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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

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>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

carta

Dezembro 09, 2020

Fico triste. Fico triste por saber que as minhas palavras não atingem o lugar onde guardas a minha culpa. Não são capazes de a embrandecer. Não recuperam, nem sequer tocam, lágrimas endurecidas. O lugar onde repousam e festejam não se cruza com o perdão e, mais que me entristecer, isso quase me revolta e, admito, baralha-me, pois, apesar de esse ser um bom motivo para deixar de te amar, não consigo fazê-lo.

Disseste-me que destruí – e eu acredito nisso. Eu não sabia. Havia tanto desconhecido. Tanto tempo ainda por nascer. Só o branco da tua pele, como pérolas. Os dias passavam e a tua voz era cada vez mais. Tive medo – o Sol. Nunca to disse: havia lágrimas. Há uma promessa. Eu desconhecia e tu disseste-me e eu tive medo. Os dias eram sorriso e as noites eram demasiado perfeitas. Eu não sabia e agora resta-me a crueldade de um tempo sempre lento. Queria ter sabido. Como sabia o caminho. Como sabia das árvores, dos rios e das dunas. E do sabor.

Tenho a sensação de que, depois de ti, a minha vida se tornou uma sequência de acontecimentos aleatórios e sempre inacabados. Depois do teu, nenhum corpo me parecia um corpo. A tua boca. Os teus pés. A forma lenta dos teus braços. A quase transparência e o para sempre.

Fico tão triste que as minhas palavras ou o infinito não abrandem a culpa.

...

Outubro 22, 2012

Meu amor,


 


estou sentado no topo de uma duna. Daqui de cima, mesmo sentado, consigo observar toda a lentidão das areias.

...

Outubro 12, 2012

Querida,


 


cá estou novamente. Escrevo-te na sombra da minha imobilidade. Faço-o, como se o infinito fosse a única ferida no meu corpo. Mas não é. Também a lentidão das dunas feriu o meu peito. Demasiado tempo a pensar nas areias, demasiado tempo na penumbra de ser.

...

Outubro 11, 2012

Querida amiga,


 


chegou a hora de te livrares desses sapatos velhos e de caminhares descalça na floresta do seu coração. Despe-te e diz-lhe o quanto o amas. Enquanto podes fá-lo. Eu já não posso. Acabámos tudo antes de eu vir. Foi maravilhoso saber-te. Vou já enviar-te isto e depois continuo.


 


Carlos

...

Outubro 02, 2012

Meu amor,


 


as paredes que me cercam enquanto te escrevo são sombras verdes sobre a imobilidade das serpentes de cobre. O fumo explode intenso no ar e eu limito-me a tentar compreender porque voam as libélulas. Ter asas não chega, ou as galinhas também o fariam. Não era? Mas, como diz a outra, isso agora não interessa nada.

...

Outubro 02, 2012

Meu amor,


 


estou a breves momentos de rebentar mais um peixe azul. Instantes, apenas, separam o meu corpo e o gatilho de fogo que divide o mar e a morte. Ignoro tudo que me deste e tudo que aprendi contigo, sempre que preciso de disparar esta arma de suor. Quando entrei na cidade, lembrei-me de ti, toda aquela destruição me fez lembrar o que me fizeste quando disseste que já não me amavas como outrora. Sabes o que mais custa? Saber que nunca lerás as minhas cartas. Não porque não queiras, mas porque nunca as enviarei.

...

Setembro 29, 2012

Princesa,


 


o silêncio cruza o audível dentro do manto enfeitado pelas dez mil estrelas e eu permaneço imóvel dentro deste cesto de teias. diz-me, outra vez, que o infinito é mais pequeno que eu.

...

Setembro 28, 2012

Meu amor,


 


sabes porque te escrevo tantas vezes? porque sempre que o faço, ambos somos obrigados a tocar no papel e eu gosto de imaginar que nesses momentos cruzamos as mãos e passeamos juntos. sempre que te escrevo passeio contigo e é por isso que o faço muitas vezes.

...

Setembro 27, 2012

Amor,


 


bem sei que vim para salvar vidas, mas já não acredito que matar possa servir para salvar alguém. É o que mais faço. Ainda hoje o fiz. Entrei numa cidade e as minhas balas fizeram o resto. Tantas pessoas mortas. Tanto sangue. Que posso eu ter salvo?

...

Setembro 27, 2012

Meu amor,


 


lembras-te de me teres  prometido que não me deixarias esquecer porque vim? Pois bem, estou aqui para cobrar essa promessa. Toda esta morte obrigou-me a esquecer o que estou aqui a fazer.

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