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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

o desejo é a sua própria cinza

Novembro 18, 2025

o desejo não é uma noz para ser partida é a sua própria casca vazia e oca o som surdo de um motor que falha

começa na pele o rumor de uma febre que não aquece é um tremor fino nas extremidades a promessa de uma paisagem que nunca existiu

o desejo é a noite que se fecha sobre nós e nos deixa sem estrelas sem faróis apenas a humidade de um beijo que se perdeu

é a cor da ausência a forma exata do que não temos e que nos rói o miolo do peito como um verme paciente

o corpo é o seu túmulo o lugar onde o desejo se enterra vivo e fica a arder em silêncio uma brasa que não se apaga mas que também não ilumina

somos a combustão lenta desta matéria incandescente que só encontra a paz quando se torna cinza e se mistura com o pó das ruas e o fim dos dias.

#69

Setembro 23, 2025

há desejos que não cabem no silêncio.
eles ardem como se fossem feitos de febre,
um incêndio que não pede licença para nascer.

a intensidade não é sempre grito — às vezes é tremor,
um pulsar escondido que percorre o corpo
e insiste em não se deixar domar.

o desejo, quando chega assim,
não aceita medidas ou metades.
pede tudo: pele, tempo, pensamento.
e mesmo quando se tenta negar,
fica a marca, como brasas de um fogo apagado
que ainda guardam calor.

há quem fuja dessa força,
há quem a procure como quem procura ar.
porque viver com intensidade é arriscar-se a cair,
mas também é a única forma de sentir inteiro.

no fundo, o desejo não é só querer —
é o peso e a leveza de existir em chama.

és profundo florir...

Dezembro 23, 2020

és profundo florir

pétala vermelha

caule do meu desejo

flor acabada de nascer

 

és o lume no meu sangue

e a fagulha na minha boca

as asas do meu voo noturno

e o toque azul do céu

 

tens a transparência dos meus sonhos

no silêncio puro

e no sorriso pleno

 

contigo caminho pela memória

e rio e choro

como se um furacão me habitasse

.

Dezembro 10, 2020

olho o mar: cada onda me recorda a primavera, arqueada na tua pele. o branco: a rebelião no teu grito, a avidez dos dedos a penetrarem a juventude. o azul: sereno, infindável, forte. a recordação da tua voz.

o persistente e fresco perfume, deixado pelo sal e pelos teus olhos fechados, era o hálito do nosso desejo. a fagulha. o princípio do fogo, o início do infinito. o lume no nosso sangue. momentos cálidos em que os gestos de cada um eram os gestos do outro e, outra vez, o mar. agora, nos teus dedos.

o amor era urgente e tu eras urgente. era urgente a certeza da incerteza e, outra vez, o mar. dos dedos aos lábios.

.

Novembro 27, 2020

tens a pele que percorro nos sonhos. a lisura por onde, todas as noites, escorrego até ao campo de tulipas lilases no teu ventre. na difícil espuma da rebentação, na intacta memória e na geometria do corpo, a tua pele é a colher cheia de mel, a estrada lisa que me liga ao amor.

tens a voz que se eleva do mar como se fosse o Sol a nascer no horizonte. sei, pelos arrepios que me provoca, que é a tua voz, mas vejo-a como manta solar ou como eterna fogueira que me arde no sangue. é um mundo de gemidos que me penetra pela mente e ocupa todos os caminhos até ao coração.

é tão óbvio que já deve ter sido dito: lembrar-te no passado, permite-me desejar um futuro contigo presente. no teu sorriso longo, fulgor que vai além do infinito, fica o nascimento. sonho em descer as suas vertentes e navegar nos teus lábios até às margens do teu beijo. por enquanto, tenho apenas o silêncio ardente dos pássaros, a solidão das estrelas e a cruel navegação da saudade no corpo. é silêncio o rumor do mar na geometria do teu sorriso. a única lei que existe é a do teu sorriso, é nele que repousam o infinito e o sonho, é a ele que devemos as serras e a poesia. sem ele eu sei que nada morre, mas os rios secam e o ar rareia, sem ele sobra apenas a cegueira.

em cada um dos teus olhos, permanentes quimeras que o universo desenha na minha cama com dedos de fogo, é possível adivinhar o lume e conseguem-se ver o mar, os rios e a terra molhada.

só nas nuvens se consegue escrever as tuas mãos e apenas no calor é que elas se movem lentas. inerente ao prazer do toque está a tua respiração e a energia que ela transmite e revela aos sismos.

.

Novembro 26, 2020

amo os corredores que abres no meu corpo e os rios de cristal que te correm entre os lábios – que te navegam entre os lábios como navios leves. o teu fulgurante sorriso é uma cidade acordada. acesa. uma cidade que flutua em recordações. uma cidade de desejo com telhados de furor e ruas abertas entre a tranquilidade e o vermelho. uma cidade em que, em cada janela, há uma mulher a cantar e a beber mel entre cada estrofe, onde, em cada janela, há uma manta estendida a indicar que é aquela a morada do Sol.

todas as noites, sinto-me a solidão a percorrer uma rua até ser de manhã. cambaleante. um tronco à deriva na imensidão. no entanto, basta sonhar a tua silhueta para que peixes, transparentes e brilhantes como vidro, nadem pelas ruas do infinito, protegidos pela densidade do silêncio. nadem alegres. como se dançassem.

não permitas que me escondam o teu corpo. só com ele sei o mundo, só ele me ajuda a dormir. não permitas que me escondam a tua alma. só com ela sei o sonho, só ela me ajuda a respirar.

Y., enquanto as palavras esperam o sono, é a nudez imaginada na imobilidade das imagens que me incendeia o corpo numa fogueira de desejo e os lábios da vontade em gemidos de mar crepitante. sentir-te uma vez é nunca mais conseguir esquecer-te. agora que só as pedras respiram e os teus dedos apenas apertam palavras no ventre esquecido dos versos é o beijo que vejo. agora que navegamos em rios distantes e o teu grito se eleva dos poemas, como se voasses pela minha sombra, é o sorriso que recordo. são inúteis as tentativas, há sempre um qualquer instrumento nas tuas mãos que remexe e reaviva o fogo.

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