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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

Red Tales

>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

30

Julho 04, 2023

estou cá dentro, mas é como se chovesse. é como se o céu tombasse sobre ruas distraídas pela sombra dos sonhos. se, entre duas árvores, devidamente distanciadas, houver, a uni-las, uma cerca de madeira em que as tábuas formem uma espécie de pauta, os pardais pousam e distribuem-se nela como notas musicais, mas ficam em silêncio e, quando cantam, fazem-no sem que o conjunto dos cantos forme uma harmonia. é, mais ou menos, o que acontece aqui.

29

Junho 21, 2023

as minhas mãos cercaram-lhe o corpo, sempre forçando-o contra o meu, acariciando-a até se lhe alojarem no sexo. usando a racha do vestido, deslizei-as para dentro dele, senti-lhe o calor e o desejo. apertei-lhe o interior das coxas. viajei as mãos entre as pernas e o ventre e de volta às pernas, afagando com mãos seguras cada curva. explorei-lhe os pelos púbicos, a humidade e a boca do sexo. penetrei-a com dedos nervosos e movimentámo-nos, disfarçadamente, como se estivéssemos a fazer amor com extrema lentidão. estava ali, com uma mulher linda, formalmente desconhecida, mas há muito imensamente desejada e, talvez por estarmos no meio daquela gente toda, correndo o risco de sermos vistos, o meu pénis e a minha excitação cresceram para lá do que julgava possível.
totalmente louco, agarrei-lhe uma mão, com a ideia, quase obsessiva, de a trazer até mim e senti-la masturbar-me, mesmo que fosse por cima das calças. como que adivinhando o que eu queria, ela aproveitou eu estar a puxar-lhe uma mão para se voltar para mim e, com a outra mão, segurar-me entre as pernas, esfregar e comprimir o meu pénis. como é apenas um pouco mais baixa que eu, ao voltar-se, sendo o espaço entre nós quase inexistente, teve de levantar ligeiramente a cabeça para me olhar nos olhos. o gesto foi lento e aproximou extraordinariamente as nossas bocas. podia sentir-lhe a respiração e o calor excitante. era como se da boca lhe saíssem silhuetas de corpos despidos e entrelaçados. eu fiquei enfeitiçado pelos negros e radiantes caracóis, pela pele morena e pelos olhos claros. ela sorriu e disse-me lentamente:

28

Abril 21, 2023

tal como esperado, a noite foi agitada. fiz da memória o meu abrigo. o resguardo dos meus desejos. estou sedento e bebo as manhãs que nascem com ela: na claridade do seu corpo despido, no azul mistério. mesmo quando durmo, faz amor com os caminhos tortuosos da minha mente, ama-me com um relâmpago sonhado no corpo, agora contorcido pelo orgasmo. sinto-lhe o latejo do sangue. neste lugar de névoa, acontece sempre o que nunca aconteceu. sinto-a e sei que existe a palavra certa, mas tenho apenas o infinito para ela e pode ser pouco: estou aterrorizado.

27

Abril 07, 2023

creio não haver nada de romântico ou esotérico em passar a gostar mais de alguém em situações de perigo. acredito mais que há causas químicas. em situações de perigo, libertam-se determinadas hormonas no nosso sangue e algumas delas aumentam o nosso estado de alerta, permitindo-nos ver coisas que não víamos antes. acredito que nesses momentos, ao mudar a nossa perceção, mudam as nossas experiências e, consequentemente, muda a nossa memória e o que sentimos. não raras vezes e da mesma maneira, embora não lhe demos muita importância, se passarmos uma situação limite perto de alguém de quem não gostamos, o nosso ódio por essa pessoa aumenta.

26

Abril 06, 2023

estes túneis são as entranhas da indiferença, são a linha de produção que vomita os componentes mais essenciais ao conformismo em que sobrevivemos. as paredes estão cheias de silêncio. absorvem a mudez das centenas de pessoas que aqui passam e expelem apenas agonizantes pedidos de ajuda. são como paredes de borracha, aprisionando almas cuja silhueta se pode notar nelas. no chão podem ver-se as marcas negras dos sonhos deixados cair por uma multidão una e transparente.

25

Abril 05, 2023

acho que vou fechar os olhos e tentar passar por ele quase sem ocupar espaço, como se estivesse a mergulhar no ínfimo lugar entre dois tacos. ele parece estar a morder a vida e deve ser amarga. é agora: vou prender a respiração e deixar de pensar.

24

Março 09, 2023

entretanto, este homem, por exemplo, acabou de roubar uma carteira e, por certo, estará pouco apoquentado com afetos. vem na minha direção. não sei se é bom já estar avisado ou se seria melhor não o estar. eu devia tê-lo denunciado, devia ter saído deste lugar de fraqueza. por outro lado, não sei se faria sentido arriscar a minha tranquilidade pelo conforto de alguém que não conheço. por cobardia, não arrisquei e agora corro riscos. que sangue alimentará esta sombra? haverá algum mar que saiba o seu nome? terá sido a transparência a moldá-lo?
em que é que nos tornámos? 

23

Março 03, 2023

desce, com o brilho do céu. os seus passos são alegres; leves; meio trapalhões; contagiam o resto do corpo para um discreto bailado. o vestido lilás, com uma racha jovial e de alças provocantes, ondula com vigor, como se dançasse ao ritmo de uma música diferente da escutada pelo corpo.

21

Fevereiro 24, 2023

debaixo da mesa, a mulher estava descalça, com as pernas esticadas e com os pés apoiados na cadeira dele. o homem tinha o pénis fora das calças e ela usava os pés para o masturbar. o pénis estava enorme, tinha a ponta muito brilhante e notavam-se nele algumas veias a pulsar.
em cada mesa havia uma vela. a chama da deles estava muito brilhante, parecia dançar e projetava uma mistura de sombras, luz e cores no rosto deles. parecidas com pinturas de guerra de uma qualquer tribo africana, as projeções, tornavam-nos ainda mais sensuais. olhei para a Maria apenas para confirmar que a vela da nossa mesa não fazia nela o mesmo efeito.
não pareciam nada incomodados com a nossa curiosidade. acho que ainda os excitava mais. ela acelerou o ritmo dos movimentos, ele atingiu o orgasmo e o esperma acariciou os pés dela. nesse preciso momento, a Maria, soltou um, quase impercetível, gemido, olhou o homem nos olhos e ambos sorriram.

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