#69
Setembro 23, 2025
há desejos que não cabem no silêncio.
eles ardem como se fossem feitos de febre,
um incêndio que não pede licença para nascer.
a intensidade não é sempre grito — às vezes é tremor,
um pulsar escondido que percorre o corpo
e insiste em não se deixar domar.
o desejo, quando chega assim,
não aceita medidas ou metades.
pede tudo: pele, tempo, pensamento.
e mesmo quando se tenta negar,
fica a marca, como brasas de um fogo apagado
que ainda guardam calor.
há quem fuja dessa força,
há quem a procure como quem procura ar.
porque viver com intensidade é arriscar-se a cair,
mas também é a única forma de sentir inteiro.
no fundo, o desejo não é só querer —
é o peso e a leveza de existir em chama.