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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

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>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

Compulsão - Epílogo

Agosto 03, 2025

lá fora, nas copas, os pássaros já estão em alvoroço. pelos furos de ventilação dos estores começaram a entrar olímpicos, mas incómodos, raios de sol. estragaram a penumbra, mas misturaram-se com o pó ambiente e formaram vários caminhos suspensos que evidenciaram a silhueta da Maria.
durante a noite, houve gestos em que ele lhe gravou na pele alguns dos momentos mais eróticos do seu passado, mas agora o furor era a recordação do tempestuoso olhar que ele lhe reconhecia, que conferia ao rosto dela um ar de incessante espanto e lhe imprimia uma expressão de vigorosa líbido.
amo esse teu amor pela total liberdade, mas tenho ciúmes do teu futuro. tenho medo de que venhas a conhecer sensações que eu não consiga igualar.
voltou a usar a ponta da lâmina do xis-ato para destapar a Maria. desta vez por completo e com extrema precaução. desconhecia que ela estava acordada.
por breves momentos, limitou-se ao fascínio. deitou-se, então, ao lado dela, com o xis-ato em punho, erguendo-o e adorando-o como a um sinistro troféu.
passado algum tempo, voltou a sentar-se e acariciou-lhe suavemente o corpo com o xis-ato, iniciando a viagem da lâmina nas pernas dela, passando pelo sexo, pelo ventre, pelos seios e terminando no pescoço.
estava tão fascinado pela nudez da Maria, de olhar tão fixo, que nem reparou que, naquele momento, pequenas lágrimas escorreram discretas pela face dela.
lágrimas discretas,
disfarçadas pela serenidade,
escondidas pela dobra do lençol,
sal do medo que o sol não apaga.
ainda escondida pelo lençol, até muito antes, já havia decidido: fizesse ele o que fizesse a sua entrega seria total – mas nunca imaginou sentir algo tão intenso.
ele via a pele, mas não via o tremor. via o corpo, mas não o peso da entrega. confundiu silêncio com paz e, na verdade, era só medo a sussurrar por dentro. Maria não tremia de frio – tremia por sentir-se sem defesas, exposta. exposta demais.
mesmo assim, ficou.
porque, às vezes, o que assusta também atrai. porque, apesar das lágrimas, havia um desejo antigo de ser finalmente tocada – não só pelas mãos, mas por tudo.
o deslumbramento foi abruptamente interrompido por insistentes e ruidosas pancadas na porta de entrada:
- Quem será a esta hora? – Refilou ele, visivelmente irritado. Ainda pensou em não abrir, mas a insistência das pancadas fez com que mudasse de ideias. Vestiu um roupão e foi à porta:
- Quem é?
- Senhor Bruno Ribeiro? Polícia Judiciária! Importa-se de abrir?

Compulsão - 23

Junho 24, 2025

senti-me genuinamente feliz quando entrámos no café e vi que, excluindo funcionários, estava totalmente vazio. não sofro de demofobia, não tenho sensações de desmaio, nem ataques de ansiedade e nem sequer evito situações onde sei que estarei exposto a muita gente. é mais uma questão de “não gosto e pronto”.

 

apesar disso, agradava-me e, mais que isso, seduzia-me a ideia de exibir a Maria aos olhos de um completo estranho e decidi que o faria. no banco de trás, vendei-a,

quando chegámos, fechei-lhe o casaco, mantive-lhe a venda e ordenei-lhe que ficasse com ela até eu lha tirar. ajudei-a a sair do carro e a caminhar vendada até à porta de um armazém sem qualquer identificação. antes de bater, voltei a abrir o casaco da Maria. estava, agora, vendada, com um seio exposto e com o outro a ver-se através da transparência.

 

 

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Compulsão - 22

Junho 19, 2025

quando a claridade rompe e as palavras novamente se espantam é que o fascínio me invade. em noites assim dormidas, a poesia nasce-lhe nos dedos e espalha-se no meu corpo como fogo em ceara de trigo. algumas insónias ou vigilantes inquietudes noturnas acontecem porque a silhueta vermelha do seu corpo se deita comigo, como se um violino ecoasse desejo pelo meu corpo.
amo-a. amo


apesar de estarmos à porta de casa dela e de a iluminação pública impedir qualquer sombra de nos proteger, fiquei excitado, tive vontade de lhe rasgar as meias e fazer amor com ela ali mesmo. perguntou-me:


antes de entrarmos a Maria fechou o casaco, olhou para mim e sorriu:
- Há que evitar falatórios. Não custa nada. No outro café não era preciso.
- Preferias ter lá ido, não é?
- Não! Eu o que prefiro é estar contigo!
não! eu o que prefiro é estar contigo!
não! eu o que prefiro é estar contigo!
não! eu o que prefiro é estar contigo!
sorrimos os dois.

