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Red Tales

(...) cá estou eu, por aqui, a fingir que sou eu que por aqui estou (...)

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>> Cuidemos de Todos Cuidando de Nós <<

 

Alguns dos textos aqui contidos são de cariz sexual e só devem ser lidos por maiores de 18 anos e por quem tiver uma mente aberta. Se sentir algum tipo de desconforto com isso ou se não tiver os 18 anos ou mais, por favor SAIA agora.

28

Abril 21, 2023

tal como esperado, a noite foi agitada. fiz da memória o meu abrigo. o resguardo dos meus desejos. estou sedento e bebo as manhãs que nascem com ela: na claridade do seu corpo despido, no azul mistério. mesmo quando durmo, faz amor com os caminhos tortuosos da minha mente, ama-me com um relâmpago sonhado no corpo, agora contorcido pelo orgasmo. sinto-lhe o latejo do sangue. neste lugar de névoa, acontece sempre o que nunca aconteceu. sinto-a e sei que existe a palavra certa, mas tenho apenas o infinito para ela e pode ser pouco: estou aterrorizado.

27

Abril 07, 2023

creio não haver nada de romântico ou esotérico em passar a gostar mais de alguém em situações de perigo. acredito mais que há causas químicas. em situações de perigo, libertam-se determinadas hormonas no nosso sangue e algumas delas aumentam o nosso estado de alerta, permitindo-nos ver coisas que não víamos antes. acredito que nesses momentos, ao mudar a nossa perceção, mudam as nossas experiências e, consequentemente, muda a nossa memória e o que sentimos. não raras vezes e da mesma maneira, embora não lhe demos muita importância, se passarmos uma situação limite perto de alguém de quem não gostamos, o nosso ódio por essa pessoa aumenta.

26

Abril 06, 2023

estes túneis são as entranhas da indiferença, são a linha de produção que vomita os componentes mais essenciais ao conformismo em que sobrevivemos. as paredes estão cheias de silêncio. absorvem a mudez das centenas de pessoas que aqui passam e expelem apenas agonizantes pedidos de ajuda. são como paredes de borracha, aprisionando almas cuja silhueta se pode notar nelas. no chão podem ver-se as marcas negras dos sonhos deixados cair por uma multidão una e transparente.

25

Abril 05, 2023

acho que vou fechar os olhos e tentar passar por ele quase sem ocupar espaço, como se estivesse a mergulhar no ínfimo lugar entre dois tacos. ele parece estar a morder a vida e deve ser amarga. é agora: vou prender a respiração e deixar de pensar.

24

Março 09, 2023

entretanto, este homem, por exemplo, acabou de roubar uma carteira e, por certo, estará pouco apoquentado com afetos. vem na minha direção. não sei se é bom já estar avisado ou se seria melhor não o estar. eu devia tê-lo denunciado, devia ter saído deste lugar de fraqueza. por outro lado, não sei se faria sentido arriscar a minha tranquilidade pelo conforto de alguém que não conheço. por cobardia, não arrisquei e agora corro riscos. que sangue alimentará esta sombra? haverá algum mar que saiba o seu nome? terá sido a transparência a moldá-lo?
em que é que nos tornámos? 

23

Março 03, 2023

desce, com o brilho do céu. os seus passos são alegres; leves; meio trapalhões; contagiam o resto do corpo para um discreto bailado. o vestido lilás, com uma racha jovial e de alças provocantes, ondula com vigor, como se dançasse ao ritmo de uma música diferente da escutada pelo corpo.

21

Fevereiro 24, 2023

debaixo da mesa, a mulher estava descalça, com as pernas esticadas e com os pés apoiados na cadeira dele. o homem tinha o pénis fora das calças e ela usava os pés para o masturbar. o pénis estava enorme, tinha a ponta muito brilhante e notavam-se nele algumas veias a pulsar.
em cada mesa havia uma vela. a chama da deles estava muito brilhante, parecia dançar e projetava uma mistura de sombras, luz e cores no rosto deles. parecidas com pinturas de guerra de uma qualquer tribo africana, as projeções, tornavam-nos ainda mais sensuais. olhei para a Maria apenas para confirmar que a vela da nossa mesa não fazia nela o mesmo efeito.
não pareciam nada incomodados com a nossa curiosidade. acho que ainda os excitava mais. ela acelerou o ritmo dos movimentos, ele atingiu o orgasmo e o esperma acariciou os pés dela. nesse preciso momento, a Maria, soltou um, quase impercetível, gemido, olhou o homem nos olhos e ambos sorriram.

20

Fevereiro 23, 2023

sinto o corpo dormente, é como se uma luz de palha iluminasse o meu sangue. algo me abraça e me aperta os órgãos. toda esta gente a esmagar-me contra o chão e a respirar primeiro que eu. o pensamento e o coração não o fazem, mas lamentavelmente o corpo teima em antecipar desgraças que poderão não acontecer, vive em dúvida permanente. acredito ser transparente ou então sou um grito silencioso.

19

Fevereiro 23, 2023

já estou aqui há duas horas. altura do meu terceiro café. espero não encontrar ninguém na copa. detesto conversas de cortesia e ninguém aqui lida bem com o silêncio. não percebo a necessidade que as pessoas têm de falar quando estão juntas. nos meus tempos de adolescente tinha um amigo, com quem a intimidade e cumplicidade eram tão grandes, que estávamos confortavelmente em uma esplanada, a tarde inteira, sem falar. nunca mais encontrei ninguém com quem o conseguisse fazer. hoje, olhando para trás, admito que talvez exagerássemos, mas, voltando ao presente, agradava-me muito se as pessoas reduzissem as conversas ao essencial e ao humor. quando as palavras são áridas e, nelas, nada floresce, o silêncio é a mais resiliente e vantajosa semente.

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