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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

noite

Setembro 21, 2025

há um silêncio que me desfolha lentamente

como se fosses tu a passar os dedos pelas minhas margens

e eu fosse um livro esquecido numa estante de sombras

 

o corpo — esse lugar onde a luz se extingue —

abre-se como uma flor que só respira ausência

e tu entras, sem pedir, como o vento que sabe todas as janelas

 

há um murmúrio de astros na tua boca

e eu bebo-te como quem se afoga num céu sem fundo

sem querer voltar à superfície

 

a pele aprende o idioma da penumbra

e cada gesto teu é uma constelação que me redesenha

como se eu nunca tivesse sido antes de ti

 

entrego-me inteiro

como quem se despe para desaparecer

como quem se dissolve no sal de um mar que não tem nome

 

e tudo o que resta é este lume

lento

a arder no centro do que já não sou

mas que ainda te espera

MEMÓRIA DO FOGO - #8 - MARÉ SECRETA

Maio 20, 2025

há noites em que o teu nome
chega antes do sonho,
como o sal que fica nos lábios
depois do mergulho.

então, recordo:
teus dedos traçando caminhos
na pele acesa —
sem pressa, sem mapa,
apenas o toque
a inventar o mundo.

no escuro, somos silêncio,
mas dentro do peito
uma maré secreta
não cessa de subir.

e mesmo longe,
há em mim o eco do teu corpo:
como areia quente,
como brasa adormecida.

 

Capa

 

MEMÓRIA DO FOGO - #6 - ENTREGA

Maio 19, 2025

na noite que nos envolve

não há pressa nem palavras —

só a pele que fala,

e o silêncio que se entrega.

 

tu és o fogo que não se apaga,

a maré que volta sempre,

e eu, navegante sem rumo,

perco-me no teu corpo aberto.

 

a memória é essa brasa viva,

que arde em cada toque lento,

e no escuro, onde tudo cala,

descubro-te inteira, inteira.

 

Capa

 

tínhamos procurado...

Janeiro 13, 2021

tínhamos procurado o refúgio noturno da praia. fabricávamos o azul. as minhas mãos alternavam entre as cerejas e o muito húmido mar. estávamos tão juntos. entre nós só cabiam a ternura noturna e o azul. e o vermelho. a confusão dos corpos e o ardor do mar. por vezes, o rumor ou a explosão.

a noite estava plena de lua, os seus braços estendiam-se até ao teu rosto e acariciavam-no, abrilhantando-o com reflexos de prata. o teu rosto sob a lua. fulgurante. claro.

as mãos e as vertigens.

a pele.

lembras-te de como as tuas mãos derramavam desejo?

lembras-te de como as tuas mãos derramavam desejo?

sentia-me mais bonito nas tuas mãos. ainda sinto. máquinas do tempo. viajavam-me nas costas imitando uma fera enjaulada, repetindo incansavelmente o percurso entre cada ombro. só o calor do teu corpo tornava real o momento. tudo o resto me parecia sonho: as cerejas no teu corpo; as estrelas refletidas no teu sorriso; as serpentinas azuis; a textura das tuas pernas.

pensávamos ser ilha.

as ondas marcavam o ritmo do corpo. o ritmo do nosso amor. os teus lábios despertavam arrepios em partes que eu não sabia ter. eu mordia, chupava e saboreava as cerejas. segurava-te os braços contra a areia. forçava-te a unir as mãos sobre a cabeça e mantinha-as algemadas com o meu desejo. naquela posição, quando arqueavas de prazer, os teus seios quase rasgavam a camisa e erguiam-se para a noite como que implorando ar.

.

Dezembro 20, 2020

tínhamos procurado o refúgio noturno da praia. fabricávamos o azul. as minhas mãos alternavam entre as cerejas e o muito húmido mar. estávamos tão juntos. entre nós só cabiam a ternura noturna e o azul. e o vermelho. a confusão dos corpos e o ardor do mar. por vezes, o rumor ou a explosão.
a noite estava plena de lua, os seus braços estendiam-se até ao teu rosto e acariciavam-no, abrilhantando-o com reflexos de prata. o teu rosto sob a lua. fulgurante. claro.
as mãos e as vertigens.
a pele.
lembras-te de como as tuas mãos derramavam desejo?
lembras-te de como as tuas mãos derramavam desejo?
sentia-me mais bonito nas tuas mãos. ainda sinto. máquinas do tempo. viajavam-me nas costas imitando uma fera enjaulada, repetindo incansavelmente o percurso entre cada ombro. só o calor do teu corpo tornava real o momento. tudo o resto me parecia sonho: as cerejas no teu corpo; as estrelas refletidas no teu sorriso; as serpentinas azuis; a textura das tuas pernas.
pensávamos ser ilha.

.

Dezembro 07, 2020

acordei para o sonho. ao meu redor: de novo ternura. passei a noite com ela nos lábios – e na boca – e na pele. o dia já se faz de Sol. de calor. ela é o dia. a manhã fresca. ela é o meu desconforme: a desproporcionada largura que as palavras me permitem. de noite faço do seu sono o meu abrigo. resguardo dos meus desejos. estou sedento e bebo as manhãs que nascem com ela: na claridade do seu corpo despido. mesmo adormecida, faz amor com os caminhos tortuosos da minha mente, com um relâmpago imaginado no corpo já contorcido pelo orgasmo. olho-a e sei que existe a palavra certa, mas tenho apenas o infinito para ela e pode ser pouco: tenho medo.

.

Dezembro 01, 2020

são longas e fatigantes as noites sem ti

envelhecem como se o infinito me afogasse

como se rios me corressem na pele

e nas mãos me habitassem sulcos

MEMÓRIA DO FOGO

Novembro 25, 2020

a noite traz sempre

a alegria da memória.

em tantas te beijei.

eras tu, eu e ela.

nos caminhos do mar,

nas areias.

lembras-te?

 

lembro que

a tua língua

era a pele ligeira

de um pêssego

e que os teus lábios

eram a provocação das rosas:

o nosso infinito é agora,

dia e noite e dia.

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