 

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Compulsão - 21

Junho 18, 2025

- Maria, lembras-te de me ter pedido para ver o que está debaixo daquele lençol e de eu ter recusado? – Perguntei. – Faz-me um favor, baixa um pouco a luz.

- Claro que lembro. Eu nunca esqueço uma nega. – Respondeu, com um sorriso, enquanto baixava a luz e deixava o quarto mais frio e mais cinzento. sem sombras e sem arestas.

- Não foi uma nega. Simplesmente não era a altura certa. Tira lá o lençol.

foi visível o ar de desilusão na sua cara quando destapou o misterioso aparelho:

 

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Compulsão - 20

Junho 15, 2025

no dia seguinte, estava a preparar o jantar, tocou a campainha.

 

 

- Gostas de coelho assado?

assim que fiz a pergunta arrependi-me. sendo sincero, eu não queria que ela jantasse comigo:

- Sim, muito.

merda!

- Ótimo! Jantas cá, pode ser?

não, não, não:

- Sim.

raios:

- Ótimo!

 

- Pronto, eu recebo mulheres masoquistas e submissas. Comporto-me como um sádico e dominador. Nunca há penetração, mas pode-se dizer que só não há penetração. Vou receber hoje uma pessoa.

o sorriso dela descansou-me, mas a reposta surpreendeu-me:

 

- Espera um pouco, Maria. Deve ser a Naomi.

a Naomi é filha de uma japonesa e de um bracarense. é uma mulher linda, uma asiática - de cabelo escorrido, pintado com um gradiente que começa em azul estridente e termina nas pontas do cabelo em roxo profundo. olhos rasgados, mas cor e brilho de céu – e com pele muito clara. entre outras, mais escondidas, uma tatuagem de uma trepadeira florida, desce-lhe da orelha direita, pelo fino e comprido pescoço, atravessa-lhe o ombro e pinta-lhe o exterior do braço até ao cotovelo:

 

 

 

- É um corta-massa. Serve, por exemplo, para cortar rissóis. E isto, claro, é uma venda!

o meu corta-massa é como uma faca, com um cabo ergonómico de plástico, tendo, em vez da lâmina, uma roda dentada com dentes bem afiados. coloquei-me atrás dela, vendei-a e despi-lhe o avental. com o corta-massa a pressionar-lhe a pele, segui-lhe a tatuagem no pescoço, de cima para baixo e, chegado ao cotovelo, voltei ao ombro e comecei a descer, passando pelo seio, em direção ao ventre. quando o corta-massa lhe tocou o mamilo, a Naomi soltou um ligeiro gemido:

 

braços levantados e presos a um ramo por uma corda –, por trás dele um outro homem castigava-o, chicoteando-o.

 

- Não gostei nada daquele gemido. És uma gatinha malcomportada, tens de ser castigada. Sabes que se eu te cortar a jugular morres em menos de um minuto? Se eu – a minha mão abandonou a exploração que estava a fazer dos seus pelos púbicos, deslizou na sua pele e alojou-se no seu coração -, no entanto, te esfaquear aqui a morte é imediata e indolor. Eu preferia golpear-te na barriga. Talvez nem morresses e eu pudesse deliciar-me com a tua expressão de dor e com o contorcer do teu corpo comigo dentro dele. vira-te, debruça-te e apoia-te na cama!

ela obedeceu:

- Maria, abre essa gaveta e tira de lá o chicote. É

 

- Bruno, se me vai penetrar com isso, já posso gemer?

