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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

...

Dezembro 12, 2025

no teu corpo nasce a primavera,
a vida
e a madrugada —
nasce o pressentimento do desejo

e, como cria faminta,
o meu espera por ser sol
e arder com ele
ou cantar

finalmente,
quando o primeiro lume romper o silêncio,
o desejo, ainda tímido,
vai-se alongar como água numa fenda.

...

Outubro 06, 2025

tu deixas que te conduza
não por poder mas por vertigem
por esse instante em que o corpo
esquece o nome e aprende o amor

o quarto é uma sombra suspensa
onde a submissão se transforma em rito
e o desejo ao cumprir-se
é apenas outra forma de silêncio

...

Setembro 24, 2025

há um murmúrio de astros na tua boca
e eu bebo-te como quem se afoga num céu sem fundo
sem querer voltar à superfície

Asa

Agosto 15, 2025

eu via-a. a Asa. desenhada no ar, uma asa, mas de carne. a pele, um campo onde tudo podia nascer e nascia. ela tirou a blusa. eu não olhava os volumosos seios. não.

olhava o ventre. o ventre que se abria. não em cicatriz, mas em lábios. lábios húmidos e finos que se desenhavam de cada vez que respirava.

eu estendi a mão. quis tocar. eles, os lábios, abriram-se mais. falaram-me. sussurravam o meu nome.

Asa. Eu.

a mão tremia. toquei-a. e a minha mão afundou-se. a minha mão, os dedos, o pulso, afundaram-se naquele orifício que era ventre.

havia sangue. havia suor. e o meu nome. o meu nome que era agora uma semente plantada lá dentro. e eu a crescer em Asa. a desabrochar. a rasgar-lhe o corpo em flores de carne.

...

Agosto 13, 2025

ensina-me o abismo simples:
o teu riso encostado ao meu dente,
a tua respiração a medir os quartos,
um lençol revolto – cartografia bruta

Asa

Agosto 04, 2025

A pele dela abriu-se devagar, como fruta madura. De lá saiu um som húmido, quase um lamento. Toquei. A carne tremia, quente, viva. Entrei sem saber se era desejo ou febre.

Ela sussurrou o meu nome com a boca cheia de dentes que não estavam lá antes.

Fiquei.

Talvez por amor. Talvez por não conseguir sair.

Compulsão - 23

Junho 24, 2025

senti-me genuinamente feliz quando entrámos no café e vi que, excluindo funcionários, estava totalmente vazio. não sofro de demofobia, não tenho sensações de desmaio, nem ataques de ansiedade e nem sequer evito situações onde sei que estarei exposto a muita gente. é mais uma questão de “não gosto e pronto”.

 

apesar disso, agradava-me e, mais que isso, seduzia-me a ideia de exibir a Maria aos olhos de um completo estranho e decidi que o faria. no banco de trás, vendei-a,

quando chegámos, fechei-lhe o casaco, mantive-lhe a venda e ordenei-lhe que ficasse com ela até eu lha tirar. ajudei-a a sair do carro e a caminhar vendada até à porta de um armazém sem qualquer identificação. antes de bater, voltei a abrir o casaco da Maria. estava, agora, vendada, com um seio exposto e com o outro a ver-se através da transparência.

 

 

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