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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

A BOCA, O SOL

Julho 17, 2024

os teus lábios

entreabertos ao sonho

criam a refeição perfeita

à minha fome

 

suspeito

haver uma flor

ou seda

escondida por eles

 

são fogueira vibrante

- prenúncio de um sol secreto –

e destino dos arcos

 

escondem a certeza da história

com promessas

de brilho

 

 

VISTO AQUI DA LENTIDÃO NOTURNA…

Julho 15, 2024

visto aqui da lentidão noturna

o sorriso permanece marítimo

apesar da névoa que o envolve

 

os olhos continuam bem acesos

como chamas a brilhar sob a lua

ou pedaços copiados de horizonte

 

a súbita nudez é a tontura vermelha

a cambalear pelas insónias dentro

é a forma de claros prazeres claros

 

mergulhar despido no mar é tudo tudo

e depois há as pernas e a curva do corpo

a seduzirem o mundo como serpentes

Os Amantes

Julho 14, 2024

antes de começarem a viagem

apagam a luz com lentidão e cuidado

mergulham na saliva

e fingem estrangular uma flor

 

na silhueta da nudez

nota-se:

o caminho para o olimpo

não é plano no início

 

começa por haver

dois verões lado a lado

a ensinarem poesia

à boca faminta

 

antes do paraíso

os dedos deslizam no vidro

até ao perfumado estuário

e aguardam um gesto insinuante

 

seguem-se o desassossego

o mel viciante

e a breve tontura –

ébrios e entregues à avidez

 

à vertigem

seguem-se o gemido

e os arcos

como se a terra tremesse

MEMÓRIA DO FOGO

Julho 13, 2024

a noite traz sempre

a alegria da memória.

em tantas te beijei.

eras tu, eu e ela.

nos caminhos do mar,

nas areias.

lembras-te?

 

lembro que

a tua língua

era a pele ligeira

de um pêssego

e que os teus lábios

eram a provocação das rosas:

o nosso infinito é agora,

dia e noite e dia.

DA LENTIDÃO E PRECISÃO DOS VIOLINOS…

Julho 11, 2024

da lentidão e precisão dos violinos
emerge a imagem parada
e o sangue acelera
com a memória que
o corpo tem do corpo
e a língua de fogo da língua

a imagem é só imagem
e mesmo assim recorda
a silhueta do amor
e a pele
recorda que são lunares
as flores de cabelo
que são solares o toque
e os lábios

ENCANTA-ME…

Julho 10, 2024

encanta-me
a delicada curva azul
formada
por ombros e pescoço

um pássaro e um peixe
silentes
unidos pelo prazer
penteados pelos meus olhos

até chegar à substância
dos sonhos
uma planície tranquila
abre-se às minhas mãos

como uma lágrima
escondida entre leite e mel
o brilho aguarda e acolhe
os dedos demorados

AMO A BOCA DEDICADA…

Julho 09, 2024

amo a boca dedicada

aos caminhos que o sol percorre

até às pupilas

onde o brilho repousa

 

como animais fosforescentes:

cada palavra com o aroma da ternura

ou talvez com o rumor das lâmpadas –

o verão de antigamente em cada uma

 

não ousava nem sonhar tanto fulgor

não imaginava que palavras ardessem assim -

espadas de luz no meu corpo primitivo

 

foram a rápida floração do azul e

provocaram-me sismos por todo o lado

sem precisarem de uma voz que as dissesse

DA BOCA SOLTA-SE-LHE…

Julho 08, 2024

da boca solta-se-lhe

a impossibilidade das rosas azuis

como se a voz lhe fosse uma chama

de amor rente às nuvens

 

cada palavra é luz

ou exaltação do rosto

– ouso

transformá-las em poema

 

é um rumor solar

que me entra pelo sangue

e espanta as aves

 

como o dourado dos campos

ou livro de contos aberto

mas sempre de agosto

Rosas azuis

Julho 07, 2024

apenas o brilho quase secreto

me ilumina nos labirintos

de frio silêncio e escuridão

 

dentro dele algumas estrelas

 

já não sou casa

sou somente foice

 

já não tropeço em poemas

 

só a claridade

traz o sangue necessário

e os verbos sonhados

 

 

CIDADE ACESA

Julho 06, 2024

amo os corredores que abres no meu corpo e os rios de cristal que te correm entre os lábios – que te navegam entre os lábios como navios leves. o teu fulgurante sorriso é uma cidade acordada. acesa. uma cidade que flutua na tua voz. uma cidade de desejo com telhados de furor e ruas abertas entre a tranquilidade e o vermelho. uma cidade que, em cada janela, tem uma mulher que canta e bebe mel entre cada estrofe, onde, em cada janela, há uma manta estendida a indicar ser aquela a morada do sol. uma cidade com dez mil fábricas de ternura.

 

 

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