- Não! – Mostrei-me surpreso e respondi, com autoridade e cara de poucos amigos. – Claro que não!

sem que a Naomi notasse,

 

a Maria estava imóvel, de pé, ao lado da cama e olhava para a Naomi com um sorriso e um, indisfarçável, ar triunfal.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Compulsão - 19

Junho 13, 2025

durante o pequeno-almoço assistimos a uma discussão, provavelmente entre mãe e filho. não percebi nada do que diziam, mas só por ouvi-los gritar recuei até ao ponto que a minha psicoterapeuta e o meu psiquiatra concordam em dizer que foi a origem dos meus desequilíbrios. fiquei visivelmente nervoso, ao ponto da Sandra me perguntar o que se passava:
- Nada de especial. Coisas minhas…
- Não queres falar sobre isso?
- Honestamente? Não!
quando andava no primeiro ano da faculdade a minha professora das aulas práticas de Análise Matemática era uma mulher de quarenta e tal anos com piercings e tatuagens - coisas pouco usuais na altura, muito menos numa professora universitária de um curso tecnológico – que se vestia normalmente de cabedal e como se tivesse vinte anos. eu,

Eu sei que faltam aqui coisas, mas apeteceu-me vir já p Lisboa .

 

 

 

 

 

 

 

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Compulsão - 18

Junho 11, 2025

sei, por experiência própria, que o principal prazer trazido pela venda é o não sabermos o que vai acontecer a seguir. por isso, despi-a por completo, rasgando-lhe com vigor alguma da roupa, arrancando-lhe outra e, sem lhe dar qualquer indicação, beijei-a de surpresa em várias partes do corpo. seios. ventre. pernas. a cada beijo o arrepio e o gemido incentivavam o próximo. por fim, deixei que a minha boca lhe caísse sobre o sexo e entrasse com ele numa disputa frenética. ela teve um espasmo e gemeu muito alto:

- Tenta não fazer tanto barulho, Sandra!

- Tens razão, desculpa. Por vezes, o prazer escapa-me em voz alta antes de se traduzir em silêncio.

enquanto falava, pôs as pernas nos meus ombros, a mão sobre a minha cabeça e forçou-me a mergulhar de novo no seu sexo. as pernas dela, assim abertas e apoiadas em mim, deixavam à vista um maravilhoso e aconchegante ninho e bastou ela fazer alguma força, com as pernas e com a mão, para nele me deleitar de novo.

a energia de momentos assim era o que eu procurava em tudo quanto fazia. nunca me chegou o mais ou menos. nunca fui muito de ficar a apanhar sol em praias paradisíacas. sempre gostei mais de caçar e lutar contra qualquer demónio que tentasse transtornar a minha tranquilidade. talvez esse seja um dos motivos pelo qual admiro pessoas com iniciativa e que se sobreponham ao meu frequente desejo de lhes retirar essa iniciativa. resumindo: tenho uma mente muito confusa e que se baralha a ela própria. confesso que, quando penso nisso, não deixo de me admirar como é que no meio desta confusão me mantenho suficientemente profissional para a nossa diretora de projeto me mandar a estas avaliações.

como, por um lado, já tenho alguma experiência nestas situações e, por outro, a Sandra tinha reagido bem a algumas coisas, rapidamente percebi que podia ir mais longe.

levantei-me e pus-me de pé em cima da cama, agarrei-a pelo cabelo e obriguei-a a sentar-se à minha frente e muito próxima de mim. a reação de agrado dela foi tudo quanto precisei. olhei para ela com autoridade, sorri-lhe com desdém e pus-lhe dois dedos na boca. ela sugou-os avidamente, como se estivesse a devorar um pénis que lhe tivesse entrado na boca e lhe tocasse com elevada cadência na garganta. por vezes, engasgava-se, mas nunca deixava de os chupar.

no quarto, substituindo o aroma perfumado (mas neutro) dos quartos de hotel, pairavam agora as inebriantes fragâncias da líbido. o toque e o som dos dedos na célere, incansável e húmida viagem na boca da Sandra, bem como a visão dela sentada, totalmente nua e aberta ao desejo, excitavam-me de uma forma que já se notava nas calças de pijama. a Sandra tirou a venda e sorriu ao ver-me tão excitado. estimulou-me ainda mais, acariciando-me e escapando aos meus dedos para, por cima das calças, alternar mordeduras suaves com simulações de sexo oral.

com gestos rápidos, vigorosos e decididos, forcei-a a ficar de gatas à minha frente. debrucei-me sobre ela e agarrei-lhe com força nos seios. soluçou com prazer quando atingi e lhe torci ligeiramente os mamilos.

a forte iluminação eliminava-lhe todas as sombras e salientava-lhe as, admiravelmente desenhadas, curvas do corpo. refletia-se-lhe na pele como se ela fosse uma vasta fonte de luz. o perfume de quem acabou de sair da praia voltou, assim como a minha vontade de a tratar por doutora.

