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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

D.

Março 11, 2015

Eu e a D. fomos a nossa casa. Decidimos pedir comida e jantar por lá.

Devo ter algum fetiche com balcões de cozinha ou com fatos de treino. É impressionante o estado em que fico quando vejo a D. assim vestida a lavar a loiça. Se calhar o fetiche é com a D. A verdade é que fico louco de desejo.

Já durante o jantar a D. tinha-me enlouquecido fazendo algumas brincadeiras com a comida nos lábios. Nos dela e nos meus. Agarrou batatas fritas como se agarrasse em mim. Comeu como se me beijasse. Bebeu a mordiscar levemente a beira do copo como se fossem os meus lábios que mordia. Sempre com os olhos fixos nos meus. Provocava-me a cada pedaço. Desafiava-me. Quando falava arrastava a voz como que a gemer em vez de falar:

- Estás a deixar-me maluco. – Disse-lhe em tom de aviso.

- Porquê? – Respondeu e perguntou com o ar atrevido de quem sabe a resposta. Os dois carrapitos e o olhar sorridente intensificavam o ar afoito da D. e despertavam ainda mais a vontade que já tinha de fazer do corpo dela uma fonte cristalina onde eu pudesse mergulhar.

- Não sei. Estás bonita e a despertar o meu querer. Estás a estimular o meu sangue. Depois não te queixes.

- Queixar-me? Eu? – Respondeu com um provocante e falsamente tímido sorriso nos lábios.

Motivador.

Tínhamos lá ido para pintar a sala e já durante a tarde, sem saber e provavelmente sem querer, a D. tinha originado em mim um profundo anseio. O jantar estimulou-o e agora estava elevado a uma potência de infinito.

Mesmo que não queira, mesmo sem fazer nada por isso, a D. tem sobre mim um efeito arrepiante que não sei explicar, mas que me leva ao mais estimulante dos estados. Ao expoente máximo do apetite.

Quando acabamos de jantar, vê-la ao balcão, em fato de treino, somado com o que já tinha acontecido durante a refeição, soltou e inflamou todas as hormonas do meu corpo. Ou, pelo menos, a parte que controla os impulsos e os ímpetos.

Sem grandes alaridos, levantei-me e aproximei-me dela. Envolvi-a nos meus braços:

- Essa água a correr está a dar-me uma ideia – murmurei-lhe com pequenos toques dos lábios no pescoço.

- Que ideia? – Perguntou com a voz que sobrava ao ofegante movimento do corpo.

- Vamos tomar duche juntos.

- A ideia agrada-me muito, mas e a digestão?

- Se formos já não é um problema. Tu é que és a médica: devias saber estas coisas.

- Engraçadinho. Tens certeza?

- Tenho.

- Está bem. Já me convenceste. – Disse com voz sorridente.

Já na casa de banho fiquei a observar a sensualidade com que a D. se despia e a forma sugestiva que ela tinha de se dobrar e temperar a água.

Depois de entrar na banheira, a D. olhou-me com olhos brincalhões e convidativos e com um gesto dos ombros despidos perguntou-me se eu não ia. Confesso que estava paralisado com a sensualidade da sua nudez, mas lá me despi e juntei a ela.

Uma vez lá dentro, junto a ela e já com a água a cair-nos pelo corpo, as minhas mãos não paravam de explorar o brilho e a suavidade molhada da sua pele enquanto a beijava nos lábios. Êxtase. Total arrebatamento.

Com as mãos pedi-lhe que se virasse de costas para mim, que se dobrasse um pouco e que se equilibrasse com a ajuda da parede. Ela acedeu, virou-se e fez da parede uma almofada.

Por momentos, enquanto lhe puxava suavemente o cabelo e obrigava a que inclinasse a cabeça para trás, só os gemidos de ambos interrompiam o ritmado silêncio da água a cair e das nossas ancas a baterem uma na outra.

A D. interrompeu o movimento:

- Leva-me para o quarto. Leva-me para a cama.

Obedeci, peguei nela, levei-a para o quarto e deitei-a na cama: costas para baixo. Ela virou-se de imediato, deixando-me de joelhos entre as pernas dela. Eu, já consciente do desejo dela, coloquei-lhe as mãos na cintura e elevei-a ligeiramente até que ela estivesse ao meu nível.

