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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

#72 garras de silêncio

Dezembro 07, 2025

a solidão é um monstro de chamas que arde em silêncio, devorando o peito, cortando o ar com garras afiadas. ela envolve, sufoca e não deixa escapar. um peso invisível que nos faz sentir tão sozinhos - tão vazios. ela dança nas sombras, sussurra mentiras ao ouvido: não és suficiente; ninguém te vê; estás esquecido. o silêncio é o seu aliado, um cúmplice cruel, que amplifica o vazio, até que o coração se sinta um abismo sem fundo. no entanto, a solidão não é apenas ausência, é um geco que se agarra à pele, um zumbido que não cessa. é a espera por um toque que não vem, um sussurro que se perdeu no vento, um eco que se desvanece.

quando pensamos que podemos escapar, ela está lá, à espreita, pronta para atacar. com garras afiadas, corta o ar e faz-nos sentir que estamos a morrer, devagar.

#71

Outubro 25, 2025

Solidão de Chumbo


A solidão não tem música nem tem pressa. Tem o peso, sim, de um bloco de chumbo que se instalou no centro do meu peito, roubando espaço aos pulmões e aos batimentos. Não é ruidosa, nunca. Apenas... comprime. Ninguém a vê, a não ser eu, enquanto me observo encolher — os ombros curvados como se tentassem anular a minha própria altura, o pescoço a retrair-se para dentro da camisola. Ela é um mestre silencioso na arte de nos tornar pequenos, de nos encurtar contra a vontade.

É uma gravidade pessoal, que só atua em mim. Cada passo é lento, cada movimento é uma luta contra este lastro invisível que me obriga a andar curvado, a proteger o corpo do frio que irradia do seu toque. Ela não precisa de gritar ameaças; a sua presença é a promessa de que nada se moverá ou mudará. E é esse silêncio, essa inércia fria, que pesa mais que o chumbo, mais que o meu corpo inteiro, até que a solidão me tenha moldado à sua imagem: uma figura quieta, de contornos esbatidos, habitando um espaço onde o eco da minha voz não tem tempo de regressar.

#70

Outubro 22, 2025

a solidão tem corpo. ninguém acredita quando digo, mas eu já a vi — imóvel, branca, feita de gelo e silêncio, respirando vapor frio no canto do quarto. não grita, não se anuncia. apenas chega. e o ar, de repente, torna-se espesso, cortante, como se cada inspiração viesse com lâminas escondidas.

move-se devagar, quase elegante, arrastando um silêncio que pesa mais que o próprio corpo. as garras, finas como agulhas de inverno, pousam sobre o meu peito — e ali ficam, sem força visível, mas suficiente para me roubar o fôlego.

é assim que ela me possui: com uma calma glacial que não aceita resistência.

#61

Junho 27, 2025

há silêncios que confortam - e outros que pesam. estar sozinho pode ser escolha, descanso, espaço para respirar. solidão, essa, chega mesmo quando há gente por perto. é o vazio que não se preenche com palavras ou presenças, porque vive dentro. estar sozinho é presença inteira consigo mesmo; solidão é ausência até de si. e às vezes confundem-se, trocam-se, disfarçam-se uma na outra. mas quem sente sabe: há dias em que o silêncio abraça e outros em que consome. talvez por isso se escreva - para se ouvir por dentro, para não se desaparecer de vez. porque há vazios que não se calam, mas também não se explicam.

 

A Casa Por Fazer

Junho 12, 2025

Inspirado por Trivial (https://contame-historias.blogs.sapo.pt/trivial-186383). Poema que gosto muito. Espero que a autora não se importe.

 

Estamos cheios de silêncio.
A morte passa —
leve, quase nada.
Um sopro de sorte,
um golo de sol
na boca da tarde.

Sobe o gesto,
entre a dobra da camisa
e a memória da pele:
um cheiro antigo,
um regresso adiado.

A rua desce
até ao bar vazio.
Na mão,
dois tostões,
preço do coração
e de uma sombra sentada no canto.

No copo,
a sede de um nome
que ainda não conhecemos,
e do lugar onde amanhece
sem termos lá estado.

A casa veste silêncio.
Não tem telhado,
nem chão —
só estrelas cansadas
de esperar o céu.

E o poeta,
com os olhos cheios de longe,
permanece:
uma parede por subir,
uma palavra por nascer,
um lume por acender.

O tempo chega sempre
antes do poema.

 

Solidão

Maio 23, 2025

As pessoas dizem que a solidão é silêncio, mas não é. É barulho. É o som do frigorífico a funcionar num quarto onde ninguém entra. É a tosse que ecoa como se fosse de outro corpo. É o som das mensagens que não chegam, dos telefonemas que não tocam. Solidão é quando até os algoritmos se esquecem de ti. Quando nem as notificações fingem que te querem. Os dias passam todos iguais. A mesma parede, a mesma luz, o mesmo cheiro a lençóis suados e tempo parado. Já não sei se quero companhia ou se só quero ser visto. Ser notado. Ser real. Porque há momentos em que começo a duvidar que ainda exista para os outros. E o pior? É que nem dói como eu achava que ia doer. É mais oco do que dor. É o tipo de vazio que se instala devagar, come pelas beiradas, e um dia tu percebes: já não tens ninguém. Nem raiva, nem saudade. Só o corpo ali, ligado à força, como uma lâmpada num quarto onde ninguém entra.

 

Solidão

Dezembro 17, 2021

faltam-me as palavras para descrever o peso de alguns silêncios. para explicar o aperto invisível do ar no meu corpo. 

o infinito cresce sem regras e sobra sempre tanto. só a recordação sabe sorrir. mesmo ela desvanece e vai acabar por me abandonar ao vazio. se, primeiro, não me levar aos jardins de fogo onde reinam as sombras. 

Nick Cave. lentamente. é isso. no ar, como se os acordes fossem amantes. como se estivessem despidos. a solidão é um paradoxo. uma grande folha em branco e nunca estamos sós em frente a uma.

 

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