Compulsão - 22
Junho 19, 2025
quando a claridade rompe e as palavras novamente se espantam é que o fascínio me invade. em noites assim dormidas, a poesia nasce-lhe nos dedos e espalha-se no meu corpo como fogo em ceara de trigo. algumas insónias ou vigilantes inquietudes noturnas acontecem porque a silhueta vermelha do seu corpo se deita comigo, como se um violino ecoasse desejo pelo meu corpo.
amo-a. amo
apesar de estarmos à porta de casa dela e de a iluminação pública impedir qualquer sombra de nos proteger, fiquei excitado, tive vontade de lhe rasgar as meias e fazer amor com ela ali mesmo. perguntou-me:
antes de entrarmos a Maria fechou o casaco, olhou para mim e sorriu:
- Há que evitar falatórios. Não custa nada. No outro café não era preciso.
- Preferias ter lá ido, não é?
- Não! Eu o que prefiro é estar contigo!
não! eu o que prefiro é estar contigo!
não! eu o que prefiro é estar contigo!
não! eu o que prefiro é estar contigo!
sorrimos os dois.