em pouco tempo, as minhas mãos passaram a conhecer de cor os locais mais quentes no corpo dela. os mais macios e aqueles mais atingidos pelo vento e pelo frio.

voltei a endireitar-me atrás dela. a vista era hipnótica. a minha mão foi flutuando vagarosa, ajudada por um qualquer espírito ou desejo, até ao cabelo dela. entrelacei os dedos nos longos, negros e sedosos fios e estiquei-os, puxando-os. ela inclinou a cabeça para trás e gemeu quase em silêncio.

com a outra mão, primeiro, agarrei-lhe o sexo com força. depois, sem aviso, dei-lhe uma palmada nas nádegas. o som foi seco e ecoou pelo quarto como uma ordem.

apercebi-me da respiração dela a acelerar e da pele a incendiar-se sob os meus dedos. voltei a dar-lhe uma palmada e aumentei um pouco a intensidade da mesma. repeti o gesto várias vezes, até a vermelhidão se confundir com sangue. a cada palmada, o corpo dela respondia com prazer. a Sandra mordia o lábio, mas não pedia que parasse.

rodou de novo e deitou-se. o seu corpo – rígido, mas resplandecente de satisfação –, como se pressentisse a imensidão de beijos, carícias e violência que eu lhe destinava, parecia ansiar os meus lábios e, com a minha ajuda, elevava-se na direção da minha boca.

a língua era lenta, mas afirmava-se com robustez sobre a flor açucarada como se estivesse a dobrar-lhe, com firmeza, cada uma das pétalas. as pernas eram-lhe cordas finas enroladas no meu pescoço e apertavam-mo com a delicadeza de um abraço forte, mas terno.

cada gesto meu era um enigma, uma dança hipnótica que a prendia na estreita fronteira entre o prazer e a dor.

sempre que ela trazia o sexo até à minha boca eu segurava-lhe nas nádegas e, depois da minha língua a fazer vibrar, ajudava-a a descer. guiava-a lentamente, mas com segurança, como quem puxa o céu até à terra. nesse momento, a minha respiração tomava o ritmo de um flamejante galope e, quando chegávamos à altura certa, penetrava-a profundamente. da primeira vez, não conseguiu deixar de misturar surpresa e prazer. das vezes seguintes, queria descer ao meu pénis assim que a minha língua lhe tocava. percebi a ânsia dela e, para satisfazer o prazer de a ver desejar-me, cada vez descia mais devagar e cada vez a penetrava menos tempo.

até que ela se encheu de um desejo maior que ela, impregnou a própria pele com ele e quando me sentiu húmido e rígido, ansioso por descobrir cada recanto da sua incandescência, cruzou os pés atrás de mim, impediu-me de sair de dentro dela e, em vez de se elevar à minha boca, pediu-me com os olhos que a tivesse. agarrei-lhe com força nos seios, puxei-lhe os rígidos e eretos mamilos e possuí-a violentamente até um relâmpago nos atingir em paralelo e me atirar de boca sobre a firmeza dos seus seios – eretos, mesmo com ela deitada – cujos mamilos suguei e onde prolonguei húmidas carícias enquanto nos mantivemos acordados.

quando abri os olhos, já a luz solar se misturava com a iluminação artificial do quarto. a Sandra já estava vestida e pronta para sair. enquanto abria a porta, virou a cabeça para mim, sorriu com mistério e disse jovial:

- Vou tomar um duche, trocar de roupa e encontramo-nos lá em baixo para o pequeno-almoço.

sorri e, com a alegria no rosto de quem acaba de acordar e vencer uma corrida, acenei-lhe que sim com a cabeça.

a noite cumprira a que eu considerava ser uma das suas mais nobres missões: ser um intervalo entre o desassossego e a rotina. um território onde o corpo respira antes de regressar à máquina dos dias.

