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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

S. (2)

Junho 11, 2025

Não sei se é abstinência.
A palavra parece limpa demais, clínica demais, como se fosse só uma decisão voluntária de parar.

Isto é outra coisa.

Isto é o corpo a gritar por uma coisa que não pode alcançar. É carne viva fechada numa caixa de vidro. É o sangue a acumular-se em partes que não mexem. É o cérebro a disparar imagens que o corpo não executa. Um castigo. Um ciclo fechado: desejo, frustração, silêncio. Repetir.

Desde que ela entrou — a S. — não penso noutra coisa. Não é só tesão. É obsessão. É ódio por precisar dela. É fome, mas com vergonha de estar faminto.

Começou subtil. O cheiro do cabelo. O toque de luvas na minha pele. O olhar demorado demais. Depois, a forma como ela se inclinava sobre mim quando mudava os lençóis, os seios a roçarem sem querer — ou não tão sem querer assim. O corpo dela começou a ocupar espaço dentro do meu. Memória tátil. Fantasma com cheiro.

E eu? Imóvel. Rígido. Não por ereção — por raiva.

Cada vez que ela sai, o quarto fica a cheirar a lavanda e a humidade. E eu fico a arder por dentro. Como um cão acorrentado à espera de um dono que vem só para o provocar. Desejá-la tornou-se inevitável. Não porque ela é bela. Mas porque ela está ali. Porque ela pode tocar. E eu, não.

A abstinência forçada transforma tudo. Não é só vontade de foder. É vontade de existir. É o instinto mais primário a bater contra paredes sem saída. Acordo com o lençol húmido e nem sei se foi suor, raiva ou qualquer ejaculação fantasma. Sonho com ela sem querer. Masturbar-me seria um alívio — se pudesse. Mas não posso. E isso só piora tudo.

Ela sabe.
Vê-me a reagir. Vê a vergonha nos meus olhos.
E continua. Cada toque dela agora tem a precisão de uma agulha cirúrgica. Provoca, mede, recua.
Ela alimenta o desejo como quem engorda um porco antes do abate.

E eu continuo aqui.
Preso entre o desejo que me destrói e o corpo que não responde.
Um homem inteiro, reduzido ao que sobra: pulsação, memória, e vontade de rasgar tudo.

Incluindo ela.
Incluindo a mim mesmo.

Compulsão - 13

Junho 06, 2025

ao entrar, os meus receios confirmaram-se: o quarto era minúsculo, estava um calor imenso, era alcatifado e, não menos importante, a decoração em nada tinha a ver com a da receção:

nitidamente houve ali uma tentativa de combinar as duas coisas, mas, para dizer a verdade, parecia que um animal tinha ficado ferido na janela e ido morrer à cama.

sentei-me na beira da cama, camisa meio desabotoada e mãos confusas. o suor escorria lento pelas costas. tirei os sapatos com movimentos mecânicos, mas o corpo não queria repouso. olhei de novo para a porta. na minha cabeça repetia-se: se precisares de ajuda com alguma coisa… bate.

no fundo, o hotel era uma mentira. uma mentira contada até à exaustão. uma mentira que todos conhecem, mas em que todos fingem acreditar. viver de aparências, afinal, não é um exclusivo português. por todo o lado, se substitui a sociedade de consumo pela das aparências.

 

mulher amordaçada, uma feiticeira que o tempo se encarregou de transformar em resíduos de sangue e musgo esverdeado. passa os dias a observar as peras e nêsperas de árvores de jardim que nunca dão fruto. no terceiro andar, mora outra mulher igual que nunca vem à janela. na única varanda sem marquise, um vitral

no primeiro mora a única família completa. gosto quando brincam os quatro com o labrador, o mesmo que alguém já tentou envenenar. neste bloco existem mais oito prédios, mas não conheço ninguém. como tenho garagem raramente me cruzo com quem quer que seja. moramos todos muito longe de tudo, moramos todos muito longe de todos, mas temos um jardim, que ninguém usa, com árvores de fruto que nunca dão fruto.

enquanto comíamos, combinámos o percurso para a tarde e trocámos algumas provocações, que, como temos um humor semelhante, tornaram o almoço muito animado. já o voo e a viagem de táxi tinham sido, mas a cumplicidade crescia muito a cada segundo.

 

 

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Compulsão - 12

Junho 05, 2025

quando saímos do avião – e do aeroporto –, entrámos num táxi e como a doutora Sandra fala um pouco de italiano, assumiu ela a comunicação com o condutor. apesar de eu não reconhecer o nome do hotel onde ficaríamos, estava a reconhecer partes do caminho e isso deixava-me preocupado. por vezes, ela levantava-se e inclinava-se para falar com o taxista. nesses momentos, tudo em mim paralisava: pernas, braços, até a mente. só no pénis sentia algum movimento.

os três e o carrinho das malas praticamente não deixávamos nenhum espaço livre. quando a porta se fechou, o carregador fechou uma outra: uma grade em metal que se abria e fechava como um fole.
Meu Deus! Isto não se usa há décadas! – Pensei.
as subidas nádegas da doutora e os seus firmes seios dispararam o meu apetite. levantei-lhe o vestido, segurei-lhe no cabelo e possui-a. quando o elevador parou, fechei os olhos com força e abri-os novamente. olhei em volta e tudo estava calmo, a minha imaginação e o meu desejo tinham controlado os últimos segundos.


a doutora Sandra, com um sorriso que, mais do que provocação, era convite, dirigiu-se para a porta de um dos quartos e, enquanto a abria, torceu-se para mim e disse:
- Se precisares de ajuda com alguma coisa… bate.
antes de entrarmos, combinei com ela almoçarmos juntos no hotel e aproveitar a tarde para darmos um passeio.

 

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