
ensina-me o abismo simples:
o teu riso encostado ao meu dente,
a tua respiração a medir os quartos,
um lençol revolto – cartografia bruta
Agosto 12, 2025
carne, mais que poesia é o que me deixas na boca quando partes - um sabor a sal, a febre, a um sangue que nunca se escreve.
a tua pele, alfabeto que leio com a língua, não cabe em nenhum poema. há gemidos que não rimam, há espasmos que não se declamam.
o desejo não quer metáforas. quer o suor entre os lençóis, o som da tua respiração a falhar, a curva do teu ventre onde a minha fome se deita.
há noites em que te invento com os dedos, como quem escreve um corpo num papel húmido de ausência.
e quando a poesia tenta fingir que basta, o meu corpo ri - porque sabe que só a carne é verdadeira.
Agosto 05, 2025
Depois do Grande Clarão, o mundo não acabou — apodreceu devagar, como carne esquecida sob sol radioativo. A terra deixou de cantar, os rios perderam os nomes e o céu desfez-se em cinzas que nunca assentam. Só as ruínas resistem. E entre todas, a mais viva é esta: a Biblioteca-Castelo de Édros.
Até que o chão de pedra deu lugar a terra seca e fendida. No fundo de uma cripta aberta pelo próprio colapso do mundo, ali estava ela — a nave.
Antiga. De outra era. Coberta por líquenes vermelhos e inscrições que não fui eu que escrevi. A carcaça rangia como se lhe doesse respirar. Mas ainda funcionava. E ainda me obedecia.
Asa recuou, os olhos alargados pela certeza de que não era só o metal que estava vivo — era a nave inteira, faminta.
— Não quero entrar — sussurrou. As palavras saíram-lhe em estilhaços.
Inclinei-me até os nossos narizes quase se tocarem. — Não tens de querer.