 

 

 

 

 

 

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Compulsão - 17

Junho 10, 2025

subitamente, provavelmente cansada da minha inércia, de uma forma rápida e continua, a Sandra deixou cair os papéis, atravessou um braço à minha frente, agarrou-me pelo ombro mais afastado e empurrou-me para trás, forçando-me a deitar-me. deitou-se sobre mim, fitou-me imóvel e, alguns segundos depois, aproximou lentamente a boca dela da minha. beijou-me. as minhas tonturas desapareceram com o primeiro toque dos seus lábios. o meu sangue era o gemido do seu corpo e as suas mãos eram, substituindo a lentidão inicial com que a sua boca se aproximou, no meu corpo, a fresca e serena fúria dos oceanos. famintas e quase sôfregas, era como se ela tivesse muitas mãos e nada em mim lhes escapasse.

procurámos o lado mais longo da cama, mas agora era eu que estava deitado sobre o seu corpo. serpenteava sobre ele; imitava os movimentos do amor. agarrei-a no pescoço, como se estivesse a estrangulá-la, mas sem fazer grande força. apenas a necessária para lhe manter a cabeça quieta e os olhos fixos nos meus. apenas a necessária para eu aferir quais os passos seguintes:

- Sandra, posso vendar-te?

respondeu-me com um sorriso irónico:

- Trouxeste uma venda para Roma?

- Claro que não, mas podemos fazê-lo com uma das minhas t-shirts de manga comprida.

voltou a responder-me com o mesmo sorriso, talvez um pouco mais brincalhão:

- Escolhe uma lavada!

pensar que tinha confiado em mim o suficiente fortalecia o meu desejo e aumentava a exaltação do momento. amplificava-a.

da mala tirei uma t-shirt.

despi-lhe o tronco e vendei-a.

a Sandra estava, finalmente, como já várias vezes a imaginei e só pensava em beijar-lhe o corpo todo.

 

 

 

 

 

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Compulsão - 16

Junho 09, 2025

depois de um jantar carregado de múltiplas e mútuas provocações, recolhi ao meu quarto, onde, mesmo de janela entreaberta, o calor me obrigou a preparar a reunião do dia seguinte em calças de pijama e tronco nu.

a minha concentração foi interrompida por um bater na porta que, admito, inicialmente, me causou alguma estranheza, pois, por um lado, não tinha pedido nada ao serviço de quartos e, por outro, eu estava em Itália! não conhecia ali ninguém! pensei que talvez fosse alguma emergência e apressei-me a abrir a porta:

- Dra. Sandra?

- Sandra, por favor. Boa noite, Bruno. Tentei rever a documentação para amanhã, mas o calor e uma inquietação inexplicável impediram-me de avançar. Pensei que, talvez, juntos, conseguíssemos ordenar ideias ou, pelo menos, trocar âncoras e afinar estratégias.

- Claro, Sandra. Entra. Vou só vestir uma t-shirt.

não consegui deixar de reparar que ela já tinha mudado de roupa e que estava absolutamente deliciosa. muito mais descontraída e absolutamente deliciosa. desta vez, estava com um vestido curto e justo, com riscas verticais de várias cores e com um corajoso decote em V. trazia uns sapatos com um ligeiro salto e quase da cor da pele.

parece ainda mais alta. não acredito que ela se tenha vestido assim para rever papelada!

virou a cara de lado e retorquiu baixinho:

- Se não quiseres vestir, ficas bem assim. Há uma certa elegância que não te abandona.

- Diga... diz.

- Nada de especial. Apenas pensava na reunião de amanhã. Falar inglês perante uma audiência ampla ainda me provoca um certo desconforto.

- Pelo menos duas pessoas por parceiro devem estar. Aqui de Itália devem estar mais. De qualquer maneira, nem parece teu. Relaxa. Vamos lá preparar bem o que vamos dizer.

ser eu que estava a tentar acalmá-la e não o contrário era uma novidade. normalmente é ela que se mostra bem mais calma que eu.

estive muito perto de me deitar com a minha solidão, mas agora via o bater do meu coração refletir-se nos olhos dela, era como se uma fogueira se tivesse acendido dentro de mim e fosse ela o lume. agora estava tão perto da mais luminosa alegria que conseguia sentir no sangue o fôlego de um leão:

- Senta aqui! – Sentei-me na beira da cama e bati várias vezes na colcha, indicando-lhe que se sentasse ao meu lado.

sentou-se colada a mim. do seu rosto libertava-se a chama que arde nas manhãs puras:

- A temperatura aqui é quase insuportável... É como se o calor tivesse corpo e decidisse deitar-se connosco. – Disse-me, muito lentamente, olhos agarrados aos meus e com os dedos de uma mão a deslizar com suavidade pelo vale que o decote deixava a descoberto. – O teu quarto também se rendeu ao capricho do aquecimento desgovernado? Também tens o aquecimento avariado?

