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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

és profundo florir...

Dezembro 23, 2020

és profundo florir

pétala vermelha

caule do meu desejo

flor acabada de nascer

 

és o lume no meu sangue

e a fagulha na minha boca

as asas do meu voo noturno

e o toque azul do céu

 

tens a transparência dos meus sonhos

no silêncio puro

e no sorriso pleno

 

contigo caminho pela memória

e rio e choro

como se um furacão me habitasse

.

Dezembro 10, 2020

olho o mar: cada onda me recorda a primavera, arqueada na tua pele. o branco: a rebelião no teu grito, a avidez dos dedos a penetrarem a juventude. o azul: sereno, infindável, forte. a recordação da tua voz.

o persistente e fresco perfume, deixado pelo sal e pelos teus olhos fechados, era o hálito do nosso desejo. a fagulha. o princípio do fogo, o início do infinito. o lume no nosso sangue. momentos cálidos em que os gestos de cada um eram os gestos do outro e, outra vez, o mar. agora, nos teus dedos.

o amor era urgente e tu eras urgente. era urgente a certeza da incerteza e, outra vez, o mar. dos dedos aos lábios.

.

Novembro 27, 2020

tens a pele que percorro nos sonhos. a lisura por onde, todas as noites, escorrego até ao campo de tulipas lilases no teu ventre. na difícil espuma da rebentação, na intacta memória e na geometria do corpo, a tua pele é a colher cheia de mel, a estrada lisa que me liga ao amor.

tens a voz que se eleva do mar como se fosse o Sol a nascer no horizonte. sei, pelos arrepios que me provoca, que é a tua voz, mas vejo-a como manta solar ou como eterna fogueira que me arde no sangue. é um mundo de gemidos que me penetra pela mente e ocupa todos os caminhos até ao coração.

é tão óbvio que já deve ter sido dito: lembrar-te no passado, permite-me desejar um futuro contigo presente. no teu sorriso longo, fulgor que vai além do infinito, fica o nascimento. sonho em descer as suas vertentes e navegar nos teus lábios até às margens do teu beijo. por enquanto, tenho apenas o silêncio ardente dos pássaros, a solidão das estrelas e a cruel navegação da saudade no corpo. é silêncio o rumor do mar na geometria do teu sorriso. a única lei que existe é a do teu sorriso, é nele que repousam o infinito e o sonho, é a ele que devemos as serras e a poesia. sem ele eu sei que nada morre, mas os rios secam e o ar rareia, sem ele sobra apenas a cegueira.

em cada um dos teus olhos, permanentes quimeras que o universo desenha na minha cama com dedos de fogo, é possível adivinhar o lume e conseguem-se ver o mar, os rios e a terra molhada.

só nas nuvens se consegue escrever as tuas mãos e apenas no calor é que elas se movem lentas. inerente ao prazer do toque está a tua respiração e a energia que ela transmite e revela aos sismos.

.

Novembro 26, 2020

amo os corredores que abres no meu corpo e os rios de cristal que te correm entre os lábios – que te navegam entre os lábios como navios leves. o teu fulgurante sorriso é uma cidade acordada. acesa. uma cidade que flutua em recordações. uma cidade de desejo com telhados de furor e ruas abertas entre a tranquilidade e o vermelho. uma cidade em que, em cada janela, há uma mulher a cantar e a beber mel entre cada estrofe, onde, em cada janela, há uma manta estendida a indicar que é aquela a morada do Sol.

todas as noites, sinto-me a solidão a percorrer uma rua até ser de manhã. cambaleante. um tronco à deriva na imensidão. no entanto, basta sonhar a tua silhueta para que peixes, transparentes e brilhantes como vidro, nadem pelas ruas do infinito, protegidos pela densidade do silêncio. nadem alegres. como se dançassem.

não permitas que me escondam o teu corpo. só com ele sei o mundo, só ele me ajuda a dormir. não permitas que me escondam a tua alma. só com ela sei o sonho, só ela me ajuda a respirar.

Y., enquanto as palavras esperam o sono, é a nudez imaginada na imobilidade das imagens que me incendeia o corpo numa fogueira de desejo e os lábios da vontade em gemidos de mar crepitante. sentir-te uma vez é nunca mais conseguir esquecer-te. agora que só as pedras respiram e os teus dedos apenas apertam palavras no ventre esquecido dos versos é o beijo que vejo. agora que navegamos em rios distantes e o teu grito se eleva dos poemas, como se voasses pela minha sombra, é o sorriso que recordo. são inúteis as tentativas, há sempre um qualquer instrumento nas tuas mãos que remexe e reaviva o fogo.

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