Depois de algum tempo pediu-me que parasse:

- Espera!

- Que foi? ‘Tou a magoar-te? – Perguntei enquanto fazia o que me pedia.

- Não, não é nada disso.

- Então? Que se passa?

- Apressadinho. Já vês.

Levantou-se e pegou numa almofada que largou junto da cama. Ajoelhou-se em cima dela e dobrou-se sobre a cama. Olhou para mim, sorriu apenas com os olhos e disse:

- Assim!

Posicionei-me atrás dela e fiz o que me pediu. Agarrei-lhe as ancas para me ajudar aos movimentos e fiz amor com ela. Primeiro lentamente e depois com a velocidade dos furacões. Depois novamente muito lentamente.

Ao fim de algum tempo, pouco, esticou os braços para trás, elevou-os, virou as palmas das mãos para cima e disse-me:

- Agarra-me!

Fiz o que pediu e agarrei-lhe as mãos. Elevei-lhas um pouco: só o suficiente para a forçar a esticar os braços. Confesso que estava totalmente louco. A visão da sua pele e o reflexo de prazer da sua cara nas portas espelhadas do roupeiro, que tínhamos do outro lado da cama, estavam a dar comigo em doido.

Agarrei-lhe o cabelo e forcei-lhe a cabeça para trás. Depois daquilo, rapidamente explodimos ambos num arrepio imensamente gemido.

Deixei-me pousar sobre as costas dela e o prazer que nos percorria adormeceu-nos ali mesmo – de joelhos.

D.

Março 07, 2015

A D. é médica, trabalha em apoio domiciliário e vem quase todos os dias ao meu prédio. Há uns dias, ao descer as escadas, fiquei quase paralisado com a maravilhosa visão que tive. No fim das escadas, de costas, a chamar o elevador a D. – a iluminar as escadas e o caminho que tinha que fazer até ela.

Como já tínhamos trocado olhares, sorrisos e algumas palavras enchi-me de coragem e aproximei-me dela. Lentamente. Silenciosamente. Secretamente.

Abracei-a e ela, depois de alguma luta e de ver que era eu, fechou os olhos, relaxou o corpo e entregou-se aos meus braços. Os seus gestos iam-me dizendo o que fazer e disseram-me que queriam que a apertasse mais. Os meus braços acederam de imediato e apertaram ligeiramente mais.

Ao sentir que o meu corpo tremeu quando a apertei mais, gemeu baixinho. Agarrou as minhas mãos. Guiou-as. Pressionou-as contra ela. Colocou-as dentro da blusa. Agitação. Calor. Pele. As minhas mãos pareciam ter vida própria. Ofegantes, extasiadas, loucas de desejo percorriam e exploravam cada recanto que alcançavam.

Num movimento único, gesto contínuo, saí de dentro da blusa dela, segurei-lhe nas mãos e elevei-lhas até ela, com a ligeira inclinação do corpo, alcançar o topo da porta do elevador. Beijei-lhe o pescoço e sussurrei-lhe:

- Quero fazer amor contigo. Posso entrar em ti?

- Aqui? És doido?

- Sou. É o que me fazes. É como me deixas.

Fechou os olhos, fez um momento de silêncio e, com um lento aceno da cabeça, disse que sim e disse-me:

- No elevador. É mais discreto. Estamos mais à vontade.

- Sim, querida. Eu, por mim, estou contigo em qualquer lado. Se preferes: entramos.

Uma vez lá dentro, a D. carregou para o sétimo, mas, enquanto me beijava, enquanto me agarrava a cabeça, enquanto me afogava os lábios com os dela, parou o elevador entre o segundo e o terceiro andar.

Com as mãos nos meus ombros conduziu-me até ao chão, até me ajoelhar diante dela. Segurei-lhe nos tornozelos e subi as mãos pela parte de trás das pernas. Li, nos olhos dela, que desejava a minha boca. Com as mãos empurrei-a até mim e, depois de me esconder dentro da saia dela, lancei-me ao mar com a mesma ânsia que um bando de leões na hora de comer.

O pouco espaço, o risco, os gemidos da D. e a força que fazia na minha cabeça elevavam o desejo e rapidamente a fizeram levantar-me e dizer-me:

- Quero-te agora! Faz amor comigo!

D.