- Sim, tenho. Mal consigo dormir. Aliás, estou com algumas tonturas e deve ser disso. – Respondi, mas sem conseguir disfarçar algum tremor na voz e que às palavras estava a arrancá-las sabe-se lá de onde. ainda há pouco estava eu a tentar acalmá-la, agora isto. que efeito tem esta mulher na minha fraqueza. está a olhar para mim com o mesmo fulgor e ternura com que o orvalho se deposita de manhã sobre a areia da praia. quero abraçá-la como iria querer um abraço em manhãs dessas.

um olhar mais atento sobre os papéis que tínhamos nas mãos, sem dúvida revelaria, a qualquer pessoa, o nervosismo de ambos. preparar e combinar o que diríamos no dia seguinte já não escondia o que realmente pensávamos e que era cada vez mais óbvio na nossa voz, nos nossos olhares e nos nossos gestos.

 

 

 

 

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Compulsão - 15

Junho 08, 2025

quando chegámos ao hotel, o restaurante ainda não estava aberto, por isso combinámos subir aos quartos e encontrarmo-nos mais tarde.

o calor dentro do quarto esbofeteou-me assim que abri a porta. parecia ser uma barreira invisível entre o quarto e o corredor, uma parede de fogo cuja única função era dificultar, com violência, a minha entrada.

assim que entrei, abri as cortinas para aceder e abrir a janela. os vidros eram modernos, escuros e com um tratamento qualquer que impedia de ver o exterior, ao contrário dos vidros, a caixilharia tinha um aspeto antigo, era de madeira e provavelmente estaria inchada, pois tive de fazer alguma força para vencer o atrito do parapeito.

a vista era desoladora. o hotel e três outros prédios formavam um pátio quadrado, iluminado por uma instalação precária de cinco lâmpadas (uma em cada canto e uma a meio). estava cheio de lixo: eletrodomésticos antigos; televisores velhos – quase todos com o ecrã partido –; bicicletas de várias cores e modelos. só não devia haver lixo orgânico, pois o único odor que se sentia era a mistura de perfumes, deixados pelo sol na muita roupa pendurada nos estendais.

entretanto, bateram à porta do meu quarto. era a doutora Sandra e já tinha mudado de roupa novamente. estava muito elegante e mais sensual que nunca.

o cabelo, muito escuro – sem ser preto –, muito liso e muito longo, estava meticulosamente apanhado num rabo-de-cavalo que lhe pendia da nuca a meio das costas. assim preso e esticado, realçava-lhe ainda mais o olhar sempre espantado e o bem desenhado sorriso.

ela é muito alta.

tinha um vestido preto, de algodão e justo, tão justo como o que usara na viagem e que, mais uma vez, lhe evidenciava as intensas, mas delicadas, curvas do corpo. evidenciando-lhe, em especial, a silhueta e os abundantes seios. com um corte muito original, tapava-lhe o pescoço a toda a volta, mas deixava ombros e braços descobertos. os mais desatentos poderiam dizer que se tratava de uma saia com uma racha enorme e uma criativa blusa, mas um olhar mais atento mostrava que a bonita, magra e longa perna dela estava a espreitar pela racha de um vestido.

a parte da saia ficava um pouco abaixo dos joelhos e a longa racha era de lado, subindo quase até às nádegas e, quase que aposto, era ela que lhe permitia mexer-se dentro do vestido. por sua vez, a parte de cima, tinha, mais ou menos, o formato de um losango que, para além dos ombros e braços, deixava destapados os lados de parte do ventre, liso e brilhante, da doutora. como um cinto, a sublinhar a insinuante cintura, uma corrente fina e prateada brilhava e contrastava, quer com o vestido, quer com a pele dela nos espaços que o losango deixava destapados.

o corte justo, bem como todos e cada um dos pedaços de pele que o vestido mostrava, aumentavam a sensualidade dela:

- Vamos jantar, Bruno? Quero saborear a noite antes que ela se dissolva no trabalho de amanhã.

- Claro, doutora. Deixe-me só ver se tenho alguma coisa para vestir que me deixe à sua altura, mas entre!

- Agradeço. Essas palavras têm um significado especial para mim. – Sorriu e entrou. – Eu dou-te uma ajuda na escolha. Já agora, o meu nome é Sandra e trata-me por tu. Deixa-me ver a tua roupa.

escolheu e pediu-me que eu vestisse um clássico fato preto e uma camisa branca. também foi dela a ideia de eu não usar gravata e de abrir os dois botões de cima.

 

 

 

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As mensagens são privadas e, se usarem dados fictícios, totalmente anónimas.

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