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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

SONHO II

Junho 27, 2025

Voltei a sonhar contigo, docinho.

Acordei com o corpo ainda em brasas e a mente agarrada a cada detalhe teu. No sonho, estavas como gosto de te imaginar: descalça, cabelo solto, olhar meio inocente, meio fatal… e aquele teu sorriso, tão certo do efeito que tem em mim.

Estávamos sozinhos — como deve ser — e bastou um gesto teu, simples, quase distraído, para me perder por completo. Aproximaste-te devagar, sem pressa, com aquele ar de quem sabe exatamente o que está a fazer. Disseste que tinhas saudades da minha boca, e eu nem consegui responder. Os meus lábios encontraram os teus como se tivessem estado à espera a vida toda.

Beijei-te como quem tem fome antiga, e tu devolveste o beijo com essa intensidade doce que só tu sabes dar. As tuas mãos guiaram as minhas com uma confiança que me deixou sem ar. As tuas pernas envolveram-se em mim e, por momentos, tudo o resto deixou de existir. Só me lembro da tua pele quente, do teu respirar no meu ouvido e de como o teu corpo dizia tudo aquilo que as palavras já não sabiam.

Acordei com o teu sabor na boca e um desejo difícil de apagar.

MEMÓRIA DO FOGO - #9 - FÔLEGO

Maio 21, 2025

tocas-me

como quem acende um nome

com os dentes.

 

a tua respiração na minha nuca

é um fio de fogo lento,

uma sílaba que se despe

antes de ser dita.

 

há um instante em que já não sei

onde termina a tua pele

e começa o meu tremor.

 

és tu —

meu abismo de saliva,

meu naufrágio consentido.

 

e eu, entre as tuas pernas,

reaprendo o fôlego,

como se amar fosse

a única forma de respirar.

 

Capa

 

na vila onde o mar espera

Maio 09, 2025

era noite
e o vento vinha nu
das dunas.

não havia casas,
só areia e sal
e o teu corpo a um sopro do meu.

não falavas,
mas os teus dedos
tinham a linguagem do lume.

o mar, ao fundo,
respirava como um bicho cansado —
sabia de nós
antes de nós sabermos.

e então
o beijo:
não pedido
não dado —
rasgado
como se a boca fosse
um lugar de naufrágio.

ficou-nos o gosto:
mar,
pele
e o silêncio a arder
devagar.

SONHO

Janeiro 22, 2025

há uns dias sonhei que os teus lábios eram uma fonte de água cristalina e de elevada pureza. o brilho refletia-se neles como gotas de mel atravessadas por incendiados raios solares. era só um sonho, mas era muito aproximado à realidade. provavelmente, nada, no mundo inteiro, exerce sobre os meus lábios o magnetismo que os teus conseguem.

estávamos sozinhos em um apertado elevador e o pouco espaço entre nós juntava-se ao silêncio e a um intenso cruzar de, laterais e disfarçados, olhares para tornar quase palpável a tensão que existia entre nós.

uma sensação de lentidão apoderou-se de nós e do ambiente ao nosso redor. até a nossa respiração era lenta. não sei por iniciativa de quem, mas os nossos dedos tocaram-se. nesse momento abriu-se um largo e, de novo, lento sorriso no nosso rosto. posicionei-me em frente a ti, muito próximo de ti, subi as mãos pelos flancos do teu corpo, até atingir e segurar ambos os lados do teu rosto. a proximidade das nossas bocas e a firmeza com que cruzávamos olhares gritavam desejo. os teus lábios ansiosos e o teu corpo trémulo uniam-se às ligeiramente fechadas pálpebras para me indicarem o próximo passo. com a suavidade que o nervosismo me permitia, ainda com as mãos no teu rosto, orientei a tua boca na direção da minha. não seria um sonho se a minha boca não tivesse mergulhado na tua e as nossas línguas não se envolvessem em uma lenta, mas sôfrega, luta por território.

quando os nossos lábios se tocaram, de imediato um véu de erotismo cobriu os nossos, agora despidos, corpos. depois da boca, beijei-te o pescoço e segredei-te imagens . os beijos eram voluptuosos, unos e acompanhados pela segura lentidão das carícias de cada um no corpo do outro. voltei à humidade da tua boca. enquanto, no sonho, os nossos lábios continuavam colados, fisicamente, senti a tua língua derrotar a minha e, com suavidade, recolher por toda a minha boca os despojos da vitória.

MEMÓRIA DO FOGO

Novembro 25, 2020

a noite traz sempre

a alegria da memória.

em tantas te beijei.

eras tu, eu e ela.

nos caminhos do mar,

nas areias.

lembras-te?

 

lembro que

a tua língua

era a pele ligeira

de um pêssego

e que os teus lábios

eram a provocação das rosas:

o nosso infinito é agora,

dia e noite e dia.

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