Fevereiro 16, 2015

Eu e a D. somos ambos tetraplégicos. Ambos sofremos acidentes e estamos limitados. Duas coisas, no entanto e entre outras, não sofreram qualquer alteração: o sangue e o desejo. Como nada desejamos tão intensamente como aquilo que julgamos proibido, bastou um toque de mãos para querermos muito mais. Para desejarmos também o corpo. Assim que as mãos se tocaram, as vozes também o fizeram e o jardim onde estávamos encolheu na inversa proporção do nosso anseio. De voz trémula, ignorando quem nos acompanhava e lendo os olhos da D., perguntei:

- Qual é o teu livro preferido?

- Como sabes que gosto de ler?

- Disseram-me os teus olhos. Qual é?

- Trópico de Câncer do

- Henry Miller.

- Sim.

- Sabes que já foi adaptado ao cinema?

- Em 1970. Sei.

Conversamos dois minutos e, algo que nunca me tinha acontecido, rapidamente me apaixonei. Inteligência. Cultura. Beleza. Tudo reunido. Ganhei coragem, muita, e perguntei-lhe se queria continuar a conversa em minha casa. Timidamente, baixou a cabeça, sorriu e, depois de breves segundos de silêncio, respondeu que sim.

A caminho de minha casa continuamos a falar de livros e cinema. Descobrimos que temos pouco em comum, mas, como diz o ditado, “os opostos atraem-se” e, pelo menos, eu sentia-me muito atraído.

Lá chegados, após a complicada operação que permitiu usarmos ambos o elevador, entramos e, depois de lhe mostrar a casa, fomos para a sala. Conversamos e rimos muito. Demos as mãos. Aproximámo-nos. O tempo passava demasiado depressa. Respirei fundo, olhei-a nos olhos e fiz uns segundos de silêncio:

- Queres que peça para nos levarem para o quarto?

- Sim, mas não achas esquisito?

- Bruno! – Gritei.

- Que foi? – Gritou o Bruno da cozinha.

- Venham cá!

Chegados à sala (o Bruno e a Sandra – amiga da D.) pararam à porta e o Bruno perguntou:

- Que foi?

- Levem-nos, se faz favor, para o quarto.

Sorriram e fizeram-nos a vontade. Para não constranger a D., já tinha pedido ao Bruno para, caso pedisse para ir para o quarto, nos deitarem na cama sem fazerem qualquer comentário. Foi o que fizeram e depois de eles saírem a D. disse-me:

- Um bocado estranho, não?

- Daqui a nada já nem te lembras.

Com a mão esquerda – a única que mexe – toquei-lhe ao de leve nos lábios, olhei-a nos olhos e sussurrei-lhe:

- Prometo que daqui a nada já nem te lembras.

Beijei-lhe os lábios e, depois de conhecer intimamente cada linha do seu corpo, murmurei-lhe:

- Gostava de elevar-te alguns sentidos. Posso vendar-te?

- Podes. – Respondeu, sem pensar muito, como se já esperasse a pergunta e tivesse uma resposta preparada.

- Também gostava de te tirar a camisola e prender-te as mãos atrás das costas.

- Nunca fiz nada parecido, mas podes fazê-lo se me prometeres que me soltas de imediato se te pedir.

- Claro que sim. Claro que prometo.

Pensar que quase sem me conhecer tinha confiado em mim o suficiente fortalecia o meu desejo e aumentava a exaltação do momento. Amplificava-a.

Duma gaveta tirei uma venda e umas algemas. Despi-lhe o tronco por completo, algemei-a e vendei-a. Ver a D. seminua, vendada e indefesa excitou-me imenso e só pensava em beijar-lhe o corpo. Foi o que fiz.

Sei, por experiência própria, que o principal prazer trazido pela venda é o não sabermos o que vai acontecer a seguir. Por isso, sem lhe dar qualquer indicação, beijei-a de surpresa em várias partes do corpo. Peito. Ventre. Pernas. A cada beijo o arrepio e o gemido incentivavam o próximo.

Limitações impediam que entrasse na D., mas não impediam que o desejasse, que o imaginasse e que o sentisse. O pouco que conseguíamos, foi o suficiente para explodirmos num contorcer que me levou às lágrimas. Tirei-lhe a venda e disse-lhe:

- Provavelmente não será igual, mas temos que repetir.

 

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